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Pietra Palma: quando a corrida muda de lugar na rotina

Criadora compartilha lições sobre lesões, cobrança nas redes sociais e a redescoberta do esporte por puro bem-estar.

Em conversa sincera no Girls Who Run, Pietra Palma reflete sobre a transição de corredora focada em metas para uma relação livre de cobranças. O diálogo aborda o risco de atrelar a identidade à performance, o impacto das lesões e o valor de respeitar as próprias fases.

Começar na corrida costuma despertar um entusiasmo avassalador. Entre as primeiras metas batidas, a evolução gradual de distância e a endorfina diária, é fácil transformar os treinos no centro gravitacional da vida. No entanto, o corpo e a rotina mudam com o passar dos anos. Em bate-papo no Girls Who Run com Mariana Real e Marcela Fontes, Pietra Palma abriu o jogo sobre a jornada de quem começou compartilhando os passos de iniciante na internet, chegou aos 21 km e precisou aprender a tirar o pé do acelerador para construir uma relação mais saudável e madura com o esporte.

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Do primeiro trote aos 21 km: o início e o boom nas redes

A história de Pietra com a corrida começou por inspiração paterna e ganhou tração na esteira do prédio. Ao alternar caminhada e trote para completar 3 km em cerca de 40 minutos, ela encontrou uma sensação inédita de bem-estar. Decidiu documentar o processo do zero nas redes sociais, desde as primeiras dificuldades até a evolução estruturada com assessoria esportiva. Essa transparência atraiu uma comunidade que se sentia distante dos perfis focados em paces velozes e distâncias extremas.

A progressão veio naturalmente: os primeiros 5 km e 10 km abriram caminho para a preparação da Meia Maratona do Rio. O ciclo de treinos foi consistente, mas a reta final cobrou seu preço com uma lesão no pé. A prova foi concluída com superação, mas o esforço desencadeou uma sequência de compensações biomecânicas no quadril e no glúteo, mostrando os limites do corpo frente ao aumento de volume.

Pietra Palma: quando a corrida muda de lugar na rotina

O perigo da comparação e a armadilha da identidade

Com o crescimento nas redes e a corrida atrelada ao trabalho de criação de conteúdo, o período de afastamento trouxe um desafio emocional. Ficar longe dos treinos gerava ansiedade pelo medo de perder engajamento ou de se afastar do nicho. Pietra relembra que, muitas vezes, apressou retornos antes da recuperação completa apenas para produzir novos vídeos ou participar de eventos.

A conversa levantou um debate importante sobre a cultura de sobrecarga no esporte amador. A busca incessante por calendários lotados de provas e a comparação constante alimentada pelas redes criam um ambiente propício ao burnout esportivo. Quando a corrida passa a ser a única identidade de uma pessoa, qualquer necessidade de pausa parece um retrocesso, afastando o atleta do convívio social e do prazer original da prática.

A linha do tempo de Natal e a maturidade no pace

Para ilustrar como sua mentalidade se transformou, Pietra compartilhou a tradição anual de correr no dia 25 de dezembro com o pai. Em 2022, sem relógio ou preocupação métrica, a corrida foi pura alegria. Em 2023, já imersa em cobranças de rendimento, o treino em um percurso com subidas sob calor intenso gerou frustração desnecessária por falta de maturidade para aceitar o momento.

A virada de chave ficou clara nos anos seguintes. Em 2024 e 2025, a atividade voltou a ser um momento de conexão afetiva, sem metas de velocidade, alternando corrida e caminhada conforme o batimento cardíaco exigia. A corrida deixou de ser uma régua de autoafirmação para voltar a ser um espaço de leveza e convivência.

Redescobrindo o movimento além da planilha

Após enfrentar novas pausas forçadas, incluindo uma lesão na costela e a fase intensa dos preparativos de casamento, Pietra encontrou equilíbrio ao diversificar suas práticas. A musculação deixou de ser apenas uma obrigação de fortalecimento preventivo, e atividades como ioga voltaram a ocupar um espaço relevante na rotina de bem-estar.

Hoje, a corrida segue presente em treinos intervalados na esteira ou em trotes despretensiosos quando surge a vontade de descarregar a energia acumulada. A lição que fica é direta: o esporte deve somar à rotina e servir à saúde física e mental, sem a obrigação de seguir padrões externos de performance quando a fase de vida pede outro ritmo.

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