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Carboidrato: Combustível ou Vilão no Endurance? Dra. Bárbara Silva Explica

Descubra como atletas de alta performance gerenciam a ingestão de carboidratos para maximizar desempenho e evitar o REDS.

Neste episódio do Stemma Performance, Bruna Mahn recebe a Dra. Bárbara Silva para desmistificar o papel do carboidrato no esporte de endurance. Entenda por que este nutriente é crucial para performance e recuperação, e como uma nutrição inadequada pode comprometer a saúde do atleta. A Dra. Bárbara, maratonista e endocrinologista, compartilha sua visão sobre o equilíbrio entre teoria e prática.

No mais recente episódio do Stemma Performance, diretamente do Ironman Brasil, a apresentadora Bruna Mahn recebe a Dra. Bárbara Silva para um bate-papo essencial sobre o papel dos carboidratos para atletas de endurance. Com 14 maratonas e diversas ultramaratonas no currículo, além de ser endocrinologista e nutróloga, a Dra. Bárbara oferece uma perspectiva única, combinando o conhecimento científico com a experiência prática, abordando desde a natação até o desafio de ser uma "Ironman wife".

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Carboidrato: O Combustível Essencial para o Endurance

A Dra. Bárbara enfatiza que o carboidrato é a principal fonte de energia em exercícios de longa duração. Em seu consultório, atende muitos atletas, especialmente corredores e triatletas, e percebe a importância de unir a teoria à prática nutricional. Para ela, o esporte de endurance é uma gestão de energia, onde a moeda de troca é o ATP (adenosina trifosfato). Atletas de ponta transitam em zonas de intensidade onde o carboidrato é o único substrato energético eficiente, crucial para manter a performance do início ao fim.

Contrariando mitos, o carboidrato é fundamental não só para o desempenho, mas também para o treino e a recuperação. Treinar forte gera microlesões que o corpo adapta para subir de nível; sem carboidrato suficiente, a recuperação é comprometida, impedindo a adaptação e o progresso. A necessidade é individual, variando de atleta para atleta, e requer avaliação e planejamento precisos.

Carboidrato: Combustível ou Vilão no Endurance? Dra. Bárbara Silva Explica

Desmistificando o Carboidrato e o Perigo do REDS

Um dos maiores mitos abordados é o medo de consumir carboidratos por receio de engordar. A Dra. Bárbara esclarece que o peso ideal e a performance são um balanço delicado. Restrições calóricas prolongadas, especialmente as crônicas, aumentam exponencialmente o risco de lesões, fadiga e REDS (Deficiência Energética Relativa no Esporte), levando à perda de performance. Embora a perda de peso possa inicialmente reduzir o VO2, existe uma linha tênue onde essa perda se torna negativa.

A estratégia de low carb pode ser válida, mas em períodos específicos, como o pré-ciclo ou fase de base, onde o atleta pode até ganhar um pouco de peso. É importante "ciclar o carboidrato", ajustando a ingestão conforme as fases do treinamento. Atletas que tentam competir sem carboidrato, ou que fazem dietas restritivas extremas, podem completar a prova, mas nunca atingirão seu potencial máximo de performance. O objetivo é estar "leve e forte", não "leve e fraco".

Treinando o Intestino: Uma Estratégia Crucial

Um desafio significativo para atletas de endurance é a adaptação intestinal, conhecida como training the gut. A Dra. Bárbara explica que os receptores intestinais (SGLT1 e GLUT5) funcionam como "portarias de estádio"; quanto mais desenvolvidos e em maior número, maior a capacidade de absorção de carboidratos. Estudos, como o com a Maurten e o maratonista Sebastian Saue, mostram que o treinamento intestinal aumenta a capacidade de absorção e reduz resíduos.

O intestino do atleta de endurance, especialmente corredores, sofre com o desvio de sangue para os músculos e o estresse mecânico, resultando em hipóxia e permeabilidade reduzida. Por isso, cuidar da saúde intestinal é primordial. O treinamento envolve dosar a ingestão de carboidratos e líquidos, aumentando gradualmente para que o corpo se adapte, minimizando o desconforto e prevenindo problemas gastrointestinais durante as provas.

A Complexidade da Vida do Atleta: Amador vs. Profissional

A rotina do atleta amador é particularmente desafiadora, já que muitas vezes ele não tem o tempo para descanso e recuperação que um profissional possui. As comparações com atletas de elite, que têm horários flexíveis, acesso a infraestrutura e menos estresse diário, podem ser desmotivadoras. A Dra. Bárbara ressalta que o atleta amador precisa gerenciar uma série de responsabilidades (trabalho, família) além do treino, tornando o "descansar como pro" quase impossível.

É fundamental que cada atleta compreenda suas próprias limitações e condições. A jornada do Ironman é um exemplo: um dia longo, com muitas variáveis, onde o "plano A, B e C" é essencial. A família, como no caso da Dra. Bárbara acompanhando o marido, também é parte integrante do desafio, exigindo compreensão e apoio. A transformação no endurance não é apenas física, mas também mental e pessoal, um verdadeiro aprendizado sobre si mesmo.

Sinais de Alerta de Déficit Energético e o Efeito Rebote

A Dra. Bárbara também alerta para os perigos do uso indiscriminado de "canetas emagrecedoras" por atletas, que podem levar a um déficit calórico severo e desacompanhado. O ponto não é a ferramenta, mas o acompanhamento profissional. Perder peso rapidamente pode comprometer o VO2, aumentar a fragilidade de tendões e o risco de lesões. Atletas com REDS frequentemente procuram ajuda médica quando a performance já está em queda, mas outros sinais incluem distúrbios do sono, irritabilidade, oscilações de humor e lesões crônicas.

A transição de um estado de déficit para um atleta eficiente é um processo lento e cuidadoso. Um corpo em restrição se torna um "poupador", guardando energia; para se tornar um "queimador", o corpo precisa de adaptações metabólicas e um aumento gradual da ingestão de carboidratos. É um trabalho de confiança entre atleta e profissional, onde cada pequena melhora constrói a credibilidade do processo. Cuidar do básico, como uma alimentação equilibrada e o uso consciente de probióticos, é crucial para minimizar os efeitos do estresse constante no corpo do atleta de endurance.

É claro que o mundo do endurance é repleto de nuances e desafios, mas com o conhecimento correto e o suporte profissional adequado, como o oferecido no Stemma Performance, atletas podem otimizar sua performance, garantir a saúde e desfrutar plenamente da jornada, transformando o carboidrato de um suposto vilão em seu maior aliado.

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