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Sono e cannabis medicinal no esporte com Dr. Roberto Beck

O médico explica como a recuperação do sono e o uso de canabinoides atuam na imunidade e no rendimento de atletas.

No Stemma Performance, a triatleta Bruna Mahn recebe o médico Dr. Roberto Beck para debater a fisiologia do sono em atletas de endurance. A conversa aborda o monitoramento por métricas, prevenção de infecções respiratórias e o papel terapêutico da cannabis medicinal.

O sono é um dos pilares centrais da imunidade e da adaptação fisiológica, ao lado da nutrição balanceada e do controle de carga nos treinos. No Stemma Performance, a triatleta Bruna Mahn recebeu o médico otorrinolaringologista Dr. Roberto Beck, da Care Club, para analisar os impactos da privação de descanso no desempenho esportivo e as novas abordagens terapêuticas que auxiliam na recuperação de atletas, incluindo o uso da cannabis medicinal.

Segundo o Dr. Roberto Beck, os primeiros reflexos de noites mal dormidas surgem na perda de foco, falhas de memória e queda na capacidade neuromuscular durante treinos intervalados ou longos. Em médio e longo prazo, a negligência contínua com o descanso debilita o sistema imunológico, abrindo espaço para quadros infecciosos frequentes, como gripes e sinusites.

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Quantidade, qualidade e o papel dos wearables

A literatura médica aponta uma faixa ideal entre 7 e 9 horas diárias de sono para a maioria dos adultos, mas a qualidade do descanso é determinante. Dormir 6 horas contínuas em sono profundo traz maior recuperação do que permanecer 9 horas na cama após o consumo de álcool, que fragmenta os ciclos neurológicos e eleva despertares noturnos. Quando a rotina diária restringe o tempo noturno, cochilos curtos entre 30 e 40 minutos (os chamados power naps) funcionam como uma ferramenta reparadora comprovada.

Os dispositivos vestíveis (wearables) auxiliam na triagem diária ao cruzar variáveis como variabilidade da frequência cardíaca (HRV), temperatura corporal, movimentação e tempo total. O especialista alerta que os dados desses aparelhos devem servir como alerta e parâmetro de diálogo com o treinador para ajustes de intensidade, sem se tornarem fonte de ansiedade. O diagnóstico clínico definitivo de distúrbios respiratórios ou estruturais do sono segue dependendo da polissonografia laboratorial.

Sono e cannabis medicinal no esporte com Dr. Roberto Beck

Imunidade e a prevenção de infecções respiratórias

No endurance, o término de ciclos intensos de treinamento — como a preparação para maratonas e provas de Ironman — coincide com uma janela de vulnerabilidade imunológica. É comum que atletas desenvolvam crises de sinusite e infecções das vias aéreas superiores logo após a prova, fruto da exaustão acumulada ao longo de meses.

A medicina do esporte moderna prioriza a prevenção em vez do tratamento curativo tardio. Ajustar a respiração, corrigir desvios anatômicos como o septo nasal e modular a carga antes que o corpo adoeça evita interrupções abruptas com uso de antibióticos a poucas semanas do evento principal.

Cannabis medicinal: canabinoides e controle antidoping

Além das medidas tradicionais de higiene do sono — como redução de telas e refeições mais leves à noite —, a medicina tem recorrido a fitocanabinoides para tratar insônias resistentes e dores crônicas. A planta possui mais de 180 compostos ativos, entre eles o CBD (canabidiol), o CBN (canabinol, metabólito conhecido pelo efeito sedativo) e o THC (tetra-hidrocanabinol).

No contexto esportivo, as regras antidoping exigem atenção rigorosa. A Agência Mundial Antidoping (WADA) permite exclusivamente o uso do CBD isolado, enquanto o THC permanece proibido em competição. Para garantir segurança jurídica e ausência de contaminação cruzada, o produto deve conter o Certificado de Análise (COA) atestando concentração zero de THC e passar pelos trâmites formais de importação e autorização da Anvisa.

Sistema endocanabinoide e ajuste individual de dose

O corpo humano possui o sistema endocanabinoide, responsável por regular diversas funções biológicas por meio de substâncias produzidas pelo próprio organismo, como o 2-AG e a anandamida. O uso dos fitocanabinoides atua como uma suplementação temporária desses receptores (CB1 e CB2), permitindo um protocolo de desmame e retirada gradual após a estabilização do quadro clínico.

A resposta aos canabinoides é altamente individual. A dosagem é titulada progressivamente a partir de doses mínimas até atingir o efeito terapêutico desejado, acompanhada de perto pelo médico. Embora existam testes genéticos capazes de avaliar a taxa de absorção e tolerância a canabinoides, seu alto custo financeiro ainda restringe a aplicação rotineira na prática clínica.

Recuperação muscular e o papel da dor adaptativa

O efeito anti-inflamatório do CBD difere dos anti-inflamatórios não esteroides convencionais: ele auxilia na depuração de metabólitos e na redução de citocinas inflamatórias sem neutralizar por completo o estresse muscular necessário para as adaptações do treinamento. A dor muscular tardia controlada é parte do processo de evolução física e sinal de alerta contra sobrecargas excessivas.

A condução desse equilíbrio exige uma abordagem integrada entre médico, nutricionista, fisioterapeuta e treinador, garantindo que a rotina de descanso, suplementação e treinos esteja alinhada aos objetivos do atleta com sustentabilidade e saúde.

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