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Peso Ideal no Endurance: Dr. Cosenza Desmistifica o Mito do 'Mais Leve'

O endocrinologista e atleta Gustavo Cosenza revela por que buscar o menor peso pode sabotar sua saúde e rendimento nos esportes.

A busca obsessiva pelo peso ideal pode ser contraproducente para atletas de endurance. Dr. Gustavo Cosenza, convidado do Café com Tri, explica a importância de focar na composição corporal e desmistifica o lema "quanto mais leve, melhor". Entenda os riscos do emagrecimento extremo e como otimizar sua nutrição e treino para alta performance.

No podcast Café com Tri, os anfitriões Sérgio Magalhães, Beto Nitrini e Wagner Spadotto receberam o Dr. Gustavo Cosenza, médico endocrinologista, especialista em medicina esportiva e nutrologia, além de ultramaratonista e triatleta. O tema central foi a complexa relação entre o peso corporal e a performance em esportes de endurance, desmistificando a ideia de que "quanto mais leve, melhor".

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Desvendando o Peso Ideal para Atletas de Endurance

A crença de que atletas precisam ser o mais leve possível para otimizar o rendimento é um mito que, muitas vezes, leva a resultados negativos. Dr. Cosenza enfatiza que o foco deve ser na composição corporal: perder gordura e, idealmente, manter ou até ganhar massa muscular. Ele utiliza ferramentas como densitometria e bioimpedância para monitorar essa composição, ajustando o acompanhamento de forma individualizada.

Um nutrólogo, como Dr. Cosenza, possui uma visão médica mais abrangente que a de um nutricionista, podendo diagnosticar e tratar doenças relacionadas à alimentação, além de prescrever medicamentos. Essa abordagem integrada é crucial para atletas de alta performance, que frequentemente enfrentam desafios complexos de saúde e rendimento.

Peso Ideal no Endurance: Dr. Cosenza Desmistifica o Mito do 'Mais Leve'

Os Riscos do Emagrecimento Extremo e a Performance

A busca incessante por um peso muito baixo pode levar a uma série de problemas. Dr. Cosenza observa que, em vez de melhorar, a performance pode cair drasticamente. Atletas podem começar a perder massa muscular, ganhar gordura e, consequentemente, apresentar lesões frequentes, fadiga, distúrbios do sono, baixa libido e alterações hormonais. Isso é conhecido como REDS (Deficiência Energética Relativa no Esporte), que afeta tanto homens quanto mulheres.

Mulheres atletas, especialmente aquelas que praticam natação (esporte de baixo impacto), são particularmente vulneráveis à osteopenia e até osteoporose precoce, devido à baixa carga óssea e desequilíbrios hormonais causados pelo REDS. O exemplo do triatleta Kristian Blummenfelt ilustra que o estereótipo do atleta "magrelo" não é o único caminho para o sucesso, demonstrando que força e massa muscular bem trabalhadas podem levar a resultados impressionantes. A individualização é a chave: não existe um percentual de gordura "mágico" que se aplique a todos.

A periodização é fundamental. A fase de emagrecimento mais intensa deve ocorrer no início do ciclo de treinamento ou na baixa temporada. Próximo a competições importantes, como o Ironman Brasil, a prioridade deve ser a recuperação e a manutenção da performance, evitando déficits calóricos severos que podem comprometer o rendimento.

Estratégias Nutricionais e o Combustível do Atleta

Embora o déficit calórico seja indispensável para a perda de gordura, a qualidade dos alimentos e o timing da ingestão são igualmente cruciais para atletas. A janela metabólica pós-treino é um período vital para a recuperação, onde o consumo imediato de carboidratos é essencial para repor o glicogênio e preparar o corpo para a próxima sessão de treino de qualidade.

As recomendações de ingestão de carboidratos durante provas longas têm evoluído, passando de 60g/hora para 90g/hora, e até 120-180g/hora para atletas de elite que treinam o intestino para absorver maiores quantidades. Atletas com mais massa muscular também se beneficiam de maior capacidade de estocar glicogênio, funcionando como um "tanque maior" de energia.

O jejum intermitente pode ser uma estratégia para perda de peso e adaptação metabólica para queima de gordura em treinos de baixa intensidade. Contudo, não é recomendado para treinos de alta intensidade ou para otimizar a performance em competições, pois a gordura não é o combustível mais eficiente para esforços máximos. O corpo sempre usa uma combinação de glicose e gordura, mas em alta intensidade, a demanda por glicose se torna predominante.

Eletrólitos e as Novas Soluções Farmacológicas

A necessidade de eletrólitos aumenta significativamente em treinos e provas longas, especialmente em ambientes quentes ou com alta sudorese. É crucial individualizar o consumo de sódio, pois cada atleta tem uma taxa de perda diferente. A hiper hidratação e o consumo excessivo sem necessidade podem levar a hiponatremia ou hipernatremia, condições perigosas. Dr. Cosenza adverte contra o hype da indústria, ressaltando que eletrólitos são importantes, mas não para consumo indiscriminado.

O episódio também abordou as novas medicações para emagrecimento como Ozempic, Monjaro e Wegovy, e a futura Retatrutida (apelidada de "Godzilla"). Essas substâncias são ferramentas poderosas para indivíduos com indicação médica clara, como obesidade, diabetes e outras questões metabólicas, oferecendo excelentes resultados com menos efeitos colaterais em comparação a medicamentos antigos. No entanto, não são indicadas para atletas que buscam uma pequena perda de peso por estética, devido a riscos e potencial impacto na performance. Algumas dessas substâncias, ou seus análogos, estão sob monitoramento ou já são consideradas doping no esporte de alto rendimento.

Em suma, a busca pelo peso ideal no esporte de endurance transcende a simples redução numérica na balança. É um processo complexo que exige um olhar individualizado, com foco na composição corporal, nutrição inteligente e estratégias de treino bem planejadas, sempre com a saúde do atleta em primeiro lugar.

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