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Pâmella Oliveira: A 'Última Dança' no Ironman Brasil

A tetra campeã compartilha os bastidores emocionais de sua despedida do full Ironman e sua visão sobre a prova.

Em uma entrevista exclusiva com Fabio Bessa e Thiago Kawamura da Stemma Sports, Pâmella Oliveira revela os desafios mentais e físicos que a levaram a decidir pela 'última dança' no Ironman Brasil. Ela comenta sobre a preparação, a repercussão de sua decisão e suas expectativas para a prova. Um olhar íntimo sobre a trajetória de uma campeã.

O Nubank Ultravioleta Ironman Brasil foi palco de um momento histórico para o triatlo nacional, marcando a despedida de uma das suas maiores lendas: Pâmella Oliveira. Em conversa com Fabio Bessa e Thiago Kawamura da Stemma Sports, a tetra campeã abriu o coração sobre a sua decisão de fazer desta a sua "última dança" em provas de Ironman full, os desafios da preparação e as emoções de competir em um dos eventos mais exigentes do esporte.

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A Coragem de um Ponto Final

A decisão de encerrar sua jornada no Ironman full não foi tomada da noite para o dia. Pâmella descreve a preparação para este ano como "conturbada", com doenças e um grande desgaste mental. Essa carga, acumulada ao longo de uma carreira profissional que começou muito cedo, a levou a um ponto de inflexão. "Eu fui atleta profissional desde muito cedo, muito nova. Eu tô nessa vida faz muito tempo, então, com certeza, isso não é algo de agora e nem de poucos anos. Realmente é uma carga que vai vindo durante muitos, muitos anos", explica.

Para Pâmella, a necessidade de "dar um ponto final" não era apenas um aviso ao público, mas principalmente um símbolo pessoal de transição. Ela queria aproveitar a prova de uma maneira diferente, mais leve, focada nas sensações e emoções, sem a pressão do perfeccionismo que sempre a acompanhou. A atleta revela que não consegue "fazer muito na brincadeira" e a cobrança constante por excelência estava se tornando prejudicial à sua saúde mental. "Eu não aceitava só vir participar", afirma, ressaltando a importância de não esperar a completa exaustão para tomar uma decisão como essa.

Pâmella Oliveira: A 'Última Dança' no Ironman Brasil

Preparação e Expectativas para a Despedida

Mesmo com a decisão de encerramento, Pâmella Oliveira não diminuiu o foco. Ela admite que não se sentia tão forte na natação e no ciclismo, mas destaca que sua corrida estava "bem boa". A esperança era conseguir a sua melhor corrida em um Ironman Brasil na despedida. A prova, para ela, seria mais sobre sentimentos e sensações do que sobre números, aproveitando a vasta bagagem de anos de experiência.

Sobre o start list do Ironman Brasil, Pâmella demonstrou grande satisfação. "Eu acho que foi o start list que eu esperei todos esses anos", diz, feliz por ver mais mulheres, especialmente estrangeiras, competindo. A presença de um campo forte de atletas torna a prova mais dinâmica e interessante, tanto para os competidores quanto para o público.

Nos dias que antecedem a prova, Pâmella mantém uma rotina focada, mas sem a tensão excessiva. Ela treina de forma leve, focando em natação e alongamento, e realiza uma pequena ativação no dia anterior, "para lembrar o corpo que tem que nadar, pedalar e correr, mas tudo bem, bem rápido, nada demais".

Legado e Conselhos para a Nova Geração

Ao ser questionada sobre sonhos não realizados no triatlo, Pâmella expressa um profundo senso de realização. Tendo migrado da natação para o triatlo e alcançado os Jogos Olímpicos e Pan-Americanos, ela considera tudo que veio depois como "lucro" e "prorrogação", incluindo a participação em Kona. Apenas algumas provas como Roth ou Texas ficaram de fora por priorizar o Ironman Brasil.

Para quem está começando no triatlo, seu conselho é claro: "Começa por um super sprint". Ela enfatiza a importância de evoluir aos poucos, curtindo cada etapa e conquista. "Esse negócio também de querer ir direto para o último patamar, né, por exemplo, um Ironman, é bem difícil, porque muita gente, às vezes, começa pelo Ironman e larga e nunca mais faz nada", alerta, incentivando a curtir o esporte como um hobby, com calma, dada a vasta gama de provas disponíveis.

A entrevista se encerra com um toque de bom humor, com Pâmella revelando que sua música para a "dancinha" na linha de chegada seria uma "dancinha dos jovenzinhos", algo no estilo TikTok, mostrando sua leveza e alegria mesmo em um momento tão significativo.

A trajetória de Pâmella Oliveira é um testemunho de dedicação e paixão. Sua decisão de se despedir do Ironman full reflete a maturidade de uma atleta que sabe a hora de redefinir prioridades, inspirando não apenas pela sua performance, mas também pela sua autenticidade e coragem em buscar a felicidade além das pistas e pódios.

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