Daniel Krutman na China: Inovação Esportiva e o Futuro do Esporte
O CEO da Ticket Sports desvenda como a tecnologia chinesa redefine o cenário esportivo global.
Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, embarcou em uma missão tecnológica na China para desvendar as inovações que moldarão o futuro do esporte. Do Hyper Wi-Fi revolucionário ao uso de reconhecimento facial em eventos, o país asiático surpreende com sua abordagem única. Saiba como essa experiência pode transformar o triathlon e o endurance no Brasil.
No programa Stemma China, os hosts Fábio Bessa e Carlos Gueiros receberam Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, a maior tiqueteira de eventos esportivos da América Latina. Daniel compartilhou suas experiências e descobertas de uma recente viagem de negócios à China, focada em inovação e tecnologia aplicada ao esporte. A missão, organizada em parceria com a Arena Hub, teve como objetivo trazer lições e novas mentalidades para o setor esportivo brasileiro, especialmente no endurance.
Inovação Chinesa: Hardware, Não Software
Uma das observações mais marcantes de Daniel foi a diferença na filosofia de inovação chinesa: o foco é em hardware, não em software. Soluções como o Hyper Wi-Fi, um dispositivo capaz de fornecer internet de altíssima velocidade para centenas de milhares de pessoas em um raio de quilômetros, resolvem o problema de conectividade em arenas lotadas. Câmeras automatizadas com inteligência artificial (IA), capazes de filmar eventos esportivos em 8K, acompanhando a ação sem a necessidade de um operador, também exemplificam essa abordagem. A cultura chinesa tende a vender o produto como uma solução completa, sem a dependência de assinaturas ou manutenção contínua, uma grande diferença em relação ao modelo de software como serviço (SaaS) ocidental.
O Futuro das Inscrições: Reconhecimento Facial e Robôs Pacers
No setor de ticketing, Daniel avaliou que a tecnologia da Ticket Sports é comparável ou superior às plataformas chinesas, que frequentemente pecam em UX (experiência do usuário) e usabilidade. No entanto, a China avança rapidamente com o uso do reconhecimento facial como futuro das inscrições para eventos. Essa tecnologia pode substituir os números de peito, eliminando fraudes como a famosa "pipoca" (corredores não inscritos) e o mercado secundário de vendas.
Além disso, o uso de robôs no esporte é uma realidade. Robôs pacers, que poderiam organizar filas e até correr meias maratonas (havia relatos de 21K em 50 minutos), são vistos como uma poderosa ferramenta de propaganda da tecnologia chinesa. Drones e robôs humanoides podem até atuar em emergências médicas durante provas, realizando desfibrilações e oferecendo uma resposta mais rápida aos atletas. A complexidade de emular o movimento humano com robôs é um desafio que a China abraça como um teste definitivo para sua IA.
Cultura e Esporte: Individualismo e a Mão do Governo
A cultura chinesa tem um impacto direto no esporte. O forte individualismo e a busca pelo sucesso pessoal explicam a proeminência do país em modalidades individuais como badminton, tênis de mesa, natação e saltos ornamentais, em contraste com o desempenho em esportes coletivos. Essa mentalidade é reforçada por um sistema educacional competitivo, onde um único vestibular nacional define o futuro de milhões de jovens.
O governo chinês desempenha um papel crucial no fomento ao esporte, incluindo-o em seus planos quinquenais como uma prioridade nacional. Essa diretriz incentiva grandes empresas, como a gigante de tecnologia Huawei, a investir em divisões esportivas, visando não apenas o aperfeiçoamento de produtos (como wearables) mas também a melhoria da saúde pública e a redução de custos com saúde. No mercado de material esportivo, marcas como Anta e Li-Ning se destacam pela qualidade, preço competitivo e por serem parte do estilo de vida local, com tênis de corrida sendo usados no dia a dia.
Dados, Saúde e o Desafio da Privacidade
A centralização de dados pelo governo chinês abre caminho para iniciativas inovadoras em esporte e saúde. A possibilidade de usar dados de wearables para monitorar a saúde dos atletas, prever riscos e até oferecer benefícios em inscrições de provas foi discutida. Essa abordagem, no entanto, contrasta com a sensibilidade à proteção de dados em países como Brasil e Europa, onde a LGPD impõe barreiras significativas. Daniel Krutman ressaltou a importância de conscientizar os atletas sobre a saúde, em vez de criar regras que barrem o acesso à prática esportiva, como a obrigatoriedade de atestados médicos que podem dificultar a participação de muitos.
Ao final do episódio, Daniel enfatiza que a China é uma "nação de engenheiros com dinheiro sem ter que priorizar nada", o que permite uma abundância de inovação. A viagem de Daniel Krutman ofereceu uma visão fascinante sobre o futuro do esporte e da tecnologia, com valiosas reflexões sobre cultura, inovação e o potencial para transformar o cenário de provas de endurance e triathlon em todo o mundo. Não deixe de conferir os outros episódios do Stemma China e participar da promoção comentando com #BondeDaChina para concorrer a R$1.000 em inscrições da Ticket Sports!