Raia da USP vs. mar aberto: os desafios da natação no triatlo
André Lopes analisa o impacto da água doce, uso de wetsuit e a largada tensa no Ironman 70.3 São Paulo.
Nadar em água doce ou no mar aberto muda a dinâmica do triatlo. No Café com Tri, André Lopes explica como a flutuação, a roupa de borracha e a navegação influenciam o desempenho dos profissionais.
Entre atletas amadores de triatlo, a comparação é frequente: nadar em águas calmas e doces, como na Raia Olímpica da USP, parece exigir mais esforço e ter uma água mais "pesada" do que o mar aberto. No entanto, no pelotão profissional, a percepção varia conforme as características técnicas e a experiência de cada competidor.
O impacto da flutuação e o papel do wetsuit
Para André Lopes, o rendimento na água depende diretamente do tipo de prova e das regras de vestimenta. O triatleta destaca que tem seus melhores desempenhos em água salgada e sem roupa de borracha (wetsuit). Por já possuir uma boa posição corporal e flutuabilidade natural na água, nadar sem a roupa de neoprene preserva a sua vantagem técnica sobre os adversários, já que o wetsuit tende a nivelar o nível da natação entre os competidores.
O aperto na Raia da USP e a navegação no mar
Mesmo em condições que teoricamente pareciam favoráveis, como o percurso reto e abrigado da Raia da USP, fatores externos podem transformar a natação em um desafio extremo. André relatou que a largada no escuro gerou tumulto no início da prova: após ser empurrado e engolir água, enfrentou uma crise de pânico que não sentia há cerca de oito anos, chegando perto de abandonar a disputa antes de se recuperar.
A familiaridade com o mar também dita o conforto na água. Com histórico no surfe, André prefere disputas em mar aberto, onde encontra maior facilidade de orientação e navegação — um cenário em que atletas acostumados exclusivamente ao ritmo de piscina costumam sentir mais dificuldade.