Ultra do Rio Itanhaém: bastidores e números da prova de 15 km
Com 350 inscritos e maré desafiadora, Samir Barel e Wanderley Santos analisam os detalhes técnicos da 8ª edição.
A 8ª edição da Ultramaratona Aquática do Rio Itanhaém reuniu centenas de nadadores em um percurso de 15 km com maré técnica e sol forte. Os organizadores e treinadores Samir Barel e Wanderley Santos abriram os números oficiais, bastidores de segurança e critérios de avaliação de desempenho.
Nadar uma ultramaratona aquática de 15 km em rio exige muito mais do que braçadas constantes: envolve leitura de correnteza, estratégia de alimentação e adaptação a variáveis imprevisíveis. Na 8ª edição da Ultramaratona Aquática do Rio Itanhaém, mais de 300 atletas encararam o trajeto em um dia que exigiu paciência tática dos nadadores e precisão cirúrgica da equipe de organização.
Como avaliar o desempenho em águas abertas
Uma das principais discussões após a prova girou em torno dos tempos registrados no relógio. Com condições de maré mais lentas do que nos treinos simulados semanas antes, muitos atletas finalizaram com parciais mais altas. Em provas de águas abertas, no entanto, o tempo bruto do GPS raramente reflete o nível real de nado, já que a intensidade da corrente varia de hora em hora.
Para medir a evolução real sem se prender ao cronômetro, a orientação técnica envolve quatro referências comparativas: a diferença percentual para o primeiro colocado geral, a distância para o campeão da própria categoria, a comparação com um atleta de ritmo similar presente em várias edições e a variação histórica entre os tempos da mesma prova de um ano para o outro. Quando o ritmo médio geral sobe por força da natureza, manter a diferença para os ponteiros indica ganho de eficiência.
Resultados e destaques nos 15 km
No masculino, a vitória geral ficou com Lebais, que completou o percurso em 2h53min, seguido de perto por Guilherme Zampieri (2h54min) e João Pedro (2h56min). No feminino, Valentine Pereira garantiu o título geral com 3h27min04s, com Talita Ade (3h31min) em segundo e Amanda (3h33min) em terceiro lugar.
Uma curiosidade da edição foi o desempenho dos campeões individuais em relação às equipes: tanto o primeiro colocado masculino quanto a primeira colocada feminina cruzaram a linha de chegada antes do revezamento mais rápido, o trio GTF (Guto, Taíse e Fabinho), bicampeão da categoria com o tempo de 3h47min. O tempo médio geral da prova ficou em 4h15min, e o último atleta completou o trajeto em 5h50min, dentro do limite de corte de 6 horas.
Logística de largada e o desafio da maré
Nos bastidores operacionais, a organização precisou redesenhar a área de largada após interdições preventivas no píer do Sesc. Com solo encharcado pelas chuvas da véspera, foi criada uma rotatória de embarque rápido para caiaques e atletas, além da liberação de um galpão coberto para acomodar os familiares.
A decisão de largar pontualmente às 11h00 foi determinada pela combinação entre tábua de marés e segurança náutica. Com a virada da maré prevista para o início da tarde e o pôr do sol próximo das 17h30, postergar a largada colocaria os atletas mais lentos nadando contra uma correnteza severa na entrada do canal ou finalizando o percurso sem luz natural.
Impacto econômico e a força do voluntariado
Ao todo, a prova movimentou cerca de 4.155 km nadados somando todos os participantes individuais e revezamentos, registrando um índice de conclusão superior a 90%. As faixas etárias mais disputadas foram as categorias Master E (45+), tanto entre os homens quanto entre as mulheres.
Além do aspecto esportivo, o evento reuniu um público estimado em 1.600 pessoas, gerando uma movimentação superior a R$ 300 mil no comércio, gastronomia, hotelaria e contratação de barqueiros locais. Outro pilar essencial foi o retorno do corpo de voluntários em parceria com a Swim House, integrando atletas experientes no suporte aos barcos de resgate e pontos de transição.