Thayná Araújo detalha rotina intensa e desafios no ciclismo
Ciclista profissional revela treinos na madrugada, competições virtuais no rolo e a busca por patrocínio no Brasil.
A ciclista profissional Thayná Araújo abriu os bastidores da sua rotina de treinos intensos e comentou a realidade financeira do ciclismo feminino nacional. Entre aulas como treinadora, pedal na estrada e provas virtuais de madrugada, a atleta aponta o desafio de conciliar alta performance e produção de conteúdo.
Viver exclusivamente do ciclismo profissional no Brasil exige equilibrar alta performance, trabalho técnico e uma gestão rigorosa do próprio tempo. Em conversa no podcast Se Liga Nelas, da Stemma Sports, a ciclista e treinadora Thayná Araújo detalhou a rotina pesada que enfrenta na Baixada Santista e os obstáculos enfrentados pelas atletas femininas para conseguir suporte de marcas no país.
Madrugadas na estrada e aulas na Baixada Santista
A rotina de Thayná começa muito antes do amanhecer. Moradora de Praia Grande, a atleta acorda às 3h30 nas terças-feiras para ministrar aulas a partir das 4h45 em Santos, na TCC. A programação inclui atendimento a alunos iniciantes e saídas para a estrada com turmas intermediárias e avançadas por volta das 5h45. O trabalho com os alunos dura até cerca de 9h30 ou 10h, momento em que muitas vezes a atleta precisa retornar ao asfalto para cumprir a sua própria planilha de treinos.
Nas quintas-feiras e aos sábados, o despertador toca às 4h45 para os treinos de pelotão com a Force Club. A disciplina com os horários de sono e alimentação é indispensável para sustentar o volume semanal: às 20h, a prioridade absoluta já passa a ser jantar e descansar o corpo para a próxima sessão.
Provas virtuais no rolo e premiação em dinheiro
Aos domingos, o cronograma é ainda mais específico. Thayná acorda às 3h da manhã para disputar corridas virtuais de ciclismo indoor no aplicativo MyWhoosh, que largam às 4h30. A preparação exige acordar cedo para tomar café com calma e iniciar um aquecimento de 25 minutos no rolo antes da largada oficial.
As competições virtuais reúnem ciclistas do mundo inteiro e são divididas em categorias que vão de 1 a 6. Atualmente competindo na categoria 3, Thayná investiu no rolo inteligente por recomendação de seu treinador, aproveitando as disputas com dinâmica de pelotão e vácuo como uma fonte complementar de renda, já que os eventos oferecem premiações em dinheiro.
O desafio dos patrocínios e a cobrança por conteúdo
Mesmo com resultados expressivos nas estradas, Thayná ressalta a dificuldade de obter apoio de marcas para aquisição de equipamentos básicos, como bicicletas de ponta e rolos de treino. Segundo a ciclista, tentativas de contato com patrocinadores frequentemente sequer recebem resposta, refletindo um cenário onde o mercado muitas vezes prioriza criadores de conteúdo e perfis focados em redes sociais em detrimento de atletas dedicados integralmente à performance.
A necessidade de produzir vídeos e fotos para a internet surge como uma exigência paralela ao esporte que nem sempre cabe na exaustão do pós-treino. Focada no rendimento esportivo, Thayná reconhece a importância da comunicação digital, mas prioriza a recuperação física e a entrega nos treinamentos de alto nível.