Da barra de ferro à alta performance: a jornada de Maíra no ciclismo
Após fraturar a coluna no início na estrada, a ciclista superou o acidente e encarou a rotina de alto rendimento.
Maíra encontrou no ciclismo uma válvula de escape no pós-parto e evoluiu de passeios urbanos até o pelotão de alta performance. Entre um grave acidente na estrada e provas desafiadoras como o L'Étape e a Haute Route, ela detalha as fases da sua transformação sobre duas rodas.
A entrada de Maíra (conhecida como Japa) no ciclismo começou como uma busca por equilíbrio e saúde logo após o nascimento de sua segunda filha, Francesca. Lidando com as pressões do pós-parto e o ganho de peso da gestação, a bicicleta surgiu como uma oportunidade de sair de casa e criar um momento individual. O início foi despretensioso: ela usava uma bicicleta urbana pesada dada pelo marido, Pavani, para pequenos deslocamentos no bairro.
O incentivo para migrar para o ciclismo de estrada veio por meio da amiga Adriana Lobo. Sem experiência prévia com sapatilhas ou pedais de encaixe, Maíra comprou uma Specialized Roubaix e começou a ter aulas com o treinador Jojo. A rotina exigia disciplina extrema: acordava às 4h10 da manhã para treinar na ciclovia e na USP, retornando antes das 7h para organizar as filhas para a escola.
O batismo de fogo e a fratura na coluna
Conforme ganhou confiança, Maíra se conectou a grupos femininos de ciclismo e aceitou o convite para seu primeiro pedal longo na estrada. Sem dimensão da exigência de endurance, alimentação e dinâmica de pelotão para um percurso como o chamado Montanha Russa, na região de Jundiaí, o desgaste físico cobrou o preço. Com cerca de 40 quilômetros rodados, a exaustão comprometeu seus reflexos, resultando em uma colisão contra uma placa na rodovia.
O impacto causou fraturas nas vértebras L1, L3 e L5 quando Francesca tinha apenas quatro meses. Foram três meses sem conseguir andar e uma longa fase de fisioterapia até a recuperação completa. Seis meses após o acidente, Maíra decidiu voltar aos pedais, desta vez ingressando na assessoria Personal Team, com o treinador Arthur, para aprender técnica e condução segura em pelotão.
A virada de chave para o alto rendimento
Com treinos mais estruturados e viagens desafiadoras — como a subida ao Valle Nevado, no Chile —, o gosto pela superação física se consolidou. Em 2018, Maíra alinhou no percurso longo do Le Tour em Campos do Jordão e conquistou a 7ª colocação geral, mesmo sem um acompanhamento específico de alta performance até então.
O resultado despertou a atenção para o seu potencial competitivo, levando-a a trabalhar com o treinador Ronaldo. Se entre 2019 e 2022 o esporte era vivido como realização pessoal e desafio, a participação na Haute Route Alpes em 2022 mudou a chave em definitivo. A partir desse marco, a rotina incorporou o rigor do alto rendimento, com controle alimentar rigoroso e semanas de até 20 horas de treino.