Giovanna Opipari: da engenharia ao pódio no Ironman 70.3
Após Paris 2024 e o Mundial amador em Marbella, triatleta estreia no profissional com pódio em Curitiba e vaga para Nice.
Conheça a trajetória de Giovanna Opipari, da natação e do XTERRA até o triatlo profissional. Em entrevista ao Stemma Sports, ela detalha a experiência como atleta-guia em Paris 2024 e a conquista da vaga para o Mundial de Ironman 70.3 logo na estreia na elite.
A transição do esporte amador para o alto rendimento profissional exige coragem, consistência e a capacidade de recalcular a rota diante das incertezas. Engenheira química de formação, Giovanna Opipari tomou a decisão de deixar para trás seis anos de estabilidade em laboratório corporativo para apostar integralmente na carreira esportiva. O resultado dessa escolha não demorou a aparecer: logo em sua primeira prova na categoria profissional, cravou a terceira colocação geral no Ironman 70.3 Curitiba e garantiu a vaga para o Campeonato Mundial de 70.3 em Nice.
Das águas abertas ao choque de realidade no XTERRA
A relação de Giovanna com o esporte começou ainda na infância, fortemente incentivada pela mãe, professora de educação física. A natação rapidamente se tornou a modalidade central, levando a atleta a disputar travessias em mar aberto a partir dos 11 anos e, mais tarde, a integrar a equipe de alto rendimento de piscina do Centro Olímpico em São Paulo por dois anos. A base aquática sólida e o gosto pelo ambiente outdoor abriram caminho para o contato com a corrida e o mountain bike durante a faculdade de engenharia em Lorena.
A estreia no triatlo off-road aconteceu no XTERRA Ilhabela, um dos percursos mais técnicos do circuito. Sem experiência prévia em trilhas duras de mountain bike e com pouca noção de nutrição esportiva na época, Giovanna saiu na frente da natação geral feminina, mas enfrentou perrengues clássicos na bike até cruzar a linha de chegada perto do tempo de corte. O aprendizado serviu de combustível: ela passou a competir regularmente no circuito amador de mountain bike e XTERRA, acumulando rodagem em terrenos extremos antes de migrar para o asfalto.
A experiência paralímpica e o Sena em Paris 2024
Em paralelo à sua evolução no meio-Ironman, Giovanna assumiu em 2024 a responsabilidade de ser atleta-guia da triatleta com deficiência visual Letícia. A parceria exigiu adaptação técnica intensa para pilotar a bicicleta tandem (dupla), sincronizar pernadas na natação com corda guia e conduzir a comunicação curva a curva na corrida.
A classificação para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 veio na última etapa classificatória em Montreal, decidida no sprint final pela quarta colocação. Na capital francesa, além da rotina na Vila Olímpica, Giovanna e Letícia encararam as fortes correntezas do Rio Sena na distância sprint, contornando a dinâmica do rio coladas aos muros para economizar energia em um evento marcante para sua formação esportiva.
A virada de chave para o profissionalismo
Depois de se destacar como a melhor brasileira amadora no Mundial de Ironman 70.3 em Marbella e conquistar o segundo lugar geral amador no 70.3 São Paulo e no 70.3 Rio de Janeiro, Giovanna decidiu formalizar a transição para a elite. O processo envolveu lidar com o frio na barriga de largar o trabalho convencional e reestruturar completamente a rotina ao lado do marido e treinador, Samuel.
A nova rotina exigiu cuidados redobrados com pilares que antes ficavam em segundo plano: aporte calórico intra-treino, monitoramento do sono e recuperação biológica. Para Giovanna, a grande virada de chave no profissionalismo está em executar o básico com excelência contínua, garantindo volume de treinos controlados sem sobrecarregar tendões e articulações.
A caçada no 70.3 Curitiba e o passaporte para Nice
A estreia oficial na elite profissional no Ironman 70.3 Curitiba colocou à prova o trabalho de preparação. Após uma natação conservadora e um ciclismo consistente de perseguição no asfalto, Giovanna iniciou a meia maratona com a missão de caçar posições na corrida. Tirando a diferença metro a metro a cada quilômetro, alcançou o terceiro lugar nos momentos finais da prova, selando o pódio e conquistando a sonhada vaga para o Mundial da França.