Como funciona o antidoping olímpico: bastidores da Rio 2016
Denise Prado detalha a atuação como oficial de controle de dopagem no megaevento e as regras rígidas com os atletas.
Com certificação nacional e internacional, Denise Prado atuou como agente antidoping nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Em conversa no Natação Stemma, ela detalha a rotina da sala de coleta, os protocolos de testagem e as regras com grandes estrelas do esporte.
Atuar nos bastidores de uma Olimpíada exige uma rotina técnica rigorosa e discrição absoluta, especialmente na área de integridade esportiva. Há dez anos atuando como DCO (Doping Control Officer), Denise Prado carrega no currículo a experiência de ter trabalhado diretamente nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. A função exige aprovação em cursos e provas específicas, além de reciclagens periódicas, contando com credenciamento pela ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) e pela ITA (International Testing Agency, sediada na Suíça).
A rotina na sala de coleta e os Jogos de 2016
Durante o evento no Rio de Janeiro, o trabalho envolveu a coleta de amostras — majoritariamente de urina, além de exames de sangue — de atletas selecionados por critérios prévios ou sorteio. Além das provas de natação, Denise atuou em modalidades diversas, como atletismo, judô e na final do vôlei de praia. Pela sala de controle passaram grandes medalhistas e campeões mundiais, momento em que o protocolo profissional precisa ser mantido à risca: é expressamente proibido pedir autógrafos, registrar fotos ou quebrar a postura técnica com os competidores.
Janelas de disponibilidade e protocolos fora de competição
Além da atuação em grandes competições, os agentes antidoping operam no monitoramento contínuo dos atletas. No sistema de controle, os competidores precisam registrar previamente suas janelas diárias de disponibilidade e localização — muitas vezes indicando horários no início da manhã, entre 5h e 6h, para que possam ser encontrados para testagens surpresa. Em sua rotina como oficial, Denise costuma atuar principalmente em missões de fim de semana e em esportes coletivos, como no futebol.
A passagem pelos eventos olímpicos também rendeu histórias nos eventos-teste, como no Desafio de Maratona Aquática no mar carioca. Em tom descontraído durante o episódio do Natação Stemma — que também abordou temas de pedagogia e ensino aquático —, Denise e o apresentador Samir Barel relembraram os desafios enfrentados pela equipe nos barcos de apoio, lidando com o balanço do mar aberto antes das disputas oficiais.