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Corrida de trilha e o poder de correr junto com Marina Ferrari

Criadora do Corre Junto explica por que a montanha exige humildade e como a corrida ganha força quando é compartilhada.

A jornalista e corredora Marina Ferrari compartilha sua transição do asfalto para a montanha e discute os aprendizados do trail running. Em conversa descontraída, ela detalha a criação do Corre Junto e o impacto de resgatar a conexão comunitária no esporte.

Migrar do asfalto para a trilha vai muito além de trocar o tênis de amortecimento clássico por um solado com cravos. A mudança exige uma transformação completa de mentalidade: o relógio perde o papel de juiz implacável do ritmo, o terreno passa a ditar as regras e a autopercepção do esforço ganha protagonismo. Foi essa jornada de descoberta que a jornalista esportiva Marina Ferrari compartilhou ao lado de Mariana Real e Marcela Fanti no Girls Who Run, desmistificando o universo das montanhas e apresentando a proposta do movimento Corre Junto.

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Da bancada da TV para as trilhas da Floresta da Tijuca

Com passagens marcantes pela TV Bandeirantes e pelo Fox Sports, cobrindo Copas do Mundo e Jogos Olímpicos, Marina encontrou na corrida uma válvula de escape para a rotina intensa das transmissões ao vivo. O esporte começou de forma despretensiosa na esteira por volta de 2012, evoluiu para provas de rua e meias maratonas até a mudança para o Rio de Janeiro em 2013.

Em 2018, por indicação de um professor de academia, conheceu o treinador Manuel Lago, ultramaratonista com forte atuação nas trilhas cariocas. O primeiro contato com os caminhos da Floresta da Tijuca, entre subidas íngremes e descidas técnicas perto da Vista Chinesa e da Pedra da Proa, foi definitivo. Mesmo encarando o primeiro treino com calçado de asfalto e pouca técnica, a conexão com a natureza e o desafio do percurso mudaram seus rumos no esporte.

Corrida de trilha e o poder de correr junto com Marina Ferrari

O que a montanha ensina (e o asfalto esconde)

Para Marina, a principal lição da corrida em ambiente natural é a necessidade de calçar a 'sandália da humildade'. Em trilhas de montanha, fatores como altimetria acumulada, instabilidade do solo e mudanças bruscas de clima tornam inviável manter a métrica de pace fixo do asfalto. Uma distância de 10 km ou 21 km na montanha demanda um tempo de esforço consideravelmente maior do que no plano.

Essa dinâmica exige treinar especificidades que costumam passar longe das planilhas tradicionais de rua. O power hiking — a caminhada forte e ritmada com postura adequada nas subidas íngremes — é parte essencial da preparação e recruta cadeias musculares diferentes do trote contínuo. Em provas desafiadoras, como as maratonas que Marina completou na Patagônia chilena (Patagonia International Marathon e Ultra Paine), a gestão de energia, hidratação autônoma e atenção permanente a cada pisada são os verdadeiros pilares de sustentação.

Onde treinar trilha em São Paulo e dicas de segurança

O retorno a São Paulo exigiu mapear novas rotas para a prática fora do asfalto. Entre as opções na capital e arredores, destacam-se o Pico do Jaraguá (com a desafiadora Trilha do Pai Zé e opções mais curtas como a Trilha da Bica e do Silêncio), o Parque Alfredo Volpi para treinos de ritmo com variação de relevo, o Parque Burle Marx, o Parque Anhanguera, o Voturuna Life Park e os circuitos na região da Serra da Mantiqueira e de Jundiaí.

Para quem está começando, Marina recomenda nunca desbravar trilhas desconhecidas de forma solitária. Além do planejamento logístico de deslocamento, ter companhia — seja por meio de grupos, assessorias ou amigos experientes — garante socorro ágil em caso de torções, falta de sinal de celular ou imprevistos com a fauna local.

Corre Junto: conexão real contra a obsessão pelo pace

Diante de um cenário em que a corrida de rua frequentemente se torna refém da busca individual por tempos e números em planilhas, nasceu o Corre Junto. O projeto une comunicação de conteúdo (com artigos técnicos, colaborações da comunidade e o podcast Clube do Corre) a experiências presenciais de imersão esportiva, idealizadas ao lado de Manuel Lago, da nutricionista Gláucia Lippel e da fisioterapeuta Fernanda Rizzo.

As imersões, realizadas em locais como o Parque Estadual de Campos do Jordão e na Serra da Mantiqueira — além de treinos sociais urbanos em São Paulo —, priorizam o acolhimento. Com a presença de 'fecha-trilhas' para assegurar que ninguém fique para trás e momentos de reagrupamento constante, a iniciativa prova que a corrida se torna muito mais rica quando utilizada como ferramenta de encontro, segurança coletiva e convivência.

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