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A evolução da corrida e do triatlo com Marcos Paulo Reis

Pioneiro das assessorias no Brasil analisa a mudança no perfil dos atletas, o excesso de métricas e a falta de ídolos.

Marcos Paulo Reis revisitou a história do endurance brasileiro no Café com Tri. O treinador debateu a transformação do mercado, o impacto da tecnologia no atleta amador e os desafios na formação de novos talentos.

Fundador da MPR Assessoria e uma das figuras centrais na estruturação do endurance nacional, Marcos Paulo Reis participou do Café com Tri para resgatar a memória das corridas de rua e do triatlo no país. Em um bate-papo descontraído com Beto Nitrini, Sérgio Magalhães e Wagner Spadotto, Marcão traçou um panorama de como o esporte deixou de ser restrito a pequenos grupos de apaixonados para se transformar em um movimento de massa.

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Da raiz ao movimento de massa

Ao relembrar os primórdios, Marcos Paulo destacou iniciativas pioneiras como a Maratona do Rio nos tempos do Jornal do Brasil, Flávio Berring, o surgimento da Corpore em São Paulo e as primeiras etapas do circuito Lubrax e dos Amigos do Triatlo. Naquela época, o público que procurava uma assessoria esportiva buscava quase exclusivamente orientação técnica para competir. Hoje, o cenário se horizontalizou: a corrida tornou-se uma ferramenta de socialização, estilo de vida e pertencimento comunitário.

Com essa democratização, o perfil do praticante amador também mudou drasticamente. Enquanto os atletas do passado chegavam com alguma bagagem motora da juventude e aceitavam a disciplina rígida das bordas de piscina e pistas, o praticante atual frequentemente busca no treinador um ponto de apoio emocional e um espaço de convivência, demandando dos técnicos uma postura mais acolhedora e pedagógica.

A evolução da corrida e do triatlo com Marcos Paulo Reis

O perigo dos números e a armadilha da comparação

Apesar dos avanços em tecnologia, monitores cardíacos, medidores de potência e plataformas de análise, Marcão alertou para o perigo de o atleta amador se tornar dependente de métricas. Para o treinador, o excesso de dados muitas vezes cria uma bengala psicológica que impede o corredor de desenvolver percepção subjetiva de esforço e a capacidade de 'fazer força' por conta própria.

Outro ponto crítico levantado foi a comparação constante gerada pelas redes sociais. Segundo Marcos Paulo, a busca por validação externa e a cobrança estética ou de ritmo têm gerado frustração desnecessária em praticantes amadores. O treinador defendeu que cada indivíduo deve respeitar seus próprios limites e objetivos, seja correr em busca de tempo, seja apenas para cruzar a linha e brindar com os amigos.

O vazio na formação de ídolos nacionais

A conversa também abordou o contraste entre a explosão do número de amadores e a escassez de corredores de elite com marcas expressivas no Brasil contemporâneo. Marcão e Wagner apontaram que a cultura esportiva nacional não oferece sustentação após os 17 ou 18 anos, momento em que jovens talentos abandonam as pistas por falta de apoio financeiro e bolsas universitárias estruturadas.

A ausência de referências do calibre de Vanderlei Cordeiro de Lima, Marílson Gomes dos Santos ou Joaquim Cruz impacta diretamente o ecossistema. Na visão do treinador, ter profissionais de alto nível competindo na ponta inspira a comunidade amadora a buscar excelência técnica e valoriza o esporte como um todo.

A pressa em pular etapas na maratona e no Ironman

Outro comportamento recorrente entre os novos praticantes é o desejo de estrear diretamente em provas longas, como os 42 km da maratona ou o Ironman, sem antes consolidar uma base sólida em distâncias mais curtas. Marcão reforçou que provas de 5 km e 10 km na corrida, bem como o triatlo sprint e olímpico (como o tradicional Internacional de Santos e o Troféu Brasil), são fundamentais para desenvolver mecânica, eficiência e inteligência tática.

Finitude e o valor além da linha de chegada

No quadro final, Marcão refletiu com franqueza sobre o envelhecimento, o medo da finitude e a importância de equilibrar a rotina intensa de trabalho com a convivência familiar. Para o treinador, completar uma prova deve ser sempre celebrado como uma vitória pessoal e de saúde, lembrando que a essência do esporte está no bem-estar e na alegria de estar vivo.

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