Shubi Guimarães encara o triatlo extremo aos 50 anos
Pioneira das corridas de aventura conta como aliou a pedagogia ao esporte outdoor e detalha a preparação para o Swimman.
Com mais de duas décadas dedicadas ao esporte de aventura, Silvia “Shubi” Guimarães relembra sua trajetória e a fundação da equipe Atenah. Agora, aos 50 anos, a atleta encara um novo desafio no Swimman, na Suécia, aliando a escuta do próprio corpo ao treino por métricas.
A relação de Silvia “Shubi” Guimarães com o movimento começou muito antes das expedições por lugares remotos do planeta. A bicicleta sempre foi sua ferramenta primária de exploração e autonomia pelas ruas de São Paulo. Mais tarde, com a formação em pedagogia somada ao surgimento das primeiras provas de corrida de aventura no Brasil no fim dos anos 1990, Shubi percebeu que a natureza funcionava como uma sala de aula incomparável, capaz de moldar caráter, empatia e autocontrole.
A bicicleta e a educação ao ar livre
Com quase duas décadas à frente de acampamentos de aventura no interior paulista, Shubi aplica a pedagogia outdoor para desenvolver a autoconfiança de crianças e jovens. Para ela, o aprendizado sobre duas rodas simboliza poder e liberdade, ensinando desde a pilotagem básica e a frenagem até a lidar com frustrações e pequenos tombos. Uma de suas máximas recorrentes resume essa postura diante do aprendizado: cada ralado é encarado como uma medalha de quem se dispôs a tentar.
A experiência como educadora também evidencia o impacto da superproteção parental. Shubi destaca que o excesso de zelo muitas vezes limita a autonomia dos mais novos. Nos programas que integram pais e filhos, o desafio é justamente permitir que as crianças experimentem o desconforto e descubram seus próprios limites sem a interferência constante dos adultos.
Duas décadas no limite da corrida de aventura
Como atleta e capitã da histórica equipe feminina Atenah, Shubi construiu uma carreira sólida competindo nas provas multiesportivas mais duras do circuito internacional. Ao longo dos anos, encarou desafios que exigiam muito além do trio tradicional de mountain bike, trekking e canoagem — incluindo trechos de patins em linha na Suécia, navegação à vela em alto-mar e travessias técnicas sobre glaciares com crampons e piquetas em montanhas do Quirguistão e da Patagônia.
Além de competir, Shubi levou essa bagagem para os bastidores dos eventos outdoor. Em 2015, foi responsável por desenhar e coordenar a logística de um percurso de 700 km no Pantanal para o circuito mundial de corrida de aventura, administrando uma operação complexa em áreas completamente isoladas e sem energia elétrica.
O desafio do Swimman e a chegada das métricas
Ao completar 50 anos em excelente forma física, Shubi decidiu voltar ao universo das provas de longa distância ao aceitar o convite para o Swimman, etapa sueca do circuito Extreme Triathlon (Xtri World Tour). O percurso extremo soma 3.800 metros de natação em águas frias, 205 km de ciclismo com 2.750 metros de altimetria acumulada e 43 km de corrida em trilha — com a obrigatoriedade de um suporte correndo junto nos 25 km finais.
Historicamente adepta do treino baseado puramente na percepção de esforço, a atleta vive agora uma transição técnica sob a orientação de Wagner Spadotto. O acompanhamento com potenciômetro, planilhas e zonas de treino tem servido para lapidar a potência e dosar o desgaste muscular e neural, unindo a sensibilidade corporal construída em 20 anos de expedições ao rigor da ciência esportiva moderna.