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Marcus Terrau: do resgate na mata aos limites do cicloturismo

Ciclista de 68 anos detalha quatro dias perdido na selva mineira e a preparação para pedalar no vulcão Ojos del Salado.

Com mais de quatro décadas sobre a bike, Marcus Terrau coleciona expedições extremas e rotas pioneiras pelo Brasil. Em conversa franca, o aventureiro relembra como sobreviveu quatro dias isolado na mata fechada e revela o plano de quebrar recordes no vulcão mais alto do mundo aos 68 anos.

Criar rotas onde antes só existia mata fechada e desbravar caminhos sem mapa exige mais do que preparo físico — exige controle mental absoluto e respeito à natureza. Com mais de 40 anos dedicados à bicicleta, o aventureiro Marcus Terrau construiu uma trajetória única no cicloturismo de longa distância, testando cada percurso no próprio corpo antes de guiar outros ciclistas.

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Das primeiras trilhas ao cicloturismo radical

A relação de Marcus com a exploração sobre duas rodas começou cedo, ainda na infância, quando pegava a bicicleta inglesa de sua mãe e se embrenhava na terra. Décadas depois, após deixar a carreira no comércio exterior, ele transformou a paixão em expedições pioneiras. Uma das primeiras grandes jornadas ligou Juiz de Fora a Cabo Frio: foram cerca de 400 quilômetros cruzando montanhas e rios, sem GPS e abrindo caminhos por single tracks.

Essa viagem inicial deu origem a desafios comerciais estruturados, como o K300 e as travessias históricas até Paraty, resgatando antigas rotas de tropeiros do ciclo do ouro. Outro marco criado por Marcus é A Grande Volta (AGV), uma travessia monumental de 1.050 quilômetros entre Paraty e Búzios, que cruza seis cadeias de montanhas e acumula 24.000 metros de altimetria.

Marcus Terrau: do resgate na mata aos limites do cicloturismo

Quatro dias na mata: quando a confiança cobra o preço

Em 2022, durante o Carnaval, uma expedição de mapeamento na região da serra mineira, próximo a Bom Jardim de Minas e Ibitipoca, quase terminou em tragédia. Ao lado do amigo Celinho, Marcus decidiu explorar uma trilha fechada para encurtar o trajeto. Em um momento de impetuosidade, ele optou por seguir em frente sozinho na mata com espinhos, enquanto o parceiro recuava. Foi o início de quatro dias isolado, sem comida e sem sinal de comunicação.

Durante o período perdido em um cânion, Marcus enfrentou alucinações visuais e auditivas severas causadas pela exaustão e pelo jejum, além do risco constante de ataques de jararacas e onças-pardas que habitam a região. Ele sobreviveu bebendo água de nascentes e mantendo a calma, sem ceder ao pânico. No quarto dia, foi localizado por dois mateiros locais que integravam uma mobilização de buscas com quase 100 pessoas e apoio do Corpo de Bombeiros. Para Marcus, o episódio ensinou que o excesso de confiança é o maior erro de um aventureiro e reforçou a regra de ouro: nunca se separar do grupo e permanecer parado no ponto onde se perdeu.

O desafio no vulcão Ojos del Salado

Longe de abandonar as expedições, Marcus mantém uma rotina diária de treinos que mescla bicicleta, musculação e boxe. Aos 68 anos, ele se prepara para encarar o Ojos del Salado, no Deserto do Atacama, considerado o vulcão mais alto do planeta com quase 7.000 metros de altitude.

O plano prevê pedalar 352 quilômetros partindo do nível do mar em Bahía Inglesa, no Pacífico, até o topo da montanha, com suporte de aclimatação e o uso de bicicletas gravel e mountain bike. O objetivo é estabelecer um recorde mundial na faixa etária e provar que a longevidade ativa no esporte abre novas perspectivas de vida para quem já passou dos 60 anos.

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