Como a Mormaii desenvolve seus acessórios de natação
Dos testes com atletas olímpicos à produção da nadadeira Storm no Brasil, Murillo Caldas detalha os bastidores da marca.
Murillo Caldas revela como a divisão de natação da Mormaii nasceu e estruturou sua linha de acessórios de treino e prova. Em conversa no Natação Stemma, ele detalha o desenvolvimento de nadadeiras no Brasil, a produção de óculos e a parceria com nomes como Alan do Carmo e Leonardo de Deus.
Quando a divisão de natação da Mormaii começou a ser desenhada, por volta de 2009, o desafio inicial era traduzir a tradição da marca nos esportes aquáticos para as piscinas e travessias. Mais do que colocar um logotipo em produtos existentes, o projeto exigia criar um catálogo consistente para acompanhar a evolução da natação no Brasil, cobrindo desde quem está aprendendo a nadar até atletas de nível internacional.
Para validar e aprimorar os equipamentos, a estratégia passou pela aproximação direta com grandes nomes da modalidade. Em entrevista ao Natação Stemma, Murillo Caldas relembrou como o contato articulado pelo técnico Horácio Piroca abriu as portas para que Alan do Carmo testasse e selecionasse modelos de óculos até encontrar o encaixe ideal. A troca com atletas de ponta serviu como termômetro técnico para consolidar a linha de treino e competição, que hoje inclui palmares, snorkels frontais, nadadeiras e óculos.
A alquimia da nadadeira Storm e a produção nacional
Enquanto grande parte do mercado esportivo aposta na importação direta, a Mormaii optou por desenvolver e fabricar sua nadadeira de natação no Brasil. O processo, no entanto, exigiu rodadas sucessivas de ajustes técnicos. O primeiro protótipo utilizava um material mais rígido e plastificado — funcional para o bodyboard, mas inadequado para a batida de perna na natação, onde a rigidez excessiva sobrecarrega joelhos e tornozelos.
Para chegar ao ponto ideal, Murillo e a equipe técnica alteraram a composição dos materiais até tornar a pala mais flexível sem perder a propulsão. O modelo foi amplamente testado por treinadores no país até atingir a versão final da nadadeira Storm, produzida nacionalmente em versões monocromáticas e coloridas.
Desenvolvimento de óculos e o modelo LD200
No segmento de óculos de natação, a viabilidade de escala levou a marca a buscar fornecedores internacionais especializados. Para garantir padrão técnico e controle de desenvolvimento, o processo envolveu viagens diretas às fábricas para ajustar tiras, narigueiras e sistemas de vedação diretamente com os projetistas.
As preferências individuais dos atletas também moldaram produtos específicos. O nadador olímpico Leonardo de Deus, por exemplo, buscava um modelo de baixo perfil com encaixe direto na órbita ocular, sem as saias volumosas de silicone comuns em óculos recreativos. Essa demanda deu origem ao modelo LD200, testado intensamente pela equipe durante os treinos.
O processo de criação também incluiu aprendizados práticos sobre o mercado. Murillo destaca que tentar criar um óculos excessivamente genérico e 'multiuso' acabou se mostrando um erro no passado, já que o equipamento de natação exige especificidade anatômica e funcional para atender com precisão o atleta de alto rendimento ou o praticante amador.