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José Graça: a trajetória do brasileiro 3x pódio em Kona

Com mais de 30 provas de Ironman, o triatleta e morador da Big Island revela os segredos de treino e bastidores da prova.

Radicado no Havaí há mais de uma década, José Graça se tornou referência para quem viaja a Kona. O triatleta amador relembra sua transição do surfe e das artes marciais para o endurance, suas três conquistas de pódio no Mundial e explica por que descansar na semana da prova vale mais que qualquer treino.

Nascido em Ubatuba, no litoral norte paulista, José Graça cresceu com a prancha debaixo do braço e o olhar voltado para as revistas de surfe que estampavam as ondas do Havaí. Décadas depois, o arquipélago norte-americano não apenas virou seu lar definitivo, mas também o cenário onde ele construiu uma das trajetórias amadoras mais consistentes do triatlo brasileiro: 10 participações e 3 pódios no disputado Ironman World Championship, em Kona.

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Das artes marciais à primeira vaga para o Mundial

Antes de ingressar no triatlo em 2006, Graça construiu uma sólida base atlética no caratê. Faixa preta do estilo Wadokai e colecionador de títulos em Jogos Regionais e campeonatos brasileiros, ele credita à modalidade o rigor com alongamento, flexibilidade e a disciplina necessária para a corrida. A transição para os esportes de endurance começou em São José dos Campos, inicialmente pelo ciclismo e por provas de duatlo, até evoluir para distâncias mais longas.

A virada de chave para o Havaí aconteceu em 2011. Ao viajar para assistir ao Pipe Masters no North Shore de Oahu, surgiu o convite para atuar como equipe de apoio (staff) de Vanuza Maciel no tradicional Ultraman, prova de três dias que circunda a Big Island. Ao pisar em Kona e acompanhar de perto a vitória de Alexandre Ribeiro, José Graça decidiu que voltaria para competir. Treinou no Brasil e, no ano seguinte, garantiu sua primeira vaga para o Mundial no Ironman Florianópolis 2012.

José Graça: a trajetória do brasileiro 3x pódio em Kona

A vida na Big Island e o papel de anfitrião

Após anos dividindo temporadas entre o Brasil, provas internacionais e o arquipélago, Graça se estabeleceu em definitivo no Havaí a partir de 2016, quando casou e obteve o Green Card. Ao longo dos anos, sua casa e sua rotina viraram porto seguro para centenas de triatletas brasileiros que desembarcam em Kona todos os anos, rendendo a ele o apelido carinhoso de 'Prefeito de Kona'.

Além do conhecimento detalhado da ilha — desde as peculiaridades dos ventos na Queen K e na subida para Hawi até as trilhas do Mauna Kea e do vulcão Kilauea —, Graça expandiu sua atuação abrindo com a esposa, Estela, a Kona Bike Rentals, empresa voltada ao aluguel de bicicletas de alta performance e suporte aos atletas.

Três pódios e a evolução nas categorias de idade

Com mais de 30 provas de distância Ironman completadas na carreira, o auge competitivo de Graça se consolidou após os 40 anos. O primeiro troféu (as tradicionais cumbucas de madeira havaianas) veio em 2018, na faixa etária 40-44 anos, quando cravou 8h58min58s e terminou em 4º lugar na categoria, sendo o melhor amador do país naquele dia ao lado de Carla Moreno no feminino.

No ano seguinte, em 2019, já na categoria 45-49 anos, Graça subiu novamente ao pódio ao alcançar a 5ª colocação em um grupo com nomes de peso do esporte mundial, como o campeão olímpico de ciclismo Alexander Vinokourov e o argentino Oscar Galíndez. O terceiro pódio aconteceu no Mundial de 2024, conquistando a 2ª posição na categoria 50-54 anos, consolidando sua longevidade na elite amadora.

O maior erro em Kona: treinar demais na semana da prova

Para José Graça, o principal equívoco cometido por triatletas amadores ao desembarcarem na Big Island é o excesso de treino às vésperas da largada. Sob o pretexto de aclimatação ao calor e ao vento, muitos esgotam as energias pedalando e correndo forte em locais icônicos como a Lead Drive e o Energy Lab.

Segundo o atleta, quem chega a Kona dez dias antes da largada já tem o trabalho feito. Tentar forçar o ritmo nessa reta final traz '99% de chance de prejudicar a prova e 1% de melhorar'. A recomendação para quem busca performar é priorizar a recuperação da viagem, hidratar-se bem, ajustar o equipamento e poupar o corpo para o dia decisivo.

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