Alexandre Indiani: 38 anos de borda e vidas formadas na natação
Com passagens por seleções e projetos de base, o treinador reflete sobre como a disciplina esportiva molda cidadãos.
Com quase quatro décadas dedicadas à borda da piscina, o técnico Alexandre Indiani reflete sobre a verdadeira missão do esporte de base. Mais do que colecionar títulos e medalhas, o papel do treinador é formar pessoas de bem e oferecer um ambiente de proteção e desenvolvimento para a juventude.
Alexandre Indiani acumula uma trajetória de peso na natação brasileira. Com formação em Educação Física pela FEFISA, especializações em fisiologia, treinamento e gestão esportiva, além de atuações na supervisão do Centro Olímpico em parceria com o Instituto Cesar Cielo e convocações para seleções estaduais e brasileira, o treinador soma 38 anos de experiência na borda da piscina. No entanto, para ele, a maior conquista de toda essa jornada não está guardada em medalhas ou troféus, mas nas vidas transformadas ao longo das décadas.
Formação humana além do resultado esportivo
Para Indiani, o aspecto mais gratificante da carreira de treinador é acompanhar o desenvolvimento dos atletas desde as categorias iniciais, como o petiz, atravessando a adolescência até a vida adulta. Reencontrar antigos nadadores anos mais tarde e vê-los estruturados como profissionais respeitados, pais e mães de família e cidadãos íntegros é o que verdadeiramente dá sentido ao trabalho de base.
A rotina competitiva como proteção social
Conhecido por sua postura metódica e exigente em relação a regras, pontualidade e compromisso com o treino, Indiani destaca que a rotina rígida do esporte de rendimento é determinante na formação do caráter. O ambiente da piscina ocupa o tempo, impõe limites saudáveis e afasta a juventude de caminhos nocivos, oferecendo uma estrutura que muitas vezes a vida fora do esporte não consegue garantir.
Mesmo em uma trajetória com milhares de jovens encaminhados com sucesso, as raras exceções deixam marcas. Indiani relembra episódios pontuais e dolorosos de ex-alunos que abandonaram precocemente a disciplina da natação e acabaram sucumbindo às drogas ou à criminalidade. Histórias que reforçam, pelo contraste, a importância crucial do esporte como ferramenta de proteção, formação ética e transformação social.