Luiza Pais: Maternidade, Ironman Brasil e o Poder do Planejamento
A triatleta revela como transformou o desafio do Ironman em um projeto de vida, conciliando filhos, carreira e treinos com dedicação total.
Conciliar maternidade, carreira e os rigorosos treinos de Ironman pode parecer impossível. Luiza Pais compartilha sua jornada para o Nubank Ultravioleta Ironman Brasil, detalhando os sacrifícios e o planejamento minucioso para realizar seu sonho. Ela enfatiza a importância da rede de apoio familiar e como encarou a prova como um projeto com foco e tranquilidade.
A triatleta Luiza Pais conversou com Fabio Bessa e Thiago Kawamura nos bastidores do Nubank Ultravioleta Ironman Brasil, revelando os desafios e a dedicação por trás de sua preparação. Mãe de três filhos, Luiza detalhou como transformou a jornada do Ironman em um projeto de vida, conciliando a rotina intensa com os treinamentos e a busca por alta performance.
O Ironman como Projeto: Dedicação e Sacrifícios
Para Luiza, o Ironman, diferentemente do triatlo que ela enxerga como estilo de vida, foi um projeto. Essa abordagem exigiu adaptações significativas e renúncias em sua rotina, incluindo longas viagens para treinos que a distanciavam da família. A dedicação foi tamanha que Luiza utilizou uma licença-prêmio de dois meses do seu trabalho no serviço público do Rio de Janeiro para focar integralmente na preparação.
"Entreguei tudo, assim, tudo que eu poderia", afirma Luiza, destacando que essa entrega total a deixou tranquila e confiante para a prova. Sua meta era desfrutar o momento com a família e fazer o melhor possível, sem se preocupar excessivamente com fatores incontroláveis. Para ela, o mais difícil já havia passado na fase de treinos.
Treino e Rotina: Desafios e Descobertas
Questionada sobre o ciclo de treinos de maior volume para o Ironman, Luiza revelou suas preferências. Ela curtiu muito o ciclo de maratona (corrida), pois se encaixa bem em sua dinâmica, permitindo-lhe correr de casa e adaptar os horários aos compromissos dos filhos. Na corrida, ela aprendeu a entender melhor seu corpo, as sensações de esforço e ritmo.
O ciclismo, no entanto, representou um desafio maior. "É muito tempo, gente. É muito, aí eu fico triste", desabafa Luiza sobre as longas horas na estrada. Apesar da dificuldade emocional, ela entregou os treinos, reforçando que o Ironman era um projeto de todos, com o envolvimento de seu marido, pais e filhos.
O Papel Fundamental da Rede de Apoio
A experiência de Luiza Pais serve de inspiração para muitas mulheres, especialmente mães, que pensam em encarar um Ironman. "Tem mulheres que falam, ah, não vou conseguir fazer um Ironman, encaixar na minha vida, né, com o filho, com tudo que envolve a mulher", comentou Bruninha. Luiza enfatizou que a chave é o planejamento e a rede de apoio.
Ela aconselha: "Desenha. Qual é o seu sonho? É esse? Desenha. Vê quais são os personagens que vão ter que estar envolvidos." A rotina de uma mãe é diferente, e é preciso conversar com a família e o trabalho para garantir que todos estejam a bordo. "É um projeto. O Ironman é um projeto para quem é mãe", reforça Luiza, que alerta para o fato de que não é um caminho fácil e exige muita superação e até choro.
Luiza também destacou que o triatlo não se resume ao Ironman. Existem diversas distâncias e formatos (sprint, olímpico, duatlo, aquatlo) que se adaptam a diferentes realidades e rotinas. "O triatlo é possível para todo mundo", conclui, ressaltando a importância de se cuidar para cuidar dos outros.
De Volta às Raízes: Trajetória no Triatlo e Sonhos Realizados
Durante o "bate-bola", Luiza compartilhou um pouco mais sobre sua jornada. Sua primeira prova de triatlo foi há 20 anos, em um circuito estadual no Rio de Janeiro, por volta de 2003. Ela retornou ao esporte com um sprint triathlon e, desde então, seguiu uma progressão gradual: um ano de sprint, um ano de olímpico, 16 provas de 70.3, até chegar ao Ironman. Essa progressão respeitosa é, para ela, o segredo da longevidade e da ausência de lesões graves no esporte.
Sobre sonhos não realizados no triatlo, Luiza surpreendeu: "Eu acho que eu já vivo o sonho. Isso aqui hoje é o sonho." Fazer um Ironman, que antes parecia impossível, é a concretização desse desejo. Seu consumo de carboidratos durante a prova seria de 70 a 90 gramas por hora. Para a chegada, a música que a emocionaria seria o tema do Ayrton Senna, "aquela que faz todo mundo chorar".
A história de Luiza Pais é um testemunho inspirador de que a persistência, o planejamento e uma sólida rede de apoio podem transformar grandes desafios esportivos, como um Ironman, em sonhos realizados. Sua jornada ressalta que o sucesso no esporte de alta performance pode e deve coexistir com as responsabilidades familiares e profissionais, desde que encarado com a mentalidade certa.