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José Belarmino: da natação ao topo do triatlo mundial

Campeão mundial de Ironman e 70.3 detalha sua formação nas piscinas, a transição esportiva e a visão como treinador.

Com histórico na Seleção Brasileira de natação e títulos mundiais de Ironman em Kona e St. George, José Belarmino compartilha os pilares de sua carreira. Em conversa com Samir Barel e Wanderley Santos, o atleta e treinador debate técnica, transição de modalidades e longevidade no esporte.

Poucos atletas brasileiros construíram uma trajetória de domínio tão consistente nos esportes de endurance quanto José Belarmino. Antes de se consagrar campeão mundial amador de Ironman em Kona e de Ironman 70.3 em St. George no mesmo ano (2022), Belarmino construiu uma sólida carreira nas piscinas, integrando a Seleção Brasileira em etapas de Copa do Mundo e disputando medalhas nos principais torneios nacionais de natação.

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A base na piscina e os ensinamentos de Mirko Cevales

A entrada de Belarmino na natação aconteceu por recomendação de saúde na infância. Aos 9 anos, ao ingressar na equipe da Estilo, em São Bernardo do Campo, iniciou uma parceria de mais de uma década com o técnico Mirko Cevales, que o acompanhou até os 22 anos. Especialista nas provas de 100 e 200 metros peito e 200 metros medley, Belarmino chegou a ficar a apenas quatro segundos do índice olímpico, vivenciando a era dos treinos de altíssimo volume dos anos 1990.

Mesmo em uma época em que se nadavam até 15 quilômetros diários divididos em três períodos, Belarmino destaca que o grande diferencial de sua formação foi a obsessão pela técnica e pela eficiência biomecânica. Elementos como a filipina no nado de peito, o trabalho de virada e a qualidade de deslize eram refinados exaustivamente após as sessões principais de treino.

José Belarmino: da natação ao topo do triatlo mundial

A transição para o triatlo e a percepção de esforço

Após encerrar o ciclo na natação competitiva e passar um período longe do alto rendimento, Belarmino encontrou no triatlo uma nova motivação. Apenas dois anos e oito meses após sua primeira prova, já vencia a classificação geral do Ironman Fortaleza, chamando a atenção do cenário nacional.

Para ele, os anos na água oferecem uma vantagem determinante: a percepção de esforço apurada. Enquanto corredores e ciclistas muitas vezes dependem de monitores e relógios para modular intensidade, o nadador aprende a reconhecer zonas de ritmo pelo desgaste fisiológico e sensibilidade corporal. No entanto, Belarmino alerta para o cuidado essencial com a corrida: nadadores possuem grande capacidade cardiovascular, mas suas estruturas óssea e muscular não estão acostumadas ao impacto, exigindo progressão lenta para evitar lesões.

Filosofia como treinador e parceria de longo prazo

Atuando como treinador de nadadores e triatletas — incluindo a ultramaratonista aquática Ana Sudo —, Belarmino aplica os conceitos aprendidos com Cevales, priorizando a individualização e o diálogo transparente em vez de planilhas genéricas.

Belarmino defende que o sucesso do treinamento reside em uma divisão equilibrada de responsabilidade (50% atleta, 50% treinador). Conhecer as oscilações de rotina, o estresse cotidiano e a recuperação de cada atleta permite ajustar volumes, dosar o uso de acessórios como palmar ou paraquedas e aplicar séries duras com foco não apenas fisiológico, mas no fortalecimento mental necessário para os momentos críticos de prova.

Família, longevidade e novos desafios na água

Aos 48 anos e pai de três meninos (gêmeos de 8 anos e o caçula de 5), Belarmino mantém rotina ativa sem transferir cobranças esportivas aos filhos. Ele enfatiza a importância de respeitar o tempo das crianças e priorizar o ambiente lúdico e a segurança aquática na infância.

Mesmo focado no triatlo, onde optou conscientemente por competir nas faixas etárias amadoras para conciliar família e trabalho, Belarmino ainda mantém viva a paixão pelas maratonas aquáticas e não descarta encarar no futuro desafios clássicos do calendário brasileiro, como a tradicional Travessia 14 Bis.

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