Gestão no terceiro setor exige múltiplas expertises
Sonia de Almeida detalha a transição da carreira corporativa para a Afesu e a rotina de gerir um custo de 10 milhões ao ano.
Em entrevista ao Marketing - The Podcast, Sonia de Almeida aborda as particularidades da administração no terceiro setor. Ela contrasta a estrutura corporativa com a gestão de ONGs e discute a busca por sustentabilidade financeira.
Sonia de Almeida, diretora-executiva da Afesu, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre a transição do mercado corporativo para o terceiro setor e as exigências práticas de administrar uma organização sem fins lucrativos. Com trajetória profissional de mais de 30 anos no segundo setor, Almeida sempre manteve ligação com o voluntariado e o ensino para adultos antes de assumir a liderança da entidade.
Para Almeida, a mudança de carreira representou o encontro de uma oportunidade de atuação com uma visão consolidada sobre o impacto do ensino. "A partir do momento que eu dou educação pra qualquer pessoa, eu tô dando pra ele a liberdade e as ferramentas necessárias pra ele alavancar, seja pessoalmente, seja profissionalmente", pontua. Aos 59 anos, ela relata que a ida para a instituição foi a forma encontrada de retribuir as facilidades e conquistas que acumulou ao longo da vida profissional. No vídeo acima, é possível acompanhar o relato detalhado e as nuances do diálogo completo.
A diferença entre a estrutura corporativa e a gestão de ONGs
Ao comparar a experiência em empresas convencionais com o cotidiano de uma organização social, Almeida destaca que o modelo operacional é bastante diferente. Enquanto em grandes companhias e órgãos com os quais trabalhou, como Sebrae e Camargo Corrêa, as demandas contavam com departamentos específicos de apoio, em uma entidade sem fins lucrativos a liderança precisa atuar de forma generalista.
"Se eu precisasse um de um trabalho de marketing, eu solicitava a área de marketing. Eu preciso de alguma coisa em questão financeira, eu chamava a área financeira e mostrava meu orçamento, eu tinha um orçamento a ser cumprido. Numa ONG não, né? Numa ONG, no fundo no fundo, você tem que ter várias expertises porque não é uma estrutura grande", explica Almeida. Ela começou como diretora de uma unidade da Afesu para entender a operação antes de passar a responder pela diretoria-executiva das três unidades da instituição.
Sustentabilidade financeira e o trabalho no terceiro setor
O equilíbrio das contas e a garantia de continuidade dos projetos constituem o principal desafio de gestão no terceiro setor. Almeida relata que a dedicação exigida pela entidade é contínua e demanda atenção constante aos recursos necessários para manter a estrutura em funcionamento pleno.
"Eu trabalho com orçamento de 10 milhões ano, custo de 10 milhões ano, né?", destaca Almeida ao mencionar a rotina focada em viabilizar as atividades da instituição. Segundo ela, apesar das restrições financeiras e da complexidade administrativa, a entrega social compensa o esforço: "Trabalhar com a educação é e levar determinadas ações pra uma população vulnerável que não tem tantas oportunidades, é mais gratificante ainda."