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Oseias Matoso e a cultura do café no ciclismo paulistano

Fundador do Coffee Run Bike conta como uniu café especial, pedal e comunidade na ciclovia do Rio Pinheiros.

Conheça a trajetória de Oseias Matoso, criador do Coffee Run Bike na ciclovia do Rio Pinheiros. O empreendedor detalha a ligação entre café especial e esporte, a divisão dos grãos por zonas de treino e a força da comunidade ciclística.

A relação entre café e ciclismo vai muito além da dose de cafeína antes do treino: envolve resenha, pausa na rotina e conexão entre atletas de diferentes níveis. Em conversa no Na Roda do Stemma, com apresentação de Gisele Gasparotto, Oseias Matoso, fundador do Coffee Run Bike, relembrou sua trajetória desde a saída de Santa Catarina até a criação do ponto de encontro que virou referência na ciclovia do Rio Pinheiros, em São Paulo.

Formado em Teologia e com passagem acadêmica pela Filosofia, Oseias chegou a São Paulo em 2007 utilizando a bicicleta apenas para locomoção urbana. Aos poucos, mergulhou no ciclismo de estrada, no duatlo e na corrida. Em 2016, veio a virada de chave sensorial com os cafés especiais, dando origem à ideia de criar um negócio pensado diretamente para o público esportivo.

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Da bike itinerante ao container na ciclovia

A operação do Coffee Run Bike começou oficialmente em 3 de agosto de 2020, em plena pandemia. Inicialmente concebida para funcionar na USP, a iniciativa encontrou espaço na ciclovia do Rio Pinheiros durante o processo de revitalização do local, sob gestão de Michel Farah. O projeto começou modesto, com uma bicicleta cargueira adaptada e uma tenda móvel na altura da estação Cidade Universitária, antes de evoluir para a estrutura fixa em container.

Para Oseias, o diferencial desde o primeiro momento foi a aposta exclusiva em cafés especiais brasileiros de pequenos produtores e microtorrefações, recusando propostas comerciais que limitassem a variedade do cardápio. A proposta foi aproximar o grão de alta qualidade do atleta no próprio ambiente de treino, sem a necessidade de deslocamentos adicionais após o giro matinal.

Oseias Matoso e a cultura do café no ciclismo paulistano

Grãos classificados por zonas de treinamento

Para facilitar a identificação sensorial do público esportivo sem criar barreiras entre modalidades, Oseias batizou sua linha de grãos de acordo com as zonas de intensidade do treinamento físico, do Z0 ao Z5.

A escala começa no Z0 (descafeinado por processo natural), passa por perfis clássicos e achocolatados no Z1 e Z2, chega ao Z3 com doçura evidente de baunilha ou algodão doce, e atinge maior complexidade no Z4 (equilíbrio entre acidez e notas frutadas) e Z5 (grãos fermentados pós-colheita com acidez marcante). Na extração, Oseias defende a simplicidade: mais importante do que métodos específicos, como a prensa Aeropress ou o coador tradicional, é a procedência e a qualidade da matéria-prima.

Comunidade, conexões e 400 km na ciclovia

Além de cafeteria, o espaço se consolidou como polo de networking e ação social. O local mantém caixas permanentes de doação de roupas de ciclismo para repasse a atletas que precisam de equipamento e serviu de berço para novos projetos, como os giros matinais do Gravel Coffee, que exploram os trechos de terra e as margens estendidas da ciclovia às sextas-feiras.

A vivência intensa na pista também gerou marcas pessoais: Oseias já completou um desafio solitário de 400 km ininterruptos dentro da própria ciclovia, totalizando cerca de 14 horas sobre a bike para promover o espaço. Atualmente com foco na preparação para a Maratona de Porto Alegre, ele mantém a rotina de abastecimento e entregas sobre duas rodas, reforçando a premissa de que a bike e o café seguem como estilo de vida inegociável.

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