Curated
Voltar S @stemma 3 min de leitura
sports

Ciclismo no Ironman 70.3 SP: André Lopes e a gestão tática

No Café com Tri, triatleta profissional explica o custo de buscar o pelotão e a dinâmica de potência na bike.

No Café com Tri, André Lopes analisa as exigências táticas do ciclismo no Ironman 70.3 São Paulo. O atleta detalha o gasto de energia para alcançar o grupo da frente e o contraste entre o ritmo reativo do pelotão profissional e a constância do amador.

Diferente da prova amadora, em que o atleta busca sustentar uma potência linear previamente planejada, o ciclismo no pelotão profissional exige leitura tática constante e tomadas de decisão reativas. No Café com Tri, da Stemma Sports, o triatleta profissional André Lopes detalhou como a dinâmica de prova e imprevistos na largada alteram completamente a gestão de esforço durante os 90 km de bicicleta do Ironman 70.3 São Paulo.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

O custo de caçar o pelotão na Marginal

Após uma etapa de natação turbulenta e uma transição com erro de trajeto na rotatória da USP, André começou o pedal com uma desvantagem de cerca de 30 segundos em relação ao grupo da frente. Em uma prova desse nível, esse intervalo obriga o competidor a queimar cartuchos logo no início para não perder o contato com a disputa.

Para alcançar o segundo grupo na Marginal Pinheiros — o que levou cerca de 30 minutos e foi concretizado por volta do km 20 —, André precisou sustentar números próximos a 300 watts. Por ser um atleta leve, esse esforço inicial cobrou um preço alto. Ao alcançar os adversários, o cenário tático já era desafiador: Reinaldo Colucci estava escapado na liderança, forçando André a assumir a ponta do grupo perseguidor para evitar que a diferença chegasse a sete ou oito minutos.

Ciclismo no Ironman 70.3 SP: André Lopes e a gestão tática

Economia de watts e a fiscalização de vácuo

Estar posicionado dentro do grupo permite uma economia expressiva de energia: ao rodar resguardado respeitando a distância, a potência exigida caiu para cerca de 220 watts — uma redução de 80 watts em relação à caçada inicial. Contudo, sem a colaboração dos demais atletas para neutralizar a fuga, André precisou voltar à frente e sustentar cerca de 280 watts, puxando competidores que se pouparam para a corrida a pé.

A conversa também abordou a fiscalização dos 20 metros de distância regulamentar no ciclismo profissional. André comentou a falta do sistema Race Ranger nas etapas nacionais — sensor eletrônico instalado na bicicleta que acende luzes para indicar a aproximação indevida — e relatou ter alertado a arbitragem sobre infrações de vácuo durante a prova, resultando em penalizações aplicadas a competidores que não mantinham o espaçamento devido.

Pro versus amador: prova reativa contra ritmo linear

O debate destacou o contraste evidente entre o circuito profissional e o amador. Enquanto o amador executa uma prova contra o relógio, focada em metas prévias e potências estáveis (como ilustrado pelo apresentador Beto Nitrini, que manteve uma potência normalizada de aproximadamente 235 watts sem oscilações bruscas), o profissional precisa reagir a cada fuga e ataque.

Segundo André, um deslize de 30 segundos na transição pode definir a vitória ou a derrota na elite, pois obriga o triatleta a exceder seus limiares de potência para reconectar ao pelotão, transformando a gestão de esforço em um xadrez de alta intensidade.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma