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Edu Suzuki analisa o cenário dos tênis chineses no Brasil

O fundador do Tênis Certo compartilha sua visão sobre a qualidade, o preço e os desafios de mercado para as marcas asiáticas.

No Stemma China, Edu Suzuki, fundador do Tênis Certo, mergulha no universo dos tênis de corrida chineses. Ele aborda a evolução da qualidade, os desafios de importação e a percepção dos consumidores brasileiros. Uma análise aprofundada para entusiastas do esporte.

Recebemos Edu Suzuki, sócio-fundador do Tênis Certo, o maior canal de review de tênis de corrida do mundo, para uma conversa aprofundada no podcast Stemma China. Ao lado dos hosts Fábio Bessa e Carlos Gueiros, Edu compartilhou sua vasta experiência e visão sobre o crescente impacto dos tênis chineses no mercado global e, principalmente, no Brasil.

A discussão girou em torno de como os modelos chineses estão desmistificando a associação de preço baixo com baixa qualidade, e como o cenário de performance e tecnologia está se equiparando ou até superando marcas tradicionais.

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Tênis Certo e a Chegada dos Chineses

Edu Suzuki explicou que a política do Tênis Certo é focar em reviews de tênis vendidos oficialmente no Brasil. Mesmo com a restrição, o canal já acumula reviews de diversas marcas chinesas, como a 361 (com o Sensation 2 e Bio Speed, e posteriormente outros 10 modelos), Xiaomi (Mijia Energy, um smart tênis ultra barato), Xtep, Li-Ning, Anta e Dynafit. Carlos Gueiros fez um levantamento detalhado, mostrando a evolução e o número de modelos chineses abordados pelo canal.

A entrada dessas marcas no radar do Tênis Certo, em grande parte, ocorreu através de eventos como o The Running Event, nos EUA, onde as marcas chinesas buscam influenciadores para apresentar seus produtos. Edu menciona a curiosidade dos chineses em relação ao número de seguidores no Brasil, mas ressalta que o Tênis Certo, mesmo com números diferentes dos gigantes chineses, é reconhecido como o maior canal de reviews do mundo, inclusive superando canais americanos.

Edu Suzuki analisa o cenário dos tênis chineses no Brasil

Qualidade e Tecnologia: Além do Preço

A qualidade dos tênis chineses tem sido uma grata surpresa para Edu. Segundo ele, nos últimos 12 meses, todos os modelos testados se destacaram pelo acabamento e materiais. Marcas chinesas estão integrando tecnologias avançadas, que antes eram vistas apenas em modelos top de linha de grandes marcas, em seus tênis de rodagem, demonstrando velocidade na implantação de inovações.

Outro ponto observado por Edu é a evolução no design. Modelos mais recentes apresentam silhuetas originais e logos mais estilizados, distanciando-se do visual "genérico" de outrora. Ele cita exemplos de espumas de alta performance como a Boom da Li-Ning e a Dynamic Foam PB da Xtep. A Xtep, inclusive, é uma marca que se destaca entre corredores rápidos na China, sendo a escolha da maioria dos atletas que fazem sub-3 em maratonas, mirando um nicho de performance.

O Desafio do Mercado Brasileiro

Apesar da qualidade, a entrada massiva dos tênis chineses no Brasil enfrenta barreiras significativas. Edu Suzuki acredita que o Brasil não está entre os principais mercados-alvo das marcas chinesas no momento, que estão mais focadas nos EUA. Os altos impostos, a complexidade da distribuição e a necessidade de grandes investimentos em marketing e presença física no país tornam o cenário desafiador.

A questão do preço é crucial no Brasil, onde o consumidor é sensível a este fator. Se incluirmos impostos, taxas de importação e custos de marketing, o tênis chinês pode perder sua competitividade. Edu exemplifica que, ao comparar um super tênis chinês de R$ 1.999 com um Puma Deviate Nitro Elite 4 de R$ 1.899, o peso da marca tradicional ainda é muito forte na decisão de compra, mesmo com qualidade similar.

A cultura brasileira de esperar promoções e a logística de pronta entrega são outros fatores que dificultam a penetração. Modelos "ponto cinco" (versões intermediárias anuais) lançados pelas marcas chinesas também seriam um desafio para o varejo tradicional, que precisa lidar com a coleção atual antes da chegada de uma nova.

Destaques Pessoais e Inovação

Entre os modelos que mais chamaram sua atenção, Edu cita o Dynafit Xiaonian, uma startup de Hong Kong com apenas dois anos de mercado, que ele considera um tênis leve e versátil, comparável ao Hoka Clifton ou Nova Blast. O super tênis da Peak também é elogiado, com uma pegada similar ao Vaporfly, porém mais firme. A 361, com modelos como Furious e Eleos, é destacada pela evolução contínua a cada coleção.

A estratégia "China plus one", onde empresas diversificam a produção para países como Camboja e Vietnã para contornar barreiras comerciais, também foi mencionada. A discussão abordou ainda o crescimento do mercado de tênis falsificados, um fenômeno preocupante que pode comprometer a saúde dos corredores, já que esses produtos não passam pelos estudos de biomecânica e laboratórios de pesquisa que as marcas sérias investem.

Futuro do Tênis Certo e Convite à China

Edu Suzuki comentou sobre a evolução do Tênis Certo, buscando formatos de conteúdo que vão além do review técnico, com uma abordagem mais pessoal e focada na experiência prática. O objetivo é promover um consumo consciente, questionando a necessidade de investir em super tênis para todos os corredores. O canal também investe em grupos de comunidade no Telegram (com mais de 380 mil membros) e WhatsApp, além de um novo site e aplicativo, consolidando sua presença digital.

A conversa finalizou com uma proposta ousada: organizar uma "Expedição China Tênis Certo Stemma" para entusiastas. A ideia seria visitar as sedes das empresas em Fujian, participar de feiras de esportes como a Canton Fair, e até correr uma maratona em Xangai, com o objetivo de vivenciar a cultura e o mercado local de tênis de corrida. Uma maneira única de explorar o universo dos tênis chineses, que, conforme Edu, logo será inevitável no Brasil.

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