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Maratona de Buenos Aires: o relato de Che Fanti sobre a prova

Largada agressiva, cobrança pelo índice de Boston e a batalha física e mental ao longo dos 42 km na capital argentina.

Em relato sincero no Girls Who Run, Marcella Fanti detalha o dia da Maratona de Buenos Aires. Entre a busca pelo índice de Boston, largada forte e fadiga precoce, ela reflete sobre o peso da pressão e a experiência de cruzar a linha de chegada.

A largada de uma maratona carrega meses de expectativa acumulada. Na Maratona de Buenos Aires, a logística inicial fluiu sem contratempos para Marcella Fanti: acesso fácil com caminhada curta de cerca de um quilômetro a partir do desembarque, organização pontual com ondas a cada três minutos e clima animado ao som do hino argentino. O único ponto de atenção na estrutura pré-prova foram as longas filas nos banheiros químicos.

O plano desenhado previa um ritmo médio de 4:52 min/km para fechar a prova em torno de 3h24 a 3h25. No entanto, a ansiedade em relação à nota de corte do índice para a Maratona de Boston acabou alterando a estratégia ainda na largada. Diante do aumento de inscritos e do sarrafo mais alto, Che Fanti decidiu arriscar um ritmo mais forte, buscando fechar em 3h22 com parciais de 4:48 min/km — uma decisão não planejada com seu treinador, Nelson.

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A largada afobada e os primeiros sinais do corpo

Diferente de provas anteriores, em que costumava largar de forma mais conservadora para deixar o corpo aquecer, em Buenos Aires a preocupação com o relógio apareceu já no primeiro quilômetro. Com a umidade relativa do ar em torno de 94% e temperatura próxima dos 22°C, o ar denso começou a cobrar seu preço silenciosamente.

Até o sétimo quilômetro, a dinâmica seguiu confortável, com apoio de áudios de amigos e passagens pelos familiares no percurso. Contudo, entre os quilômetros 12 e 15, o esforço exigido para sustentar o ritmo começou a ficar desproporcional. Em vez de recalcular a rota e recuar o pace para a faixa de 4:55 a 5:00 min/km, a insistência em forçar o bloco rápido manteve o desgaste em escalada constante.

Maratona de Buenos Aires: o relato de Che Fanti sobre a prova

O muro dos 30 km e a quebra física

No quilômetro 19, o desconforto já era evidente. A passagem pela região do estádio do Boca Juniors, por volta do quilômetro 28, exigiu pura concentração para seguir em movimento. Até o quilômetro 30, o ritmo médio acumulado rendeu até um recorde pessoal na distância, mas o impacto da fatura cobrada pelas pernas foi imediato logo após cruzar a marca.

A tentativa de estabilizar a corrida em 5:10 min/km não trouxe alívio na percepção de esforço. A musculatura entrou em fadiga extrema, com sensação de rigidez total e incapacidade de responder aos comandos normais de passada. No quilômetro 35, após receber uma garrafa de refrigerante do treinador, o avanço passou a exigir alternâncias entre corrida e breves caminhadas de dez segundos para soltar as pernas.

Batalha mental até a linha de chegada

Entre os quilômetros 35 e 37, a vontade de desistir se intensificou. Para manter-se em movimento, Che recorreu a gatilhos mentais e áudios da família, ressignificando o desconforto como um desafio de superação física intransponível. A partir do quilômetro 30, o relógio foi deixado de lado, correndo unicamente pela percepção e pelo objetivo de concluir a prova.

A aproximação do quilômetro 40 trouxe ainda uma oscilação de altimetria com descida e subida. Ao som de música no fone para aliviar a tensão dos quilômetros finais, o percurso foi concluído com o tempo final de 3h33. Ao cruzar a linha, o sentimento predominante foi o alívio imediato pela conclusão e a necessidade física de sentar.

Reflexões sobre performance e experiência

Embora o tempo de 3h33 represente uma marca expressiva, a experiência deixou um gosto agridoce pela incapacidade de aproveitar o trajeto turístico por pontos como o Obelisco e a Casa Rosada. A pressão excessiva colocada no número impediu que o dia da prova funcionasse como a celebração de todo o ciclo de treinos.

A principal lição deixada pelo relato é a importância da flexibilidade tática: ao perceber precocemente que o corpo não está respondendo ao ritmo mais agressivo, ajustar o pace para uma faixa sustentável permite proteger a integridade física e transformar os 42 km em uma experiência de corrida muito mais satisfatória.

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