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Josi Bellincanta: transição de carreira, gelo e corrida

Da arquitetura à criação de conteúdo, a criadora do Josi Zero Grau conta como o esporte transformou sua trajetória.

Arquiteta de formação e ex-bailarina, Josi Bellincanta detalha suas mudanças de rota profissionais e o surgimento do projeto Josi Zero Grau. Ela compartilha bastidores de provas extremas, os desafios da imersão no gelo e a preparação para correr a Maratona de Chicago.

Mudar de rota exige coragem, escuta e a capacidade de sustentar processos que raramente vêm acompanhados de um manual pronto. Em conversa com Marcela Fanti e Mariana Real no podcast Girls Who Run, da Stemma Sports, a criadora de conteúdo Josi Bellincanta compartilhou as viradas de chave que a levaram da arquitetura tradicional e do comércio de roupas ao universo da corrida e ao famoso formato de entrevistas dentro da banheira de gelo, o projeto Josi Zero Grau.

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Do balé aos primeiros passos na corrida

Nascida em Rondônia e radicada em São Paulo, Josi dedicou quase vinte anos da juventude ao balé clássico, chegando a cogitar a profissionalização antes de se formar em Arquitetura no Mato Grosso do Sul. A corrida de rua surgiu de forma despretensiosa por volta de 2013, como complemento ao trabalho cardiovascular e à estética exigida na dança. O primeiro contato com a modalidade aconteceu ao lado da irmã mais velha, completando 5 km em um revezamento de metas curtas entre postes e esquinas.

A virada para um treinamento estruturado ocorreu anos depois, em São Paulo, após a pandemia. Ao acompanhar a rápida evolução de uma amiga que treinava com assessoria esportiva, Josi e sua mãe decidiram ingressar no mesmo formato. Foi ali que a atleta amadora compreendeu a dinâmica de treinos intervalados, fartleks e subidas, estreando na tradicional Corrida Internacional de São Silvestre e, posteriormente, completando sua primeira Meia Maratona no Rio de Janeiro.

Josi Bellincanta: transição de carreira, gelo e corrida

A reinvenção profissional e a criação de conteúdo

Após atuar em escritórios de arquitetura, gerenciar reformas civis e abrir uma boutique com a mãe na capital paulista, Josi percebeu que precisava de mais autonomia. Ela utilizou sua formação e especialização em arquitetura de varejo comercial para criar análises visuais de lojas nas redes sociais. A transição foi planejada a partir de uma reserva financeira que garantiu um ano de dedicação exclusiva aos testes de linguagem e produção em vídeo.

A conexão definitiva com o esporte aconteceu ao cobrir inaugurações e eventos de marcas esportivas, como a arena Running Land, em frente ao Parque Ibirapuera. A repercussão do público e o entusiasmo pessoal definiram o direcionamento temático do canal: o nicho de corrida e bem-estar superou as análises de varejo e se tornou sua atividade central.

A origem do Josi Zero Grau e o choque térmico

O interesse pela crioterapia surgiu durante a preparação para a primeira meia maratona, quando Josi se recuperava de um incômodo no quadril. Ao buscar parcerias comerciais para experimentar banheiras de imersão e encontrar pouca abertura inicial, a criadora adaptou a própria solução: comprou um tambor industrial de sucata por 230 reais, adaptou mangueiras com cano de aspirador de pó na sacada de casa e descarregou dez sacos de gelo para atingir a marca de 0 °C.

A gravação dessa experiência pioneira viralizou rapidamente e gerou a identidade Josi Zero Grau. O conceito evoluiu para um quadro de entrevistas, no qual convidados lidam com o estresse térmico da água gelada enquanto conversam. Como técnica de adaptação aos primeiros trinta segundos de pânico gerados pelo choque térmico, Josi destaca a aplicação de respiração controlada e a ativação de grandes grupos musculares no pós-imersão, fundamentos inspirados no método Wim Hof.

Nos bastidores dos Caminhos de Rosa e a ultramaratona

A busca por histórias autênticas levou Josi aos sertões de Minas Gerais para acompanhar a ultramaratona Caminhos de Rosa, prova com percurso de cerca de 250 km. Convidada pelo ultramaratonista Kléber Binho para integrar a equipe de suporte, ela acabou registrando a logística do evento em tempo real a bordo do carro da organização e da fotografia, auxiliando na montagem de postos de hidratação.

Mesmo com o abandono precoce de Binho no km 50 devido a uma torção no tornozelo, a cobertura documentou a resiliência dos atletas que enfrentaram três dias de calor, poeira e privação de sono. A vivência serviu como lição prática sobre o espírito de comunidade característico da modalidade e a capacidade humana de operar sob limites físicos severos.

Próximos passos e a Maratona de Chicago

Atualmente sem assessoria fixa, Josi estrutura sua rotina esportiva e profissional em torno de duas frentes: a expansão de um clube de corrida próprio — integrando treinos coletivos com sessões abertas de banheira de gelo e sauna — e a preparação para a Maratona de Chicago, prova para a qual foi sorteada. O objetivo para o ciclo dos 42 km é manter a consistência dos treinos de forma leve, sustentando a prática como espaço de liberdade e autoconhecimento.

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