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Marcella Cassemiro: comunidade, corrida e encerrar ciclos

A fundadora do Elas Que Voam detalha sua transição dos 100 metros à maratona e o impacto de criar grupos seguros.

Marcella Cassemiro compartilha os bastidores da criação do Elas Que Voam e sua jornada do atletismo universitário aos 42 km. Ela reflete sobre pertencimento feminino na corrida e a coragem necessária para encerrar ciclos e assumir novos rumos.

A trajetória de Marcella Cassemiro na corrida começou muito antes do recente boom dos running clubs urbanos. Vinda de uma rotina poliesportiva na juventude, Marcella ingressou no atletismo universitário em 2016 focada nas provas de velocidade na pista, competindo nos 100 metros rasos e no salto em distância. A transição da intensidade pura das pistas universitárias para as provas de rua foi construída gradualmente, migrando dos 5 km até completar sua primeira maratona em Buenos Aires.

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A criação e a força do Elas Que Voam

No final de 2017, Marcella foi uma das responsáveis pela fundação do Elas Que Voam, iniciativa que nasceu integrada a um projeto global da Adidas Runners e ganhou identidade própria. O grupo foi concebido com uma proposta clara: ser 100% liderado por mulheres, mas aberto a todos os públicos, ritmos e níveis de condicionamento, mantendo encontros semanais gratuitos no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Para Marcella, a gratuidade e a diversidade de ritmos — com pelotões que vão da caminhada a treinos mais fortes — removem as barreiras de entrada no esporte. Mais do que planilhas ou métricas de rendimento, o projeto se consolidou pelo acolhimento, permitindo que mulheres que antes tinham receio de correr sozinhas encontrassem segurança, incentivo e constância.

Marcella Cassemiro: comunidade, corrida e encerrar ciclos

A liderança ativa e a segurança feminina

Construir um espaço seguro exige posicionamento contínuo das lideranças. Marcella destaca que coordenar um grupo que reuniu mais de uma centena de corredores por encontro semanal demandou escuta ativa, clareza sobre os limites de convivência e a celebração coletiva das conquistas de cada integrante. O grupo também se transformou em plataforma para debater temas além dos treinos, como saúde da mulher e campanhas de conscientização social.

A coragem de encerrar ciclos e olhar para a frente

Após quase nove anos à frente do Elas Que Voam, Marcella tomou a decisão de deixar a liderança do projeto e passar o bastão para novos nomes. Ela compara o movimento de encerramento no esporte à sua própria transição de carreira corporativa — da auditoria contábil para a área comercial —, ressaltando a importância do autoconhecimento para identificar quando um projeto cumpriu sua missão e abrir espaço para novos desafios, como a preparação para a Maratona de Porto Alegre.

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