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O diagnóstico aos 60 e a virada de Cleusa Uenaka nos estudos

Internada no HC com plaquetas baixas, Cleusa mudou o foco, concluiu o ensino médio e resgatou jovens antes do esporte.

Antes de inspirar milhares de corredores na maturidade, Cleusa Uenaka enfrentou um grave problema de saúde aos 60 anos. Ao retomar os estudos em um supletivo noturno, encontrou na transformação de dezenas de jovens o caminho para sua própria cura.

Muito antes de calçar os tênis de corrida aos 70 anos e se tornar uma referência de longevidade, Cleusa Uenaka viveu um dos momentos mais delicados de sua trajetória. Por volta dos 61 anos, recém-chegada de um período de perdas familiares após retornar do Japão, ela deu entrada no Hospital das Clínicas, em São Paulo, com um quadro grave: sua contagem de plaquetas havia despencado para 10.000 unidades.

Sem um diagnóstico fechado — embora a suspeita mais próxima fosse leucemia, já que seu organismo rejeitava glóbulos vermelhos —, Cleusa foi submetida a altas doses de corticoide. Em um quadro que hoje ela reconhece como depressão profunda, a permanência no leito hospitalar parecia não ter perspectiva de melhora até a intervenção inesperada de um estudante de medicina.

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O conselho no leito do hospital

Ao notar o sofrimento da paciente, o jovem interno sentou-se na cama para ouvir a história de vida de Cleusa nos meses anteriores. Diante do desabafo, deu um aviso enérgico: ou ela mudava o foco da sua mente, ou não sairia daquela cama. Em seguida, trouxe livros e revistas para que ela pudesse ocupar os pensamentos.

A resposta biológica foi rápida. Três dias após a leitura e a mudança de perspectiva, a contagem de plaquetas saltou de 10.000 para 60.000. O médico então concedeu a alta sob duas condições: retornos semanais para monitoramento do sangue e a promessa de que ela realizaria algo que a fizesse verdadeiramente feliz no passado. A orientação era clara: fechar a gaveta dos problemas que não dependiam dela e abrir a 'gaveta dos sonhos'.

O diagnóstico aos 60 e a virada de Cleusa Uenaka nos estudos

A volta à sala de aula no supletivo

Sem relatar a gravidade do quadro à família para poupá-los de mais sofrimento, Cleusa decidiu resgatar um sonho antigo: voltar a estudar. Havia mais de três décadas que ela havia concluído apenas o ginásio. Aos 60 anos, matriculou-se em uma escola pública noturna para cursar o supletivo do ensino médio, indo e voltando a pé todos os dias.

No ambiente escolar, onde era a aluna mais velha, Cleusa chamou a atenção para um grupo de rapazes que ficavam no pátio, afastados das aulas e envolvidos com drogas e álcool. Mesmo alertada por professores de que os jovens poderiam ser agressivos, ela decidiu se aproximar e conversar.

Doação, resgate e cura

Com pequenos gestos — presenteando cada um com lapiseiras quando aceitavam entrar na sala de aula, promovendo círculos de oração no intervalo e levando palestras de capacitação da empresa em que trabalhava —, Cleusa conseguiu engajar os estudantes. Ao longo de um ano e meio de curso, 28 jovens deixaram o pátio, retornaram aos estudos e foram encaminhados ao mercado de trabalho por meio de parcerias da escola.

A experiência transformadora selou também a recuperação física de Cleusa. Ao término do período, ela recebeu alta definitiva dos médicos, dispensando o uso de corticoides e as idas ao hospital. Para ela, a cura aconteceu quando ela se doou ao próximo, abrindo as portas para a postura ativa e o propósito que mais tarde levariam sua mensagem às pistas de corrida.

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