Curated
Voltar S @stemma 4 min de leitura
sports

Como Roberto Abrahao caça trapaças na corrida

Criador do Um Golpe por Milha explica no Café com Tri como audita dados de maratonas para flagrar cortes de percurso.

Roberto Abrahao, idealizador do projeto Um Golpe por Milha, participou do Café com Tri para debater como a tecnologia e a análise de dados expõem fraudes e atalhos em provas de corrida e triathlon. Confira o resumo de todos os tópicos abordados no episódio.

No episódio 57 do Café com Tri, a bancada recebeu Roberto Abrahao, engenheiro de computação e corredor amador responsável pelo perfil Um Golpe por Milha. Durante a conversa, ele explicou como ferramentas de auditoria e cruzamento de dados cronométricos conseguem identificar atletas que cortam caminho, usam transporte público ou tentam fraudar resultados em grandes provas pelo mundo.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

A origem do projeto Um Golpe por Milha

Roberto contou que sua trajetória começou com o projeto Um Golpe por Dia, focado em alertar o público sobre crimes e golpes digitais. Com experiência profissional prévia em auditoria de TI e financeira, ele percebeu que as corridas de rua geravam um volume enorme de dados de cronometragem que ninguém auditava com profundidade. Ao aliar sua bagagem técnica à paixão pela corrida, criou o projeto esportivo para analisar parciais e identificar transações e ritmos suspeitos nas provas.

Como Roberto Abrahao caça trapaças na corrida

A psicologia do trapaceiro e os motivos para cortar caminho

Para Roberto, a existência de oportunidades e falhas em percursos quase sempre atrai pessoas mal-intencionadas. Ele destacou que os motivos para cortar caminho variam: há participantes sem grandes pretensões que apenas se cansam e querem a medalha, mas também atletas focados em obter índice para Boston, subir ao pódio ou faturar premiações. O convidado ressaltou que mantém uma postura estritamente técnica, limitando-se a enviar evidências às organizações sem emitir julgamentos pessoais.

Cortes cirúrgicos e as maratonas mais vulneráveis

O debate abordou os chamados cortes cirúrgicos, nos quais o corredor planeja atalhos estratégicos de dois ou três quilômetros sem deixar de registrar nenhum tapete de controle. Entre as maratonas internacionais com maior histórico de vulnerabilidades analisadas pelo projeto, Roberto citou Barcelona, Cidade do México e Paris. No caso da Cidade do México, ele identificou mais de 400 pessoas suspeitas, incluindo fortes indícios de uso de transporte público, como metrô.

Metodologia e tecnologia de detecção de fraudes

O especialista explicou como funciona o algoritmo que desenvolveu: o sistema coleta parciais públicas, compara o ritmo de cada trecho com a média histórica do atleta e calcula um score de risco, aplicando multiplicadores caso algum tapete seja perdido. Quando a velocidade não bate e a triangulação de tempo aponta distâncias incoerentes com a corrida a pé, surgem os alertas de que o participante pode ter usado outro meio de locomoção ou burlado o percurso.

O posicionamento e a reação dos organizadores de provas

A bancada discutiu o desinteresse ou a surpresa de organizadores diante do problema. Enquanto a Maratona de Praga demonstrou espanto e interesse ao receber o relatório, grandes eventos como a Maratona de Chicago já adotam tapetes em quase todas as curvas para mitigar o problema. Roberto apontou que algumas provas simplesmente ignoram os apontamentos para evitar desgaste público, enquanto outras aprimoram a fiscalização.

Trapaça global, redes sociais e a cultura do ego

Roberto enfatizou que o corte de caminho não é exclusividade brasileira, relatando casos de diversas nacionalidades, incluindo corredores japoneses. Os apresentadores e o convidado debateram como a cultura do ego e a busca por validação em redes como Instagram e Strava inflam a necessidade de ostentar marcas irreais, transformando números e tempos em símbolos de status social.

Possibilidades de trapaça no triathlon e auditoria no Ironman

A mesa avaliou a viabilidade de fraudes no triathlon, apontando que natação e ciclismo oferecem menos brechas que a corrida a pé. Roberto relatou sua análise no Ironman Brasil em Florianópolis, na qual identificou um participante suspeito que, após contato, provou ter sido um falso positivo: o atleta havia passado duas vezes pelo mesmo tapete para tirar uma dúvida com o staff. O convidado também demonstrou como é tecnicamente viável alterar arquivos de dados de relógios para forjar treinos no Strava.

O impacto moral da trapaça e o prejuízo a atletas honestos

Os participantes refletiram sobre as consequências da desonestidade para a comunidade esportiva. Quando alguém trapaceia para conquistar índice ou pódio, tira a vaga legítima de um competidor que treinou duro e abriu mão da rotina familiar. Wagner Spadotto e Sérgio Magalhães pontuaram como atitudes desonestas no esporte mancham a reputação e a confiança pessoal e profissional do indivíduo perante seus pares.

Segunda chance e o papel educador de técnicos e assessorias

Ao discutir se atletas flagrados em fraudes ou doping merecem uma nova oportunidade, a bancada concordou que a punição não deve significar linchamento social definitivo. Roberto e os apresentadores defenderam que o trapaceiro precisa reconhecer o erro sem racionalizações. Para os treinadores, o episódio reforçou a importância do papel educador das assessorias esportivas no acolhimento, orientação ética e transmissão de valores.

Planos futuros do projeto e o golpe mais absurdo identificado

Roberto revelou que planeja expandir as auditorias internacionalmente por meio de seu canal em inglês, citando o recente contato do diretor da Maratona de Cali. Ele frisou que não pretende cobrar organizadores por auditorias para evitar conflitos de interesse. Como caso mais bizarro já visto, contou sobre um corredor que, para disfarçar o corte de trajeto no Strava, substituiu o mapa GPS padrão por uma imagem estática do mapa oficial da prova.

Momento Roda Presa: a quebra na Maratona de Nova York

No quadro final do programa, Roberto compartilhou seu momento de erro esportivo. Apesar de analisar métricas com precisão, ele admitiu que costuma largar forte demais em maratonas. O resultado foi uma quebra marcante na Maratona de Nova York de 2023, onde acabou caminhando nos quilômetros finais e mexendo no celular enquanto lamentava ter jogado fora meses de preparação com a assessoria.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma