Como a corrida de aventura moldou a base de Fernanda Maciel
Antes do trail running e dos recordes em alta montanha, a atleta mineira construiu seu endurance em provas de até 500 km.
A trajetória de Fernanda Maciel no esporte de resistência começou no auge da corrida de aventura brasileira nos anos 2000. Descubra como as provas longas e expedições na Serra do Cipó formaram a casca necessária para suas mais de duas décadas em ultramaratonas.
A trajetória de Fernanda Maciel no esporte de montanha começou muito antes dos recordes em ultramaratonas e cumes ao redor do mundo. Nos primeiros anos da década de 2000, durante o auge das corridas de aventura no Brasil, a atleta mineira descobriu na combinação de trilhas, rios e noites insones o laboratório que moldaria toda a sua carreira no endurance extremo.
A porta de entrada na Serra do Cipó
A estreia na modalidade aconteceu na Serra do Cipó, em Minas Gerais, através de uma competição exibida em um programa da TV Globo. A disputa envolvia corrida, mountain bike, canoagem, rapel e escalada. Após sua equipe vencer a fase coletiva inicial, Fernanda terminou a fase individual na segunda colocação geral e como a primeira mulher. A experiência despertou sua paixão pela exploração da Serra do Espinhaço e pelas montanhas mineiras.
O auge das equipes e o domínio nas trilhas
Com o destaque inicial, Fernanda rapidamente chamou a atenção do circuito nacional de corrida de aventura. Convidada para disputar uma prova em Campos do Jordão, sua vitória abriu caminho para integrar equipes de ponta, como Os Kalungas, de Brasília — com quem conquistou diversas vitórias em uma época de grandes premiações, incluindo carros e motocicletas —, e mais tarde a Equipe Atena, formada inteiramente por mulheres e integrada também por Shubi Guimarães.
Na dinâmica das equipes de aventura — que combinavam orientação por mapa, mountain bike, canoagem e técnicas verticais —, Fernanda se destacava pelo preparo físico e pela corrida muito acima da média. Por conta dessa facilidade no ritmo a pé, a equipe frequentemente aproveitava sua força colocando mais peso em sua mochila para aliviar os companheiros durante os trechos mais duros.
Uma escola de 500 km para o endurance
As expedições que chegavam a 500 km no mato foram a base fundamental para os mais de vinte anos que Fernanda soma dedicados às provas de ultra. Enfrentar frio intenso durante a noite, cruzar rios e gerenciar o desgaste físico por dias consecutivos criaram a casca necessária para encarar montanhas e projetos extremos em qualquer terreno.