Alexandre Indiani: formação e espírito de equipe na natação
Com quase quatro décadas de borda de piscina, o treinador debate valores, disciplina, papel dos pais e base esportiva.
Em conversa no Natação Stemma, o experiente treinador Alexandre Indiani compartilha os pilares de sua carreira de 38 anos na borda da piscina. O debate aborda a construção de um ambiente de respeito, limites na formação de base, a autonomia dos jovens atletas e sua paixão pelo cicloturismo.
Com uma trajetória de quase quatro décadas dedicadas à natação, o treinador Alexandre Indiani esteve no Natação Stemma para um panorama sobre o desenvolvimento de equipes sólidas e a formação integral do atleta. Confira abaixo os principais pontos abordados ao longo da conversa.
A trajetória de 38 anos de borda de piscina e o impacto na vida dos atletas
Ao refletir sobre os 38 anos atuando diretamente na borda da piscina, Alexandre Indiani ressalta que o maior retorno de sua carreira vai além das medalhas: está na formação de cidadãos e pessoas de bem. Embora a maioria dos atletas siga caminhos positivos, o treinador também relembra momentos marcantes e difíceis de sua caminhada profissional, reforçando a importância do esporte como ferramenta de transformação e proteção para os jovens.
O início na natação e a força do espírito de equipe
Indiani relembra seus primeiros contatos com a modalidade aos 6 anos em São Bernardo, passando por sua primeira técnica formativa, Helena Scarpelli, até sua trajetória como nadador em clubes como o Pinheiros. Mesmo sem se considerar um talento nato individualmente, o treinador destaca que seu esforço o levou a pódios em revezamentos, lição que fundamentou sua convicção de que o ambiente coletivo e o vestiário mantêm os atletas motivados a longo prazo.
Acolhimento e respeito no ambiente da equipe
A integração de novos integrantes no grupo de treino é tratada como prioridade indispensável. Indiani compartilha experiências de sua época de atleta e como técnico, enfatizando que afinidade pessoal não é obrigatória, mas o respeito mútuo entre quem veste a mesma camisa é inegociável. Para construir esse espírito, o treinador recorre a dinâmicas em duplas e desafios coletivos durante os treinamentos.
Regras, disciplina e a formação do atleta para a vida
A rotina sob o comando de Indiani é guiada por compromisso, pontualidade e consistência. O treinador detalha o rigor com os horários pré-treino, a rotina de ativação, exercícios respiratórios antes de entrar na água e o controle de faltas. Para ele, esses limites e a moderação no uso de celulares ensinam habilidades de gestão e foco que acompanham o jovem para além das piscinas.
A formação do treinador e os fundamentos do trabalho de base
Após cogitar estudar oceanografia, Indiani ingressou na Educação Física e iniciou sua trajetória na Academia Atlantis sob a mentoria do coordenador Jordão. O técnico defende que quem deseja formar nadadores precisa vivenciar a água, sair enrugado e entender a sensibilidade corporal das fases iniciais. Ele critica a busca por resultados imediatos e frisa que a maturação esportiva exige respeito aos processos fisiológicos e pedagógicos.
O papel dos pais na vida esportiva dos filhos
O equilíbrio entre apoio familiar e interferência técnica foi um dos temas centrais. Indiani argumenta que os pais devem confiar na metodologia do treinador da mesma forma que confiam nas orientações de um médico. Para o técnico, a família deve oferecer carinho, suporte e estrutura, mas garantir aos filhos a autonomia necessária para resolverem seus próprios desafios e amadurecerem no ambiente esportivo.
A paixão pelo cicloturismo e a conexão com a natação
Fora das piscinas, o treinador tem o cicloturismo e o bikepacking como hobbies constantes e ferramentas de autoterapia. Ele relata suas cicloviagens, incluindo trechos do Caminho da Fé e circuitos com acampamento selvagem, traçando paralelos diretos entre a disciplina necessária para encarar subidas difíceis na bicicleta e a mentalidade de resiliência exigida em séries duras de natação.
Quebra Recordes, competições no exterior e mensagem final
No quadro de respostas rápidas, Indiani apontou o humanismo como seu ponto forte e defendeu a realização de intercâmbios internacionais nos Estados Unidos, citando eventos em locais como Fort Lauderdale e Nashville como passos essenciais para jovens atletas encararem o alto rendimento. Atualmente trabalhando na estrutura de São Caetano, ele encerrou com uma mensagem aos pais: amar os filhos e permitir que eles aprendam por si próprios.