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Como o ciclismo reconectou Pavani e Maíra após a pandemia

Da estreia improvável de 120 km em Morungaba ao desafio da Haute Route, o pedal virou ponto de união e alta performance.

Após enfrentar um período difícil no retorno a São Paulo, Pavani encontrou no ciclismo de estrada uma válvula de escape e um novo propósito em casal. O que começou como uma tentativa despretensiosa em uma bicicleta elétrica logo se transformou em uma rotina intensa de treinos e provas de montanha ao lado de sua esposa, Maíra.

A transição do isolamento da pandemia para a rotina acelerada de São Paulo trouxe desafios profundos para Pavani e Maíra. Enquanto ela mantinha uma rotina rigorosa de treinos no rolo estacionário, Pavani encontrava equilíbrio pegando onda diariamente no litoral. O retorno à capital paulista, somado à pressão de empreender e às rotinas individuais que se distanciavam, cobrou um preço emocional alto e expôs um afastamento natural do casal.

Percebendo que a rotina centrada apenas no trabalho e nos filhos precisava de um elo a mais de felicidade compartilhada, Maíra fez o convite para que ele experimentasse a estrada. A estreia foi direta e sem rodeios: equipado apenas com tênis, camiseta, capacete urbano e uma bicicleta elétrica emprestada, Pavani encarou um pedal de 120 km até Morungaba ao lado de ciclistas experientes.

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A descoberta do estado de flow sobre duas rodas

Mesmo com a assistência do motor elétrico disponível, o impulso competitivo falou mais alto. Pavani desligava a bateria nas subidas para testar os próprios limites e completou o percurso com a carga praticamente intacta. A sensação ao final das horas de esforço trouxe um paralelo imediato com a vivência no surfe: a capacidade de desligar a mente dos problemas cotidianos, suportar o desconforto e entrar em pleno estado de flow.

O passo seguinte foi adquirir a primeira bicicleta de estrada, uma Specialized Roubaix, e entrar de cabeça no pelotão. No início, sobrar nos treinos e encarar trajetos pesados — como o percurso de Alphaville até Itu com mais de 2.700 metros de altimetria acumulada — virou rotina. Estar atrás e depender do incentivo dos colegas de treino serviu como o principal combustível para acelerar a evolução técnica e física.

Como o ciclismo reconectou Pavani e Maíra após a pandemia

O salto para a alta montanha na Haute Route

Com menos de um ano de prática consistente no ciclismo, Pavani encarou uma das provas por etapas amadoras mais duras do mundo: a Haute Route de 2022. O desafio de sete dias e mais de 21.000 metros de altimetria nas montanhas colocou a resistência física e mental à prova extrema, tornando-se um marco de ressignificação e superação para ambos.

Essa imersão profunda transformou a dinâmica familiar, viabilizando ciclos completos de preparação em locais como Campos do Jordão. Como o próprio casal pontua, sustentar uma rotina de treinamento quase profissional no esporte amador só funciona quando há alinhamento real de objetivos, permitindo que o esporte seja uma experiência vivida e integrada a dois.

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