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Como o endurance moldou a carreira e a vida de Lívia Moura

Empresária e ex-ciclista reflete sobre transição de carreira, rotina com cinco filhos e nova visão sobre alta performance.

Em conversa aberta, Lívia Moura compartilha os aprendizados das provas mais duras do ciclismo amador, a coragem de empreender e o desafio de equilibrar a vida profissional com a maternidade de cinco filhos. Ela explica como o esporte de resistência se tornou a base para gerenciar crises e manter a resiliência diária.

No esporte de resistência, a linha entre superar limites e aprender a conviver com o desconforto é muito tênue. Para a empresária Lívia Moura, fundadora da clínica Livskin, a experiência acumulada em anos de treinos intensos e provas extremas de ciclismo de estrada tornou-se o principal alicerce para enfrentar as montanhas-russas do empreendedorismo e a complexidade de criar cinco filhos.

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A escola do pelotão e o teste das grandes altimetrias

A trajetória de Lívia no endurance começou pela corrida e por provas de triatlo, mas foi no ciclismo de estrada que ela encontrou sua verdadeira paixão pelas longas distâncias. Ao lado de seu marido, Roberto, triatleta experiente, ela aprendeu a dosar esforço, treinar com métricas de potência e sustentar o ritmo em pelotões exigentes, acumulando participações em edições do L'Étape du Tour e vitórias marcantes, como na prova VO2 na Serra do Piolho.

O maior teste sobre duas rodas aconteceu na Haute Route Dolomitas 2017, uma das ultramaratonas amadoras mais duras do mundo, com sete dias consecutivos de altimetria severa entre Innsbruck e Veneza. Enfrentando uma lesão muscular a partir do terceiro dia, Lívia concluiu o percurso amparada por planejamento minucioso e suporte familiar — descobrindo mais tarde que já estava grávida dos filhos gêmeos durante o desafio.

Como o endurance moldou a carreira e a vida de Lívia Moura

Da estabilidade corporativa ao desafio dos negócios

Antes de liderar seu próprio negócio, Lívia construiu uma carreira sólida de 12 anos no mercado corporativo, atuando na gestão de fundos florestais e no setor de energia renovável. A decisão de abrir mão da estabilidade salarial para empreender no setor de estética médica e dermatologia nasceu da busca por autonomia e da vontade de acompanhar de perto o crescimento dos filhos.

A empresária compara a rotina de gerir uma empresa a uma montanha-russa sem cinto, exigindo a mesma capacidade de suporte ao processo aprendida nos pedais. A habilidade de transitar rapidamente entre problemas operacionais e decisões estratégicas foi forjada na resiliência do esporte, permitindo que a clínica completasse dez anos de atuação consolidada.

Escolhas, maternidade e a transição para a corrida

A rotina familiar com cinco filhos — as enteadas Carol e Manu, a primogênita Valentina e os gêmeos — impôs a necessidade de escolhas claras de tempo. O alto volume de treinos exigido pelo ciclismo de alta performance, que chegava a 20 horas semanais nos picos de preparação, tornou-se incompatível com o cuidado dos filhos pequenos e com a gravidez gemelar de alto risco.

Para manter o esporte na rotina sem comprometer a convivência familiar, a corrida de rua surgiu como uma alternativa eficiente em tempo. Treinando nas primeiras horas da madrugada, antes de as crianças acordarem, Lívia migrou para os 42 km e hoje soma quatro maratonas oficiais concluídas, mantendo a disciplina do endurance como ferramenta de equilíbrio mental.

Redefinindo o conceito de alta performance

Com o passar dos anos, a busca obsessiva por baixar tempos em provas deu lugar a uma definição mais madura e sustentável de rendimento. Hoje, Lívia enxerga a alta performance como a capacidade de equilibrar com excelência os compromissos que assume — nos negócios, na presença ativa com a família e nos projetos sociais —, respeitando as fases de maior sobrecarga.

Quando a mente atinge o limite do esgotamento, pequenas pausas estratégicas e caminhadas ajudam a reorganizar as prioridades do dia. O esporte segue cumprindo seu papel mais profundo: não como uma obrigação de pódio, mas como um mantra de autoconhecimento e uma certeza inegociável de que qualquer tempestade é passageira.

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