Como o neoprene funciona e os bastidores da Mormaii
Murillo Caldas explica a física do isolamento térmico na água e a fabricação própria em Garopaba.
Entenda como o neoprene realmente atua no isolamento térmico dentro d'água através de microbolhas de ar. Murillo Caldas detalha o processo de corte, a física da compressão e por que a Mormaii mantém sua fábrica ativa em Garopaba.
Muita gente veste uma roupa de borracha para nadar, surfar ou mergulhar sem ter ideia da física e da engenharia por trás daquele tecido. O processo de fabricação do neoprene começa com mantas espessas de borracha bruta que são fatiadas milimetricamente de acordo com a necessidade de cada esporte — variando de lâminas finas de 1 mm a 2 mm até mantas densas de 7 mm ou 9 mm, utilizadas em operações pesadas como o garimpo subaquático.
A física do isolamento térmico e a pressão na água
Existe um mito recorrente de que a roupa de borracha aquece ativamente o corpo. Na realidade, o neoprene não gera calor: quem faz o isolamento térmico é o ar preso dentro de microbolhas microscópicas na estrutura da borracha, bloqueando a troca de temperatura com o ambiente externo. Em modelos convencionais, uma fina lâmina de água entra na vestimenta, estabiliza e se mantém aquecida pela própria temperatura corporal do atleta.
A formulação da borracha muda drasticamente conforme a modalidade. Enquanto o surfe e a natação priorizam flexibilidade e elasticidade, o mergulho exige compostos de borracha muito mais resistentes. A 30 metros de profundidade, por exemplo, o corpo e o traje enfrentam cerca de quatro atmosferas de pressão. Sob essa força, as microbolhas sofrem uma compressão severa, e um blend inadequado de neoprene perde sua capacidade de expansão e isolamento ao retornar à superfície.
Produção própria em Garopaba e desenvolvimento real
Enquanto grande parte do mercado global recorre ao modelo de private label — escolhendo peças prontas em catálogos de fábricas asiáticas apenas para aplicar logotipos —, a Mormaii mantém sua confecção concentrada em Garopaba (SC), onde atua desde 1979. A decisão histórica de manter a fábrica no Brasil, preservada pelo fundador Morongo, visa garantir o impacto econômico e os empregos locais, além de assegurar controle direto sobre modelagens e costuras.
Na rotina industrial, um lote completo leva entre 10 e 15 dias da matéria-prima à roupa finalizada. Esse controle direto na fábrica permite testar protótipos na água, ajustar encontros de costura e validar modelos secos ou esportivos antes de chegarem aos atletas, garantindo que a evolução dos cortes responda às exigências reais de quem está dentro d'água.