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José Virgínio de Morais: Trail Running, Evolução e Sonho Olímpico

O "Rei da Montanha" José Virgínio de Morais desvenda a evolução do Trail Running no Brasil e o sonho de vê-lo nas Olimpíadas.

Sidney Togumi recebe José Virgínio de Morais, o "Rei da Montanha", para um bate-papo inspirador. Eles exploram a jornada do atleta do atletismo de pista ao trail running, a fundação da JVM Trail Run e as perspectivas para a modalidade, incluindo sua possível inclusão nas Olimpíadas de Brisbane 2032. A conversa também aborda a importância da preparação e do respeito à natureza.

No segundo episódio do podcast Stemma na Trilha, o apresentador Sidney Togumi conversa com uma lenda do esporte brasileiro: José Virgínio de Morais, carinhosamente conhecido como o "Rei da Montanha". Atleta de alta performance, treinador especializado e diretor técnico da JVM Trail Run, José Virgínio compartilha sua rica trajetória, desde os campos de futebol e pistas de atletismo até a consolidação como um dos maiores nomes do trail running nacional. A conversa mergulha na evolução da modalidade no Brasil, no nascimento de sua assessoria e nas suas expectativas para o futuro do esporte, incluindo o cobiçado sonho olímpico.

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De Atleta da Pista ao "Rei da Montanha": Uma Trajetória de Vanguarda

A jornada de José Virgínio de Morais no esporte começou cedo, no futebol e em diversas modalidades escolares. Curiosamente, sua primeira corrida de pista, aos 13 anos, terminou em um tombo épico, mas com a lição crucial: a determinação de nunca ser o último. Essa mentalidade o impulsionou a se destacar no atletismo de pista e rua, correndo distâncias de 1.500m a maratonas. Em 2012, ele fez história ao ser o primeiro brasileiro a vencer a Meia Maratona da Disney, com o tempo de 1h10min10s.

Sua transição para o trail running começou em 2008, impulsionado pela curiosidade sobre as corridas de montanha. Inicialmente, José Virgínio aplicava a mesma agressividade da pista nas trilhas, o que nem sempre era eficaz. "Eu morria na subida, no meio do nada", recorda. No entanto, sua capacidade de adaptação e estudo o transformou em um especialista. Ele dominou o Circuito Brasileiro de Montanha em 2008 e 2009, vencendo a maioria das etapas e conquistando o apelido de "Rei da Montanha". Essa época foi marcada por disputas memoráveis com atletas como Odilon, Reginaldo, Naval Freitas, Itamar e Luzia, nomes que hoje representam a "geração anterior" do trail brasileiro.

José Virgínio de Morais: Trail Running, Evolução e Sonho Olímpico

O Nascimento da JVM Trail Run e a Essência de um Professor

Apesar do sucesso como atleta, a vida de José Virgínio também foi moldada por sua formação e visão de carreira. De office boy a professor eventual, ele relata um momento decisivo, quando seu primeiro técnico, Jair Rosset, o incentivou a seguir a faculdade de Educação Física, lembrando-o de que a profissão dura a vida toda, diferente da carreira de atleta. "Você não vai ser atleta para o resto da vida. Mas a tua profissão é para o resto da vida", foi a frase que o marcou.

A JVM Trail Run nasceu em 2010, fruto de uma oportunidade inusitada. Um casal de alunos, Betânia e Antônio Farroco, impressionados com seu conhecimento e paixão pelo trail, "presenteou-o" com a assessoria, cuidando da parte burocrática da fundação. O nome, que combina suas iniciais (José Virgínio de Morais) com "Montanha", solidificou sua marca. Hoje, a JVM atende mais de 160 alunos no Brasil e no mundo, e José Virgínio se orgulha de ter fomentado o crescimento da modalidade, inspirando muitos a abrir suas próprias assessorias.

Em 2023, José Virgínio lançou o livro "O Chamado da Montanha", que narra sua vida e carreira, além de compartilhar lições valiosas. O livro, disponível na Amazon e diretamente pelo seu Instagram (@virginiojvm), é, segundo ele, "um livro para todos, não é um livro só para atleta", transmitindo a mensagem de que a vida, assim como a montanha, oferece chamados e oportunidades que precisam ser percebidos.

O Futuro do Trail: Profissionalização e Sonho Olímpico

José Virgínio tem uma visão clara sobre o futuro do trail running: "Ela não é modinha mais. O trail, ele veio para ficar". Ele observa o crescente interesse de grandes marcas como North Face e Columbia, o que significa um amadurecimento e profissionalização da modalidade. Para ele, o foco não é apenas a venda de produtos, mas a conexão e o investimento genuíno no esporte, com as provas ajudando a fortalecer as marcas e vice-versa.

Um dos tópicos mais empolgantes é a possibilidade de o trail running integrar os Jogos Olímpicos de Brisbane em 2032. Sidney Togumi pergunta qual distância José Virgínio escolheria, caso tivesse o poder de decidir. Sua resposta: uma prova de 20 km (short trail). A escolha visa garantir a atratividade televisiva e a compreensão do público, que dificilmente acompanharia provas de longa duração em um percurso 100% técnico. Ele defende que, assim como o mountain bike se adaptou para as Olimpíadas, o trail também precisará de um formato que balanceie a essência da modalidade com as exigências de um evento global.

Para o Brasil se destacar nesse cenário, José Virgínio aponta a necessidade de um planejamento mais estruturado por parte das confederações, com calendários mais claros e apoio aos atletas. Além disso, ele enfatiza a importância de os atletas brasileiros adotarem temporadas de treinamento e competição, inspirando-se nas escolas europeias que não correm o ano todo, mas intercalam com outras modalidades para otimizar o desempenho e evitar o desgaste. "Não dá para dar porrada o ano inteiro", afirma, ressaltando que, para figurar entre os melhores do mundo, é preciso uma estratégia de carreira bem definida.

Respeito à Montanha e a Essência do Trail

Finalizando o bate-papo, José Virgínio compartilha sua filosofia sobre o respeito à montanha e a peculiaridade do trail running. Ele contrasta a cultura do asfalto, onde é comum descartar copos d'água durante as provas, com a do trail, onde "você tem que levar" seu lixo consigo. Ele também aborda a paciência necessária em trilhas técnicas, especialmente em single tracks onde a fila de corredores é inevitável. "Se você quer passar voando na trilha, cara, chega primeiro nela", aconselha.

O "Rei da Montanha" sublinha a importância da educação para os iniciantes, muitas vezes frustrados por um ritmo mais lento na trilha comparado ao asfalto. É crucial entender que andar e trotar são parte do contexto do trail, e que o preparo para descer e subir é fruto de treinamento específico. "Respeite onde você está entrando", conclui José Virgínio, estendendo o conselho não apenas à montanha, mas a todos que desejam se aventurar e permanecer no universo fascinante do trail running.

A conversa com José Virgínio de Morais é um testemunho da paixão, dedicação e visão de um atleta que não apenas conquistou títulos, mas também dedicou sua vida a inspirar e a moldar o futuro de uma modalidade que "veio para ficar". Seu legado, marcado pelo profissionalismo e pelo profundo respeito à natureza, continua a guiar a comunidade do trail no Brasil.

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