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Yana e Luca Glaser: a trajetória das irmãs até Kona

Pioneiras do triatlo em Curitiba relembram o início nos anos 90, a chegada conjunta no Havaí e o retorno com a maternidade.

Com mais de duas décadas dedicadas ao esporte, as irmãs Yana e Luca Glaser contam os bastidores da infância no triatlo paranaense, a travessia conjunta na linha de chegada em Kona e a volta aos treinos de endurance após os filhos.

O triatlo brasileiro no fim dos anos 1990 era um universo muito diferente do atual. Sem redes sociais, relógios com GPS avançado ou géis de absorção rápida, as irmãs curitibanas Luca Glaser e Yana Glaser começaram a desbravar a modalidade ainda crianças, numa época em que quase ninguém sabia direito o que significava juntar natação, ciclismo e corrida no mesmo dia.

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Raízes em Curitiba e a formação na base

A história começou em 1999 na extinta academia Aqua Center, sob incentivo do então presidente da Federação Paranaense, Edgar. Luca tinha 9 anos quando entrou na escolinha para praticar natação, mas logo se encantou pelo formato multiesporte. Três anos mais nova, Yana acompanhou a irmã nas competições e trocou as sapatilhas de balé pelo asfalto. Aos 12 anos, viajavam sozinhas de ônibus e avião pelo Brasil para disputar campeonatos infantojuvenis e pedalavam em rodovias movimentadas como a BR-277.

A rotina de formação esportiva levou ambas a experiências marcantes. Luca chegou a integrar o centro de treinamento da Confederação Brasileira de Triatlo na Barra do Jucu (ES), dividindo moradia com Pâmela Oliveira sob a supervisão do técnico Cata Preta, além de participar do projeto de vivência olímpica nos Jogos de Pequim 2008. Já Yana construiu carreira vitoriosa nas distâncias maiores, conquistando títulos nacionais e pan-americanos de Long Distance.

Yana e Luca Glaser: a trajetória das irmãs até Kona

A jornada até o Mundial de Kona e a chegada histórica juntas

A busca pela vaga no Campeonato Mundial de Ironman em Kona rendeu capítulos intensos. Em 2013, Luca garantiu sua primeira classificação para a ilha havaiana e completou a prova aos 22 anos, encarando os fortes ventos laterais de Hawi. Yana, por sua vez, superou contratempos médicos graves e provas duras — como o desgastante Ironman Muskoka, no Canadá — até confirmar seu índice.

O ápice da parceria veio em 2016, quando as duas largaram juntas no Mundial no Havaí. Após imprevistos mecânicos e furos de pneu no pedal, elas se encontraram na transição para a maratona. Correram os 42 km lado a lado, cruzando a famosa Finish Line abraçadas e vestindo o mesmo uniforme, registrando um dos momentos mais marcantes da história do triatlo feminino paranaense.

Da batata no papel-alumínio aos 120 g de carboidrato

A vivência com o alto rendimento impulsionou a trajetória profissional de ambas. Yana graduou-se em Nutrição Esportiva para entender as próprias demandas metabólicas e acompanhou a transição geracional das estratégias de prova. Se nos primeiros Ironmans o combustível incluía bisnaguinha com Nutella e purê de batata enrolado em papel-alumínio, hoje a literatura científica valida consumos de 90 g a 120 g de carboidrato por hora através de misturas otimizadas de glicose e frutose, além do ajuste fino de eletrólitos.

Luca, por sua vez, migrou para a comunicação e o marketing, fundando agência especializada no ecossistema esportivo e atendendo assessorias e eventos de rua em âmbito nacional.

Maternidade e o retorno às provas

Depois de alcançarem marcas expressivas — incluindo um sub-10 h de Luca no Ironman Brasil 2017 (9h49) —, as irmãs pausaram a rotina de alto volume para a chegada dos filhos. Luca é mãe de Maíra e Enrico; Yana é mãe de Nina e Joaquim.

A pausa, no entanto, não encerrou a relação com o endurance. Morando em Portugal, Yana retornou às competições no Ironman 70.3 Cascais e carimbou sua vaga para o Mundial de 70.3 em Nice. Já Luca voltou ao start list em casa, com a estreia do Ironman 70.3 Curitiba no Parque Barigui, consolidando um ciclo de longevidade que atravessa mais de duas décadas e meia no esporte.

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