Eduardo Sirtoro estreia na elite no Ironman 70.3 Curitiba
Conhecido como Pedala Edu, o triatleta detalha a transição para o profissional, a rotina de treinos e a leitura da prova.
Em sua estreia no pelotão profissional durante o Ironman 70.3 Curitiba, Eduardo Sirtoro fala sobre o salto de intensidade nos treinos e as mudanças na dinâmica de prova. O atleta também analisa o percurso de ciclismo e a rotina equilibrada entre esporte e empreendedorismo.
A transição das categorias amadoras para o pelotão profissional exige uma reconfiguração completa na rotina e na mentalidade de um atleta. Prestes a alinhar na largada do Nubank Ultravioleta Ironman 70.3 Curitiba, Eduardo Sirtoro — amplamente conhecido na comunidade do endurance como Pedala Edu — oficializou sua estreia na elite nacional.
A decisão de subir de categoria começou a ser desenhada no segundo semestre do ano anterior. Sob a orientação do treinador Rafa, a preparação exigiu uma subida progressiva de volume, com semanas de treino que chegaram a picos de 27 e 28 horas. Para Sirtoro, o objetivo principal nesta temporada inaugural não é a pressão imediata por colocações, mas a absorção de ritmo em um calendário planejado de 8 a 10 provas focadas no aprendizado.
A dinâmica da elite e o ritmo de largada
No triathlon profissional, a leitura tática difere radicalmente do pelotão amador. Enquanto nas faixas etárias é comum ditar o próprio ritmo em faixas preestabelecidas de potência e frequência, na elite a disputa impõe ritmos extremos logo nos primeiros metros.
A natação, em especial, obriga o atleta a sustentar velocidades elevadas por longos períodos para não perder o contato com os grupos principais. O foco da temporada é justamente aprender a suportar essa exigência fisiológica e assimilar o comportamento do pelotão profissional.
Rotina, trabalho e o esporte como ecossistema
Lidar com o volume de treinos da elite exige conciliar recuperação, trabalho e vida pessoal. Ao deixar para trás a mentalidade tradicional de horários fixos do modelo CLT, Edu passou a enxergar suas atividades como um ecossistema integrado: a gestão de seus projetos e assessorias esportivas caminha junto com os compromissos de atleta e a atenção à família.
Nesse cenário, o descanso e o sono ganham status de trabalho indispensável, compondo a estrutura que viabiliza a recuperação entre as rampas mais pesadas de carga de treinamento.
Desafios técnicos no percurso de Curitiba
O percurso do Ironman 70.3 Curitiba traz particularidades importantes. Na represa, a água limpa e em temperatura amena garante boas condições para a primeira etapa. Já o ciclismo apresenta características desafiadoras, com subidas e relevo do tipo rolling hills.
Com histórico no extreme triathlon e afinidade por trechos com elevação, Edu destaca a importância da eficiência mecânica e da técnica. Em circuitos com essas características, mais do que gastar energia em excesso, o diferencial está na capacidade de conectar as descidas com velocidade para entrar nas subidas consumindo menos energia. O atleta, inclusive, alinha na prova com uma bicicleta emprestada após imprevistos mecânicos com seu equipamento de contrarrelógio, cenário em que as subidas e variações de ritmo ajudam a compensar a menor permanência na posição aerodinâmica do clipe.
Representatividade feminina no endurance
Com a prova coincidindo com a semana do Dia Internacional das Mulheres, o triatleta destacou a força das atletas femininas nas modalidades de longa distância. O apoio familiar, representado pela presença de sua mãe e de sua esposa Isa, reflete um ambiente inclusivo que ele também busca aplicar no dia a dia esportivo — onde sua assessoria conta com 52% de presença feminina e equilíbrio entre homens e mulheres no corpo técnico.