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Daniel Costa e os bastidores dos tênis da ASICS

Diretor de produtos para a América Latina detalha inovações da marca, linha Blast e sua própria trajetória nas maratonas.

Daniel Costa, diretor de produtos da ASICS na América Latina, revela como funcionam os lançamentos da marca japonesa e a criação de modelos icônicos como o Superblast. Ele também compartilha sua transição de baterista a executivo do esporte e sua evolução como maratonista.

Dos palcos da música aos centros de inovação tecnológica do esporte mundial, a trajetória de Daniel Costa é marcada por decisões arrojadas. Diretor de Produtos da ASICS para a América Latina, o executivo construiu uma carreira sólida na indústria esportiva após vender seus instrumentos musicais para estudar inglês no exterior. Em conversa no Stemma Podcast, Daniel abriu os bastidores do desenvolvimento de calçados, explicou as nuances do portfólio da marca japonesa e compartilhou sua própria jornada na corrida de rua.

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A revolução dos super tênis de treino e a linha Blast

Um dos temas centrais foi a evolução do conceito de calçados de alta performance sem placa rígida, que inaugurou a categoria de super treinos no mercado global. O destaque recente fica por conta do ecossistema Blast, que nasceu com o Novablast trazendo retorno de energia e leveza, e se expandiu para atender diferentes perfis de corredores.

Segundo Daniel, modelos como o Superblast combinam as espumas mais avançadas dos tênis de elite — como as famílias FF Blast e os compostos aplicados na linha Metaspeed — em uma geometria com stack height elevado e excelente durabilidade. Essa configuração entrega responsividade e absorção de impacto sem a exigência muscular excessiva que as placas de carbono podem impor a determinados atletas no cotidiano de treinos.

Daniel Costa e os bastidores dos tênis da ASICS

Do laboratório de Kobe às edições especiais brasileiras

A criação das tecnologias da ASICS nasce no Institute of Sport Science (ISS), localizado em Kobe, no Japão. O centro realiza mapeamentos biomecânicos, estudos fisiológicos e testes de materiais com foco em performance e prevenção de lesões antes que a produção seja descentralizada globalmente.

Além do catálogo global, a equipe liderada por Daniel desenvolve projetos adaptados à cultura local. O time estruturou cápsulas e modelos comemorativos para provas clássicas do calendário nacional, como a Maratona da São Silvestre e o circuito ASICS Golden Run, além de colaborações históricas com a Senna Brands e marcas de lifestyle como a Pace, que reinterpretou o clássico Gel-Kayano.

Como escolher: os cinco pilares de calçados da marca

Para ajudar o corredor a navegar pela variedade de modelos, o executivo detalhou como a ASICS organiza sua linha de corrida de rua e trilha em cinco grandes pilares funcionais:

  • Amortecimento e conforto: modelos icônicos como Gel-Nimbus e Gel-Cumulus, voltados para rodagens com máxima absorção de impacto.
  • Estabilidade: calçados estruturados para controle biomecânico e pronação, liderados pelo Gel-Kayano e pelas séries GT-1000 e GT-2000.
  • Retorno de energia: a linha Blast (Novablast, Dynablast, Superblast e Megablast), focada em dinamismo, leveza e propulsão diária.
  • Competição (Racing): tênis de placa para alta velocidade, como a família Metaspeed (Sky, Edge e Ray) e o Magic Speed.
  • Trail running: modelos como Trabuco, Sonoma, Venture e o inovador Metafuji Trail, que introduziu a placa de carbono nas trilhas técnicas.

Da bateria ao SAC até a liderança executiva

Antes de ingressar no universo corporativo, Daniel atuava como professor de bateria e músico profissional. A virada ocorreu quando decidiu vender todo o seu equipamento musical para financiar um intercâmbio de estudos na Austrália, aprendendo inglês fluente.

Sua porta de entrada na indústria do calçado foi no serviço de atendimento ao consumidor (SAC) da Nike, analisando devoluções e defeitos de fábrica. A experiência no contato direto com o produto abriu espaço para atuar com treinamento técnico de lojistas, passando posteriormente por outras gigantes como Puma e Adidas antes de assumir a gestão de produtos na ASICS, onde completou oito anos de casa.

Superação de lesão e o desafio dos 42 km

A corrida entrou de forma definitiva na vida de Daniel Costa como ferramenta de reabilitação. Após sofrer uma extrusão de hérnia de disco em 2018 com perda motora temporária no membro inferior, ele encontrou na caminhada e na corrida de rua o caminho para a recuperação funcional.

A estreia em maratonas aconteceu em Amsterdã (2023), sob condições severas de chuva e frio. Desde então, Daniel completou maratonas em Tóquio, Reykjavík (Islândia), Rio de Janeiro e San Antonio. A prova no Rio de Janeiro marcou um momento de profunda superação pessoal e equilíbrio emocional após o falecimento de seu pai, fechando um ciclo simbólico de persistência e conexão com o esporte.

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