Curated
Voltar S @stemma 7 min de leitura
sports

Fisioterapia no Esporte: Prevenção, Recuperação e Alta Performance

Descubra como a fisioterapia é crucial para atletas de endurance, amadores e profissionais, otimizando o desempenho e prevenindo lesões.

Neste episódio do Stemma Performance, Bruna Mahn recebe a fisioterapeuta Adriane Vanin, da Move Sports, para um bate-papo essencial sobre o papel da fisioterapia no universo esportivo. A discussão abrange desde a recuperação em viagens desgastantes até a prevenção de lesões e aprimoramento da performance. Entenda a importância de uma rotina de cuidados para uma vida longa e saudável no esporte.

No podcast Stemma Performance, a apresentadora Bruna Mahn recebe Adriane Vanin, fisioterapeuta da Move Sports e integrante da equipe técnica da Confederação Brasileira de Triatlo. O papo foca na relevância da fisioterapia para atletas de endurance, destacando sua atuação tanto na recuperação quanto na prevenção de lesões, um pilar fundamental para quem busca alta performance.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

O Fisioterapeuta na Rotina do Atleta

Adriane Vanin explica que, especialmente em competições, os atletas chegam exaustos de viagens longas e cansativas, com queixas comuns de dores musculares, principalmente no trapézio e cervical. Nesse cenário, o fisioterapeuta atua com mobilização miofascial (popularmente conhecida como liberação miofascial) e o uso de botas de compressão para promover a soltura muscular e auxiliar na recuperação. Essa intervenção é crucial, pois muitos atletas treinam logo após as viagens, sem tempo para descanso.

Fisioterapia no Esporte: Prevenção, Recuperação e Alta Performance

Individualidade no Processo de Recuperação

A fisioterapeuta ressalta que as preferências de cada atleta variam muito. Alguns preferem a massagem pré-prova, outros pós-prova, e há aqueles que evitam intervenções manuais no dia anterior à competição. É fundamental que o fisioterapeuta tenha sensibilidade para entender a necessidade e a resposta de cada corpo. Em casos de dor pós-competição, a massagem desportiva intensa pode ser contraproducente, podendo inflamar ainda mais o tecido. Nesses momentos, técnicas mais suaves ou a bota de compressão são mais indicadas, esperando 24 a 48 horas para intervenções mais profundas.

A Abordagem Correta na Fisioterapia Manual

Um ponto crucial abordado é a forma correta de realizar a liberação miofascial. Adriane enfatiza que a técnica deve ser suave, com baixa pressão e tração. O objetivo é permitir que as múltiplas camadas do tecido (pele, fáscia, gordura) deslizem entre si, melhorando a mobilidade. Muita pressão pode gerar tensão e dor, o que contradiz o propósito de relaxamento. Se a massagem causa dor insuportável ou hematomas, significa que a técnica está incorreta, pois está lesionando o tecido em vez de auxiliar.

Para atletas amadores, a recomendação é realizar sessões de fisioterapia ao menos uma vez por semana, intensificando a frequência em períodos de treinos mais pesados ou pré-competição. Isso serve como um "reset" para o corpo, prevenindo acúmulo de tensões e dores.

Pilares da Recuperação e Prevenção

Para uma recuperação efetiva e uma vida longa no esporte, a fisioterapia se integra a outros pilares essenciais:

  1. Sono de Qualidade: A pirâmide da evidência mostra que o sono é o principal fator de recuperação.
  2. Alimentação Adequada e Hidratação: Nutrição e hidratação são cruciais para o bom funcionamento do organismo.
  3. Controle de Carga: O treinador deve planejar a intensidade e volume dos treinos para evitar sobrecarga.
  4. Fortalecimento e Mobilidade: Exercícios específicos de fortalecimento e mobilidade, muitas vezes subestimados, são fundamentais para prevenir lesões e otimizar a economia de movimento. O trabalho multidisciplinar entre fisioterapeuta e treinador é vital para incorporar esses exercícios na rotina do atleta.

O Perigo das Compensações

Atletas que ignoram uma "dorzinha" inicial podem desenvolver mecanismos compensatórios, alterando seu padrão motor para proteger a região dolorida. Isso pode levar a outras lesões mais graves. Por isso, é fundamental relatar qualquer incômodo ao fisioterapeuta, que avaliará a necessidade de intervenção. Diferentemente do passado, a maioria das lesões hoje é tratada com movimento, adaptando o treino para não agravar o quadro, mas sem necessariamente interromper a atividade física por completo.

Dicas Práticas e Tratamento da Canelite

Adriane sugere que os atletas amadores incorporem exercícios de ativação muscular de 10 a 15 minutos antes de cada treino. Esses exercícios, focados na musculatura que será utilizada na modalidade (como glúteos e core para corrida e ciclismo), preparam o corpo e melhoram a eficiência do movimento. Para uma rotina de fortalecimento, ela recomenda 2 a 3 vezes por semana, com exercícios funcionais que imitem o esporte e utilizem cargas variadas, como elásticos.

Sobre a canelite (dor na tíbia, comum em corredores), o tratamento evoluiu. Antigamente, a única recomendação era parar de correr. Hoje, o protocolo inicial envolve a interrupção da corrida por 6 a 8 semanas, enquanto se realiza um fortalecimento focado na região e no core, considerando o corpo como um todo para identificar a causa da lesão. O impacto é reintroduzido gradualmente, com exercícios em superfícies macias e aumento progressivo do volume de corrida. É um erro pensar que a fisioterapia é "moleza"; ela exige esforço e movimento, combatendo o preconceito de que o paciente fica apenas na maca.

Buscar um fisioterapeuta desde o início da prática esportiva é um investimento em saúde e longevidade atlética. Uma avaliação inicial permite identificar déficits, histórico de lesões e a rotina do atleta, criando um plano de prevenção e recuperação personalizado. Prevenir é sempre mais barato e eficaz do que tratar uma lesão já estabelecida, garantindo que o esporte continue sendo uma fonte de bem-estar e não de dor.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma