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Mundiais de IRONMAN: Eduardo Braz analisa Kona e Nice

Head coach da EBTT detalha os desafios técnicos do ciclismo europeu, a mística havaiana e a formação de base no triatlo.

Em bate-papo no Café com Tri, Eduardo Braz compara as exigências de Kona e Nice, aponta onde os atletas erram no ritmo de prova e discute o futuro da longa distância.

A divisão do Mundial de IRONMAN entre Kona e Nice mexeu com as estruturas do circuito internacional e levantou debates profundos sobre preparação, estratégia e perfis de percurso. No Café com Tri, os apresentadores Wagner Spadotto, Beto Nitrini e Sérgio Magalhães receberam o treinador Eduardo Braz, head coach da EBTT, para dissecar o que realmente muda quando a disputa sai do asfalto quente do Havaí e vai para as montanhas técnicas da Riviera Francesa.

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A descida como divisor de águas entre Europa e Américas

Para Eduardo Braz, a principal discrepância entre correr em Kona e em Nice não está na capacidade cardiovascular ou na força para encarar subidas longas, mas sim na habilidade técnica de pilotagem nas descidas. Enquanto subidas podem ser simuladas em treinos indoor ou em serras específicas, a pilotagem agressiva exigida pelas estradas sinuosas da Europa expõe uma deficiência crônica de atletas formados no continente americano.

Braz exemplificou o cenário citando a prova do profissional Felipe Taccone em Nice: no trecho de subida, o brasileiro ditava o ritmo do pelotão; nas descidas técnicas, os atletas europeus abriam vantagem imediata. Na visão do treinador, o atleta europeu constrói essa vivência motora desde as categorias de base no ciclismo e no triatlo de curta distância, além de ter o relevo montanhoso acessível em sua rotina.

Mundiais de IRONMAN: Eduardo Braz analisa Kona e Nice

A mística de Kona versus o apelo europeu de Marbella e Nice

Apesar do desafio esportivo de alto nível proporcionado por Nice, Kona ainda preserva um peso simbólico e histórico difícil de ser superado. Braz ressaltou que a própria identidade da marca IRONMAN foi construída ao redor da Big Island. Por outro lado, provas na Europa, como Nice e o Mundial de IRONMAN 70.3 em Marbella, agregam um componente logístico e turístico muito atraente para os amadores e suas famílias, permitindo estender viagens por diferentes países e culturas.

No entanto, o treinador alertou para armadilhas comuns entre os atletas que viajam para competir em percursos europeus: alugar bicicletas desconhecidas na véspera da prova e subestimar a gestão de esforço. Segundo Braz, passar 40 minutos pedalando de 5% a 10% acima da potência planejada para acompanhar adversários em subidas longas cobra um preço altíssimo na maratona.

Curta distância, base motora e o futuro do alto rendimento

Ao analisar a evolução dos tempos na longa distância — em que profissionais sustentam ritmos de maratona cada vez mais próximos dos 42 km isolados —, Eduardo Braz enfatizou que a velocidade do IRONMAN moderno vem da migração de atletas formados nas distâncias curtas e olímpicas. Essa transição traz uma base neuromuscular refinada e maior tolerância a ritmos intensos.

Para o Brasil elevar sua presença competitiva nos Mundiais, o treinador defende que a solução passa por estruturar as fases de desenvolvimento entre os 12 e os 20 anos. Sem fomento contínuo na transição da base para o alto rendimento e sem o desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais na juventude, o país continua dependendo de talentos pontuais em vez de colher frutos de um sistema consolidado.

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