A verdadeira história da maratona e dos Jogos na Antiguidade
Álvaro José detalha a jornada real de Feidípedes e a presença de campeões olímpicos entre os 300 de Esparta.
Em participação no Stemma Podcast, Álvaro José desmonta o mito dos 40 km de Feidípedes e resgata as raízes dos Jogos Olímpicos na Grécia Antiga. Uma aula de história sobre como o esporte e a guerra moldaram a Antiguidade.
A imagem clássica do mensageiro grego que correu 40 quilômetros para anunciar uma vitória e caiu morto no destino final faz parte do imaginário popular da corrida de rua. Porém, os registros históricos mostram uma dimensão física e estratégica muito mais impressionante. Em participação no Stemma Podcast, o narrador e jornalista esportivo Álvaro José resgatou os fatos por trás da Batalha de Maratona e o papel central dos Jogos Olímpicos no mundo antigo.
O mito dos 40 km e a travessia real de Feidípedes
A Batalha de Maratona aconteceu em 490 a.C., quando o jovem general ateniense Milcíades liderou as tropas que venceram as forças persas. Naquele contexto, a missão do mensageiro Feidípedes esteve longe de ser um tiro curto de 40 quilômetros. Conforme relata o historiador Heródoto em sua obra clássica, o corredor partiu inicialmente rumo a Esparta, no Peloponeso, em busca de reforços.
Calculando o relevo e as trilhas da época — sem estradas pavimentadas —, foram cerca de 380 quilômetros de ida e outros 380 quilômetros de volta. Após completar esse trecho monumental, Feidípedes ainda combateu nas fileiras de Milcíades e, findo o combate, assumiu a corrida final até Atenas. O desespero da mensagem tinha motivo: caso os persas triunfassem, as mulheres atenienses haviam combinado o suicídio coletivo. Ao chegar com a notícia da vitória e gritar o triunfo grego, o mensageiro finalmente colapsou, somando mais de 800 quilômetros percorridos ao longo da campanha militar.
Quase 1.200 anos de Jogos e campeões nas Termópilas
Os Jogos Olímpicos da Antiguidade começaram oficialmente em 776 a.C. e se estenderam até 394 d.C., quando foram encerrados pelo imperador romano Teodósio. Foram quase doze séculos ininterruptos de celebração atlética que reuniam cidades-estado como Rodes e Crotona — terra do lendário lutador Milão de Crotona.
A relevância do evento era tamanha que se entrelaçava diretamente com as guerras do período. Na célebre Batalha das Termópilas, em 480 a.C., o rei Leônidas de Esparta selecionou cuidadosamente seus 300 guerreiros, priorizando homens casados e com descendentes. Entre eles, 19 já haviam sido coroados com os louros em Olímpia — o prêmio máximo da época, quando não existiam medalhas. Grande parte dos detalhes dessa resistência chegou à posteridade por meio dos próprios escribas persas, que registravam minuciosamente as batalhas de suas tropas.