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Thayná Araújo analisa os desafios do ciclismo feminino no Brasil

Bicampeã da 9 de Julho detalha sua trajetória da escolinha em Santos ao paraciclismo e o trabalho tático nas estradas.

Em conversa no Se Liga Nelas, Thayná Araújo revisita sua carreira desde o início em projetos sociais até as convocações para a Seleção Brasileira. A atleta analisa os desafios financeiros do esporte, a estratégia da Prova 9 de Julho e a preparação para o Mundial de Paraciclismo.

A ciclista profissional e treinadora Thayná Araújo participou do podcast Se Liga Nelas para repassar os principais marcos de sua trajetória no esporte. Bicampeã da Prova 9 de Julho e com passagens pela Seleção Brasileira, ela compartilhou os bastidores do ciclismo de alto rendimento, os desafios de sustentabilidade financeira na modalidade e a rotina dividida entre competições, treinos e a assessoria esportiva.

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O início no ciclismo e a escolinha do Tio Negão

A trajetória esportiva de Thayná começou aos 12 anos na Vila Telma, Zona Noroeste de Santos. Convidada por uma vizinha para disputar uma competição informal em frente à oficina de Antônio Carlos, o Tio Negão, ela alinhou com uma bicicleta simples e venceu. Logo em seguida, ingressou no projeto social do treinador, sagrou-se campeã paulista em sua estreia oficial e optou pelo ciclismo em definitivo, deixando para trás participações em escolinhas de futebol e provas escolares de velocidade.

Thayná Araújo analisa os desafios do ciclismo feminino no Brasil

A formação acadêmica e o incentivo dos treinadores

Com o apoio familiar e a orientação próxima de Tio Negão e de Cláudio Jax, técnico de sua equipe, Thayná foi cobrada a manter os estudos em paralelo à rotina esportiva. Ao completar 18 anos, ela ingressou na faculdade de Educação Física com bolsa de estudos universitária viabilizada pela prefeitura por meio do esporte, formação que considera essencial para sua atuação atual como treinadora e profissional da área.

Experiência na Seleção Brasileira e competições internacionais

O rendimento nas categorias de base abriu portas para competições fora do país a partir de 2017, no México, e culminou na convocação para a Seleção Brasileira sub-23 em disputas sul-americanas. Thayná ressalta o papel transformador do ciclismo em sua vida, permitindo acesso ao ensino superior, viagens internacionais e a realização de representar o país em eventos de alto nível.

Desafios do ciclismo feminino e a rotina de treinos

A realidade do ciclismo nacional exige dedicação profissional, mas ainda apresenta escassez de patrocínios para atletas femininas. Thayná relata a pressão paralela pela criação de conteúdo digital e descreve uma rotina intensa: desperta de madrugada para comandar os treinos de assessoria na Baixada Santista, realiza seus próprios treinos de rodagem na estrada e disputa provas virtuais no rolo pelo aplicativo MyWhoosh, onde busca premiações em dinheiro para complementar sua renda.

Viver do esporte e o auge da carreira no ciclismo

A viabilidade financeira de depender exclusivamente do ciclismo é analisada por Thayná a partir do amadurecimento e das demandas da vida adulta. Segundo a atleta, a necessidade de diversificar as fontes de renda surge naturalmente com o passar dos anos. Ela também aponta que o ápice fisiológico no ciclismo feminino de estrada costuma ocorrer mais tarde, frequentemente entre os 33 e 35 anos, impulsionado pela maturidade muscular e pela longevidade atlética.

Acompanhamento psicológico e pressão por resultados

A cobrança por vitórias e a frustração com desempenhos abaixo do esperado levaram Thayná a intensificar o suporte psicológico semanal. A ciclista destaca que a terapia foi indispensável para reconstruir a autoconfiança e controlar a ansiedade antes da Prova 9 de Julho, permitindo alinhar na largada sem o peso de resultados anteriores e assegurar o bicampeonato.

Trabalho em equipe e a estratégia na Prova 9 de Julho

Definindo o ciclismo como o esporte individual mais coletivo existente, Thayná detalha o papel tático do pelotão. Na edição de 2024 da 9 de Julho, após a perda de duas companheiras de equipe no percurso, coube à gregária Alice assumir a ponta da corrida para ditar o ritmo e neutralizar fugas, posicionando Thayná para lançar o sprint final decisivo nos metros derradeiros.

Dicas para mulheres iniciantes e a dinâmica na estrada

Para as mulheres que pretendem iniciar no ciclismo de estrada, Thayná recomenda acompanhamento técnico estruturado e domínio prévio do equipamento antes de encarar o tráfego rodoviário. Durante a conversa, as participantes abordaram a dinâmica de convivência em pelotões com ciclistas homens, destacando a relevância de grupos acolhedores e da segurança coletiva para o desenvolvimento de ciclistas amadoras.

Segurança, sinalização e cuidados no ciclismo de estrada

A preocupação com assaltos e trechos de tráfego intenso na Baixada Santista direciona a escolha dos trajetos e horários de treino da atleta. Thayná reforça a obrigatoriedade de luzes de sinalização traseiras e a comunicação constante por gestos e avisos de voz dentro do grupo para prevenir acidentes causados por buracos, detritos na pista ou desvios bruscos de rota.

Planos futuros e conselhos para jovens atletas

Com foco na consolidação de sua assessoria First Club e no objetivo de conquistar o Campeonato Brasileiro de Estrada, Thayná projeta os próximos anos de carreira. Como conselho a jovens e crianças que ingressam na modalidade, a ciclista enfatiza a importância de vivenciar todas as categorias de base sem pressa, priorizando a formação educacional em conjunto com o desenvolvimento esportivo.

Tour de France feminino e visibilidade internacional

Ao avaliar a evolução do Tour de France Femmes e a presença de ciclistas como Tota Magalhães no cenário internacional, Thayná destaca que o crescimento da modalidade depende de investimentos estruturais contínuos. Para a atleta, o suporte financeiro é o fator determinante para permitir que talentos brasileiros se estabeleçam no calendário europeu e disputem as principais provas do circuito mundial.

Atuação como atleta-guia no paraciclismo e rotina nutricional

Thayná encerra detalhando sua atuação como atleta-guia de Márcia Fanhani em bicicletas tandem, com foco no Campeonato Mundial nos Estados Unidos e nos Jogos Abertos do Interior. Ela descreve a exigência técnica de pilotar a bike dupla e comenta os desafios de sua rotina alimentar altamente fracionada para repor o gasto calórico de uma carga semanal de aproximadamente 18 horas de pedal.

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