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As origens de Fernanda Maciel: do tatame à corrida

Antes dos recordes em alta montanha, a ultramaratonista foi campeã de jiu-jitsu, ginasta de elite e corria para fugir do ônibus.

Fernanda Maciel relembra como a infância em Belo Horizonte moldou sua disciplina esportiva. Entre treinos de jiu-jitsu, ginástica olímpica e subidas íngremes no asfalto, a atleta construiu a base que a levaria ao topo do endurance mundial.

Antes de desbravar picos imponentes e acumular troféus no endurance mundial, Fernanda Maciel construiu uma bagagem esportiva intensa e diversificada nas ladeiras de Belo Horizonte. Em conversa com Shubi Guimarães no programa XTREMMA Sports, a ultramaratonista revisitou sua infância e adolescência, revelando que a mentalidade competitiva e a resistência física nasceram muito antes de suas primeiras trilhas.

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Uma infância entre ringues e tatames

A ligação de Fernanda com o esporte começou dentro de casa. Nascida em uma família com raízes em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, ela praticamente cresceu no tatame: seu avô foi parceiro de treino de Hélio Gracie, mantendo sacos de pancada nas árvores e ringues montados nos jardins das residências familiares. Sob a influência de um pai mestre de capoeira e praticante de taekwondo, e cercada por primos e irmãos judocas e faixas-pretas, Fernanda absorveu cedo os valores de respeito, coragem e superação das artes marciais, sagrando-se inclusive campeã brasileira de jiu-jitsu.

As origens de Fernanda Maciel: do tatame à corrida

A rotina de alto rendimento na ginástica olímpica

Aos oito anos, o foco esportivo se voltou para a ginástica olímpica. Aos nove, Fernanda já integrava a equipe de competição do tradicional Minas Tênis Clube, e aos dez viajou para Tallahassee, na Flórida, para aprimorar técnicas com treinadores norte-americanos. Essa fase introduziu uma rotina profissional ainda na infância, com quatro horas diárias de treino e acompanhamento contínuo de nutricionista e psicólogo.

Apesar dos títulos mineiros e pódios nacionais, Fernanda decidiu deixar a modalidade por volta dos 15 anos. Na época, a atleta sentia que sua trajetória na ginástica havia chegado ao teto e optou por canalizar sua energia de volta para a capoeira e o jiu-jitsu, esportes que reacendiam seu desejo por desafios competitivos.

Correndo para fugir do ônibus em Belo Horizonte

Curiosamente, a transição para a corrida não começou em pistas de atletismo ou provas estruturadas, mas sim como meio de transporte diário aos 16 anos. Para evitar o transporte público lotado da capital mineira e economizar a passagem, Fernanda ia e voltava correndo para a escola e para os treinos de capoeira na comunidade do Papagaio.

O trajeto diário somava cerca de quatro a cinco quilômetros na descida e a mesma distância morro acima no retorno — muitas vezes percorrido descalço ou com os calçados nas mãos. Essas ladeiras íngremes acabaram funcionando como um laboratório involuntário de potência e subida. Aos 18 anos, ela já disputava provas de 5 km, 10 km e meia maratona no asfalto, faturando premiações em sua categoria de idade.

A conexão enraizada com a natureza

Além do asfalto e dos tatames na cidade, o ambiente natural foi outro pilar determinante em sua formação. Nos finais de semana no sítio da família, cercada pela montanha, a rotina envolvia subir em árvores frutíferas e correr até cachoeiras, cultivando uma relação direta com o meio ambiente que mais tarde a levou a cursar Direito com foco ambiental — enquanto seu irmão seguiu para a Biologia.

Essa combinação precoce de disciplina técnica da ginástica, resiliência do jiu-jitsu e liberdade ao ar livre serviu de alicerce para que Fernanda Maciel se tornasse uma das figuras mais dominantes e consistentes do cenário internacional de corrida em montanha.

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