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Maratona de Buenos Aires: o race report de Marcela Fanti

A busca pelo índice de Boston, os erros de estratégia na prova e as lições sobre frustração e saúde mental no esporte.

Marcela Fanti detalha sua experiência na Maratona de Buenos Aires no Girls Who Run. Entre a meta do índice de Boston, a quebra de ritmo e o desgaste físico, ela reflete sobre maturidade e a cobrança na corrida.

No episódio do Girls Who Run, Marcela Fanti compartilha um race report sincero e detalhado sobre sua participação na Maratona de Buenos Aires. Em conversa com Mariana Real, a corredora analisa desde os motivos logísticos da escolha até a tentativa de buscar o índice para Boston, passando pela rotina de treinos e os desafios emocionais de um período conturbado fora do esporte.

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A escolha da Maratona de Buenos Aires

Depois de completar a Maratona de Nova York e focar na fase do seu casamento, Marcela precisava definir o próximo desafio nos 42 km. Com grandes provas internacionais exigindo alto investimento ou longos prazos de planejamento, Buenos Aires surgiu como uma alternativa viável: logística acessível, voo curto sem fuso horário e um percurso reconhecido pela altimetria favorável. A inscrição foi feita sem as complicações comuns das majors, garantindo a motivação de ter uma nova linha de chegada no horizonte.

Maratona de Buenos Aires: o race report de Marcela Fanti

A meta de Boston, rotina de treinos e saúde mental

Impulsionada por um bom resultado na Meia do Rio, Marcela alinhou com seu treinador a meta de buscar o índice para a Maratona de Boston. No entanto, o ciclo coincidiu com uma fase de demissão e instabilidade profissional. Em meio a crises de ansiedade, a rotina rígida de treinos — que chegou a 80 km semanais — tornou-se uma âncora emocional. Por outro lado, a preparação enfrentou negligências no trabalho de fortalecimento e na alimentação, refletindo o momento de sobrecarga psicológica.

Chegada a Buenos Aires, alimentação e a feira da prova

A experiência pré-prova na capital argentina foi marcada por tranquilidade na logística e passeios por bairros como Palermo e Recoleta. Marcela optou pela hospedagem em Airbnb e manteve o aporte de carboidratos com refeições práticas à base de massas. Diferente do espetáculo comercial das grandes provas do circuito mundial, a feira oficial em Buenos Aires funcionou estritamente como um ponto rápido de retirada de kit, sem grandes ativações.

O dia da prova: largada forte, sofrimento e linha de chegada

No dia da prova, a ansiedade de garantir a marca com folga fez Marcela largar em um ritmo mais forte do que o planejado. A alta umidade e a postura afobada cobraram o preço a partir do km 12, transformando a corrida em uma batalha contra o desgaste muscular extremo. A quebra definitiva veio após o km 30, exigindo pausas entre caminhada e trote a partir do km 35. Apesar da dor generalizada, ela cruzou a linha de chegada em 3h33, frustrada pela impossibilidade de desfrutar o percurso.

Reflexões sobre cobrança, frustração e lições finais

O resultado serviu como um profundo exercício de autocrítica sobre a transferência de expectativas pessoais para o rendimento esportivo. Marcela concluiu que transformar a meta de Boston em uma obrigação para compensar outras áreas da vida acabou tirando a leveza da corrida. Com novas provas no radar, o aprendizado final reforça a necessidade de respeitar o processo, valorizar a experiência e encarar a frustração como parte inevitável da jornada esportiva.

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