O papel do acolhimento e do respeito em equipes de natação
Alexandre Indiani discute a importância de integrar novos nadadores, valorizar o coletivo e manter a disciplina na borda da piscina.
Em conversa no Natação Stemma, o treinador Alexandre Indiani destaca por que o acolhimento a novos atletas e o respeito mútuo são pilares indispensáveis na formação esportiva. O técnico compartilha experiências próprias e dinâmicas que fortalecem o espírito de equipe.
A dinâmica dentro de uma equipe de natação vai muito além das séries prescritas na lousa e dos tempos marcados no cronômetro. Para o treinador Alexandre Indiani, o ambiente de convivência na borda da piscina é determinante para a permanência e a evolução dos atletas, tendo o acolhimento aos novatos e o respeito mútuo como regras inegociáveis do trabalho diário.
Acolher quem chega: lição que vem da própria trajetória
Indiani relembra que, nos seus tempos de atleta nos anos 1980, sentiu na pele a dificuldade de mudar de clube e demorar a ser integrado. Naquela época, o espaço no grupo só costumava surgir após a entrega de resultados expressivos na piscina, um processo frio em que o nadador apenas treinava, guardava o material e ia embora. Ao assumir a função de treinador, ele transformou esse incômodo em postura ativa: cobrar insistentemente que os atletas recebam com atenção qualquer companheiro que esteja chegando.
O impacto dessa barreira é real nas categorias de base. Durante a conversa, o coapresentador Wanderley Santos compartilhou o caso de sua própria filha, que se destacava com recordes internos nas provas de costas, mas acabou abandonando o esporte precocemente devido à falta de acolhimento e à frieza do ambiente coletivo no clube em que treinava.
Respeito como base inegociável da equipe
Para Indiani, construir um grupo saudável não significa forçar amizades íntimas entre todos os membros, mas estabelecer uma premissa clara de respeito. Independentemente do nível de afinidade pessoal, todos estão vestindo a mesma camisa e defendendo a mesma bandeira dentro d'água.
O treinador costuma lembrar aos jovens a impermanência do esporte: as fases boas e ruins se alternam constantemente, e ninguém passa ileso pelas oscilações. Quem hoje está no topo pode precisar de apoio amanhã. Essa consciência coletiva é trabalhada em detalhes cotidianos, como exercícios realizados em duplas e o hábito de cumprimentar os colegas de raia ao final de séries intensas.
Desafios coletivos e o cuidado com a técnica
Outro recurso para integrar a equipe são os desafios coletivos. Indiani e Wanderley citam dinâmicas em que um atleta assume a responsabilidade de cravar determinado tempo em uma tomada individual para liberar o restante do grupo de uma série pesada. Indiani relata uma ocasião recente em que um nadador tentou fechar 200m livre com palmar e pé de pato abaixo de 1min47s; o atleta bateu na borda com 1min47s02, e a regra foi mantida com bom humor e disciplina: comemoração pela grande marca, soltura e retorno ao treino planejado.
Essa condução pedagógica também se reflete na escolha das séries. Indiani rejeita o uso de tiros longos de borboleta ou séries extenuantes como forma de castigo disciplinar. Para ele, desgastar um nadador a ponto de deteriorar sua mecânica de nado não traz ganho técnico e ainda cria aversão psicológica ao próprio estilo, distorcendo o objetivo do treinamento de base.