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Álvaro José relembra momentos históricos dos Jogos Olímpicos

O narrador detalha os bastidores de Los Angeles 1984, o ouro de Joaquim Cruz e a mística do dia 6 de agosto.

Em conversa no Stemma Podcast, o narrador Álvaro José resgata memórias inesquecíveis da sua trajetória olímpica. Ele relembra os bastidores de Los Angeles 1984, a épica vitória de Joaquim Cruz nos 800 metros e as maratonas que marcaram a história.

A trajetória de Álvaro José como uma das maiores vozes do esporte olímpico no Brasil começou a ganhar contornos definitivos ainda no início dos anos 1980. Inicialmente escalado para transmissões de tênis que poucos queriam narrar, Álvaro assumiu o papel de curinga nas coberturas da Rede Bandeirantes até chegar aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, marco definitivo em sua carreira na narração esportiva.

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Os bastidores de Los Angeles 1984

Na equipe chefiada por Luciano do Valle em 1984, a Band competia com a forte cobertura de outras emissoras e precisava de agilidade. Álvaro José foi acionado para cobrir diversas frentes: narrou o bronze de Walter Carmona no judô e assumiu a cabine do atletismo a partir da segunda semana, transmitindo vitórias memoráveis como os 100 metros rasos de Carl Lewis e o domínio de Edwin Moses nos 400 metros com barreiras.

Álvaro José relembra momentos históricos dos Jogos Olímpicos

O ouro de Joaquim Cruz e o improviso com Hebe Camargo

No dia 6 de agosto de 1984, Joaquim Cruz conquistou a medalha de ouro nos 800 metros rasos com a marca cravada de 1min43s. A transmissão ocorreu no meio do programa de Hebe Camargo no Brasil. Pelo ponto eletrônico, Jô Soares, que coordenava a retaguarda técnica da emissora em São Paulo, soprou detalhes do vestido de Hebe para que Álvaro interagisse com ela direto do calor de 40 graus da Califórnia antes de abrir a prova.

Logo após narrar a conquista de Cruz no Estádio Olímpico e acompanhar a premiação entregue pelo Major Silvio de Magalhães Padilha, membro do COI, o narrador cruzou quase 80 quilômetros até Long Beach. Lá, acompanhou a vitória da seleção masculina de vôlei sobre os Estados Unidos por 3 a 0, fechando a noite em um jantar comemorativo no navio Queen Mary ao lado do mecenas esportivo Braguinha.

A emoção das maratonas olímpicas

Álvaro José também foi o narrador das duas maratonas em Los Angeles. Na primeira prova feminina da história dos Jogos, Joan Benoit venceu após operar o joelho oito meses antes, superando a favorita Grete Waitz e a portuguesa Rosa Mota. A chegada dramática da suíça Gabriele Andersen-Schiess, exausta pelo calor extremo, rendeu uma das frases mais lembradas do narrador: "O seu nome é Gabriele, mas poderia ser esperança".

Na maratona masculina, o português Carlos Lopes faturou o ouro estabelecendo o recorde olímpico da época. Álvaro recorda que Lopes havia treinado no calor de mais de 40 graus do deserto do Marrocos, o que lhe deu vantagem determinante para superar rivais de peso como o japonês Toshihiko Seko e o australiano Rob de Castella sob o clima seco de Los Angeles.

A mística do dia 6 de agosto na carreira

A data de 6 de agosto consolidou-se como um amuleto na carreira de Álvaro José. Além do ouro de Joaquim Cruz em 1984, o narrador esteve na cabine no dia 6 de agosto de 2012 para transmitir a consagração de Arthur Zanetti nas argolas em Londres. Quatro anos depois, na mesma data durante os Jogos do Rio 2016, narrou a eliminatória que abriu caminho para o ouro de Thiago Braz no salto com vara.

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