Fábio Fraga e a Blue70: inovação, mercado e o amor pela natação
De masters swimmer a líder, a trajetória da Blue70 no Brasil revela paixão por esporte e foco no atleta, de test-drives a produtos exclusivos.
Neste episódio de Natação Stemma, Fábio Fraga compartilha a jornada da Blue70 no Brasil, desde sua paixão pessoal pelo esporte até a expansão da marca. Ele aborda os desafios do mercado, a estratégia de test-drives de wetsuits e as emocionantes novidades da empresa para atletas de natação e triatlo.
No mais recente episódio do Natação Stemma, os hosts Samir Barel e Wanderlei Santos receberam Fábio Fraga, representante da Blue70 no Brasil. A conversa mergulhou na trajetória da marca no país, nas inovações tecnológicas e na paixão que impulsiona o esporte de alto rendimento, especialmente natação e triatlo, com foco na experiência do atleta.
A jornada de Fábio Fraga com a Blue70
Fábio Fraga, com um histórico na engenharia e controle de qualidade, sempre buscou excelência, seja nos estudos ou no esporte. Sua conexão com a Blue70 começou ainda como nadador masters, entre 2000 e 2010. Ele relembrou a ascensão da marca nas Olimpíadas de Pequim em 2008, onde os trajes tecnológicos da Blue Seventy eram destaque. Seus filhos, posteriormente, também nadaram com equipamentos da marca, consolidando sua familiaridade com a Blue70.
Antes de sua atual empreitada, Fábio já havia tentado a sorte no mercado esportivo nos anos 90, trazendo para o Brasil marcas como DeSoto Sport e Quintana Roo (triatlo) e Suwans (óculos de natação). Após vender o negócio da família, ele viu uma nova oportunidade de investir no esporte, enfrentando, contudo, a dificuldade de abrir portas com outras marcas.
A reviravolta veio ao contatar a Blue70, a princípio sem grandes expectativas, pois acreditava que a marca já tinha representação no Brasil. Para sua surpresa, o mercado estava “livre”. A negociação com John Duckett, o então proprietário da Blue70 (com matriz nos EUA, mas origem na Nova Zelândia em 1993), foi marcada por uma confiança incomum. John enviou a tabela de preços e um mostruário sem a exigência de termos de confidencialidade ou pagamento, permitindo que Fábio estudasse o mercado brasileiro com calma. A própria Leda Fraga, esposa de Fábio, o ajudou financeiramente no início para liberar o mostruário na FedEx, demonstrando o pioneirismo do empreendimento.
O significado de Blue70 e a licença de produção nacional
O nome Blue70 vem da premissa de que 70% do planeta é coberto por água, remetendo à natureza e a um estilo de vida saudável. A marca passou por uma evolução visual, trocando a escrita por extenso (Blue Seventy) para o numeral (Blue70), buscando uma identidade mais clean e direta, embora ambas as formas ainda coexistam.
Um passo crucial na estratégia da Blue70 no Brasil foi a sugestão de Armandinho Barcelos (da CBtri e CBDA) para licenciar a produção de vestuário no país. Armandinho apontou que o mercado de natação é dez vezes maior que o de triatlo, e que não havia marcas internacionais de natação e triatlo com licenciamento de produção no Brasil. Fábio levou a ideia a John Duckett, que concordou em licenciar a produção de vestuário, desde que a qualidade e os royalties fossem mantidos. Curiosamente, John, que nunca havia licenciado a marca antes, pediu que Fábio redigisse o contrato, confiando plenamente em sua proposta. Há quatro anos, em fevereiro, o contrato de exclusividade e licenciamento foi assinado, um marco para a Blue70 Brasil.
Posicionamento e concorrência no mercado brasileiro
Fábio categorizou o mercado de wetsuits e equipamentos em três faixas: low end (com marcas como Aquon, Mormaii e Xterra), mid-range (TYR, Zone3, e anteriormente Aquasphere) e high end (Blue70, Orca, HUUB e Deboer). Ele identifica a Orca como o principal concorrente no Brasil, devido ao posicionamento e à qualidade similar. Contudo, reconhece que marcas de entrada também competem, pois a diferença de preço para produtos iniciantes se torna menos expressiva com o parcelamento. A Blue70 busca convencer o atleta a investir um pouco mais em qualidade e conforto, ressaltando que o wetsuit é uma segunda pele para o corpo do nadador.
Estratégia de engajamento: test-drives e a experiência do atleta
A presença da Blue70 na W3 começou de forma modesta por volta de 2020/2022, com um “camelô” montado no porta-malas do carro, uma iniciativa incentivada por Leda Fraga. O investimento inicial na W3, local de treino para muitos paulistas, não resultou em vendas imediatas, mas se mostrou um importante investimento em visibilidade. A Blue70 evoluiu de um porta-malas para uma tenda emprestada, depois para sua própria tenda, e hoje utiliza um trailer, que serve como uma loja móvel. A empresa agora é patrocinadora da W3 e planeja inaugurar uma loja física dentro do complexo nos próximos 60 dias, oferecendo um espaço mais completo e confortável para os clientes.
