Edson Santi e Achilles Brazil: Corrida Transforma Vidas PCD
Descubra a jornada de Edson Santi, presidente da Achilles Brazil, e como a corrida oferece liberdade e conexão social para pessoas com deficiência.
Edson Santi, presidente da Achilles Brazil, compartilha sua inspiradora trajetória de superação da poliomielite à participação em maratonas com handcycle. O episódio detalha a missão da Achilles Brazil em transformar PCDs em ACDs, através do esporte e do voluntariado. Conheça os pilares de dedicação e organização que movem essa grande família.
Neste episódio especial do Stemma Sports, Fábio Bessa e Thiago Kawamura recebem Edson Santi, presidente da Achilles Brazil. Edson compartilha sua notável jornada de vida, que culminou na liderança de uma organização dedicada a transformar a vida de pessoas com deficiência através da corrida e da conexão social.
A Virada de Chave de Edson Santi: Da Poliomielite à Liberdade
A história de Edson começa em 1960, em São Carlos, interior de São Paulo, quando contraiu poliomielite. Após 25 cirurgias e anos utilizando muletas, um diagnóstico médico o direcionou à cadeira de rodas. O que inicialmente parecia um retrocesso, logo se revelou um caminho para mais liberdade e mobilidade. Edson, que brinca com o termo "cadeiroso" (cadeirante idoso), descobriu a handcycle, que ele carinhosamente chama de "mandalar", por pedalar com as mãos.
Sua primeira experiência em uma prova de 10 km na Cidade de São Paulo foi desafiadora, mas despertou o gosto pela superação. Posteriormente, Edson conquistou as Maratonas de Nova Iorque e Berlim utilizando sua handcycle, uma experiência marcante que demonstrou o apoio fundamental de organizações como a Achilles International na infraestrutura para atletas com deficiência.
Achilles Brazil: Mais Que Esporte, Uma Família
Foi em 2010 que Edson teve seu primeiro contato com a Achilles Brazil, iniciando um "namoro" que o levaria à presidência. A missão da organização é clara: tirar as pessoas com deficiência de casa, oferecendo uma atividade esportiva e, principalmente, uma conexão social. Edson enfatiza que a corrida de rua vai além da prova; é sobre se doar e receber, formando uma verdadeira família onde a alegria e o apoio mútuo são evidentes.
A Achilles Brazil foca em transformar PCDs (Pessoas Com Deficiência) em ACDs (Atletas Com Deficiência), atendendo principalmente adolescentes e adultos. Embora a corrida seja o foco principal, a organização busca proporcionar um ambiente de crescimento e sociabilidade.
Construindo Pontes e Atletas: Voluntariado e Parcerias
O pilar da Achilles Brazil é o voluntariado. A organização possui um processo estruturado para a formação de guias, que inclui um "receptivo" para alinhar expectativas e um sistema de "5 pontos" (treinos e corridas) para certificação. Edson ressalta a importância do compromisso dos voluntários, que não se espera que tenham apenas vontade, mas disponibilidade para atuar, por exemplo, em treinos que começam cedo no Parque Ibirapuera ou Belém, atendendo à demanda dos atletas que dependem de transporte público.
Ao longo dos anos, a Achilles Brazil construiu relações sólidas com organizadoras de prova, como Track & Field e Iguana. De meros pedidos de cortesia, a relação evoluiu para parcerias baseadas em seriedade e confiança, onde a Achilles atua na seleção de participantes e garante inscrições para seus atletas. Essa evolução demonstra como a organização ganhou reconhecimento por sua organização e dedicação.
Superação e Humanização: Os Pilares da Achilles
Edson compartilha sua filosofia de vida e de liderança, pautada pela convicção de que "dar é melhor do que receber". Ele defende que o esporte é uma ferramenta poderosa para tirar as pessoas da inércia e oferecer uma plataforma de vida melhor, com mais sociabilidade e alegria. Ele é um crítico do "mimimi", incentivando a autonomia e a vontade de agir, uma postura que ele mesmo adotou ao longo de sua vida profissional, onde nunca dependeu de cotas, mas de sua própria garantia.
A Achilles Brazil busca humanizar as relações, compreendendo as necessidades individuais de cada atleta e voluntário. A organização não visa a explosão de números, mas sim a qualidade e o atendimento personalizado, cultivando um ambiente de amor e carinho que é a base para o sucesso e a transformação das vidas envolvidas.
A jornada de Edson Santi e o trabalho da Achilles Brazil são um testemunho de que a corrida é muito mais do que um esporte; é um caminho para a liberdade, a superação e a construção de laços sociais que transformam vidas para sempre. É a prova de que a vontade e a dedicação podem mover montanhas, ou, neste caso, cruzar linhas de chegada.