A estratégia de test-drives de wetsuits, introduzida em 2023, é um grande diferencial, permitindo que os atletas experimentem os produtos antes da compra – algo raro no mercado de neoprene. Essa iniciativa se expandirá com uma nova parceria com a Care Club, que oferecerá test-drives em uma piscina Endless Pool (piscina de corrente) em São Paulo, de segunda a sexta-feira, mediante agendamento. Esse local permitirá simular o nado em águas abertas e, inclusive, a realização de avaliações biomecânicas com e sem o wetsuit. Além disso, a Care Club terá à disposição pé de pato e modelos de óculos da Blue70 para teste.
Expansão e conquistas: Ironman e Circuito Mares
A Blue70 Brasil começou sua expansão fabricando uniformes personalizados para assessorias esportivas como Limiar e Pinheiros Masters, o que permitiu um crescimento gradual. Em 2022, a empresa conquistou a licença para produzir 9.000 mochilas de transição para a loja oficial do Ironman em 2023, um grande feito apesar de um início tumultuado na negociação. A Blue70 também marcou presença no Circuito Mares, focando no crescente mercado de águas abertas, após superar a concorrência com grandes players como Speedo Brasil, Fabiola e Arena no setor de natação tradicional. A tentativa de patrocínio com a CBDA não se concretizou, mas a marca segue avaliando oportunidades de mercado.
As importações, no entanto, trouxeram desafios, como auditorias da Receita Federal e atrasos inesperados. Fábio relatou um episódio memorável onde uma carga de wetsuits, já vendida para atletas do Ironman, ficou retida no “canal cinza” da alfândega. Uma carta pessoal ao fiscal, contando a urgência dos atletas e o propósito do Ministério do Livro (um livro com testemunhos de atletas cristãos que a Blue70 oferece como presente), resultou na liberação da carga a tempo do evento.
Inovação em produtos e acessibilidade de preço
A estratégia da Blue70 é produzir no Brasil o que possui know-how local e importar de fábricas autorizadas pela marca global, garantindo qualidade. Isso se aplica a óculos, pé de pato e outros acessórios. A marca oferece modelos de óculos exclusivos para o mercado brasileiro, como os modelos Nicolas e Ironman. O novo óculos Aqua Vision substitui o Hydravision, oferecendo um perfil mais confortável que não interfere com os cílios, ideal para treinos e águas abertas. A Blue70 busca tornar produtos premium mais acessíveis, visando abaixar o preço final dos óculos em 20% (com metas de preço entre R$180-R$220 para modelos simples e abaixo de R$400 para a maioria), mesmo que isso signifique menos lucro. “Não quero mais 20% no meu bolso. Eu quero mais 20% de atletas usando”, afirma Fábio. Os recém-lançados pé de pato têm um preço estimado entre R$490 e R$540, e um antiembaçante de alta performance, fabricado pela mesma planta dos óculos, promete prolongar a vida útil do produto, priorizando a satisfação do cliente.
Quebra Recorde: um perfil rápido de Fábio Fraga
No tradicional quadro “Quebra Recorde”, Fábio Fraga revelou um pouco mais sobre sua personalidade e preferências: começa o dia orando, prefere café, seu apelido de infância é “Napão”, e opta por roupas de manga longa para natação e treinos em piscina. Seu lugar favorito no mundo é Quebec, e ele prefere piscinas frias a 24°C. O Troféu Internacional de Santos foi sua prova mais desafiadora, e seu hobby fora do esporte é ler. Treina pela manhã e tem como referência no esporte Alex Dias Ribeiro. Sua maior força como atleta é a natação, e a fraqueza, a corrida. Seu objetivo para o próximo ano é correr a Maratona da Praia Grande.
Visão de futuro: spoilers da Blue70
Fábio Fraga compartilhou em primeira mão as próximas novidades da Blue70. O primeiro spoiler é o lançamento do trissuit, um macaquinho de triatlo de alta performance, com forro italiano, zíper YKK, tecido de cerâmica aerodinâmico e soluções inovadoras para necessidades fisiológicas de homens e mulheres. O lançamento está previsto para os eventos Ironman de Curitiba ou Brasília deste ano.
O segundo spoiler amplia a estratégia de test-drives: além da parceria com a Care Club para testes em Endless Pool, haverá bermudas para alunos e a disponibilidade de pé de pato e óculos para experimentação na piscina. Por fim, o terceiro e mais ambicioso spoiler é a inauguração da nova loja da Blue70 entre abril e maio. O espaço, que terá aproximadamente 200 m² (contra os atuais 27 m²), será um hub completo em Moema, perto da Visual Bike, com estacionamento e todos os produtos Blue70, além dos bonés da Boco (melhor boné do mundo e licenciado exclusivo da Blue70 no Brasil). Fábio promete que a nova loja trará conceitos e soluções inéditas no mercado mundial.
O papel essencial de Leda na Blue70
Ao finalizar, Fábio fez questão de enaltecer a parceria com sua esposa, Leda Fraga, a quem atribui grande parte do sucesso da Blue70 no Brasil. Leda é a força por trás da organização, do apoio emocional e da parte operacional, desde a montagem de estandes até a gestão de vendas e emissão de notas fiscais. Fábio descreve-a como o “cérebro” da Blue70, essencial para equilibrar o ímpeto inovador com a cautela necessária, fazendo dela co-responsável pela identidade e crescimento da marca no país.