Ben Sotero: Jovem Alpinista Brasileiro Desvenda Limites na Patagônia e no Brasil
Aos 23 anos, Ben Sotero compartilha suas conquistas em escaladas extremas e a mentalidade que o impulsiona a superar riscos e desafios.
Ben Sotero, um dos mais promissores alpinistas brasileiros, revela como se tornou o mais jovem a escalar o Fitz Roy e o Cerro Torre na Patagônia. Ele conta sobre a experiência de realizar a primeira ascensão livre da Pedra da Fortaleza no Brasil, os perrengues, o medo essencial e a mentalidade que o levou ao topo. Uma jornada de superação e autoconhecimento nos ambientes mais inóspitos.
No episódio do XTREMMA Sports, a apresentadora Shubi Guimarães recebe Ben Sotero, um jovem escalador brasileiro que, aos 23 anos, já acumula conquistas impressionantes no montanhismo mundial. Nesta conversa reveladora, Ben detalha sua trajetória, desde as primeiras escaladas em árvores até as paredes mais desafiadoras da Patagônia e do Brasil, abordando temas como risco, decisão e a rara maturidade de um atleta no limite.
Das Árvores às Montanhas: O Chamado da Vertical
Nascido e criado em São Paulo, Ben Sotero demonstrava desde cedo uma afinidade com a vertical. "Eu escalava árvore, era o melhor escalador do colégio", lembra. Essa inclinação natural o levou, aos 9 anos, ao ginásio de escalada 90 Graus, onde conheceu Paulo Gil, figura que se tornaria um mentor. Influenciado pela mãe, que tinha contato com o renomado montanhista e escritor Jon Krakauer, Ben alimentou o sonho de ser alpinista desde os 7 anos, mesmo sem ter contato direto com montanhas.
Seu pai, um mega atleta do mundo outdoor, também foi uma grande influência, expondo Ben a diversas atividades como ciclismo, corrida e até um mini Ironman infantil. Essa base ativa, aliada ao apoio familiar, moldou um jovem determinado e acostumado a desafios. Contudo, Ben destaca que a experiência mais transformadora de sua juventude foi um perrengue vivido aos 17 anos em uma big wall no Espírito Santo, com o amigo Alex Mendes. Sem a devida experiência em técnicas de montanha, ele quase sucumbiu, mas aprendeu na marra lições cruciais de segurança e sobrevivência.
Conquistas Lendárias na Patagônia: Fitz Roy e Cerro Torre
Aos 20 anos, Ben Sotero fez história ao se tornar o brasileiro mais jovem a escalar o Fitz Roy, na Patagônia Argentina. Essa ascensão foi precedida por um intenso período de treinamento e a experiência de escalar o Aconcágua. Ben conta que a montanha o ensinou sobre humildade. "Tomei um tapa na cara da Patagônia", diz, ao perceber que a arrogância não tem lugar em ambientes tão extremos.
Três anos depois, veio a maior conquista de sua vida: o Cerro Torre, um dos picos mais icônicos e técnicos do mundo, escalado com seu parceiro Cris Delton. Ben descreve a diferença entre as duas montanhas: enquanto o Fitz Roy é majoritariamente rocha, o Cerro Torre é um "picolé de pedra", com seções mistas de gelo, neve e rocha que exigem constantes trocas de equipamento e habilidades diversas. A experiência, que durou cinco dias de El Chaltén a El Chaltén, com três noites na parede, foi marcada pela leveza da equipe (uma mochila para dois) e pela necessidade de escalar rotas com altíssimo risco, onde qualquer erro poderia ser fatal. Ben ressalta que foi o último a escalar o Cerro Torre depois que as chapas da via foram removidas, e ninguém mais conseguiu a ascensão naquela temporada, tornando sua conquista ainda mais notável.
A Reconquista da Pedra da Fortaleza no Brasil
Em 2023, Ben retornou ao Brasil para um desafio pessoal e um projeto patrocinado pela Black Diamond: a primeira ascensão livre da Pedra da Fortaleza, no Espírito Santo. Esta montanha, de 750 metros, foi o palco do seu primeiro perrengue significativo aos 17 anos. Desta vez, acompanhado por Cris Delton, Daniel (câmera) e Zóio, ele passou sete dias pendurado na parede em portaleds, enfrentando tormentas e dificuldades inesperadas. A equipe realizou uma ascensão ground up, sem retornar ao chão após o início da escalada.
A via se revelou "muito difícil", com 20 cordadas, sendo 12 acima do 8º grau BR e três de 10º grau BR, além de cactos e rochas que machucavam a pele. A equipe ainda corrigiu trechos da via original, que consideravam mal planejados pelos primeiros ascendentes. A conquista da Fortaleza, com Ben desfrutando o desconforto, demonstra sua evolução e a capacidade de encontrar satisfação mesmo nas condições mais adversas.
A Mentalidade de um Alpinista de Elite: Medo e Superação
Ben destaca a importância do medo como um fator essencial para a segurança e a tomada de decisões. "É essencial, se não você morre", afirma. Ele ressalta que o medo te mantém atento e te força a analisar o que pode ser feito para mitigar o risco. Essa perspectiva o leva a ver os problemas cotidianos sob uma luz diferente: "quão pequeno é o seu problema, na real".
Sua mente resiliente permite que ele empurre os limites do desconforto, como correr 57 km em uma geleira sem treinamento específico para corrida. "Se você tá com a mente boa e você consegue manter a calma e dar um respiro, você consegue fazer qualquer coisa", conclui. Para Ben, a montanha é um chamado que o leva a um estado mental único, buscando o impossível e provando a si mesmo que é capaz. Ele planeja se mudar para Yosemite para trabalhar como resgatista e sonha em escalar no Himalaia, com foco no K2, mas não no Everest, criticando a massificação de suas ascensões.
A história de Ben Sotero é um testamento à força do espírito humano e à crença em seus próprios sonhos. Sua jornada inspira a buscar o 'impossível', ignorar os céticos e se permitir sonhar mais alto, sempre com respeito pela natureza e pela própria capacidade de superação. Ele é um exemplo de que a maturidade e a responsabilidade podem andar lado a lado com a paixão e a aventura, independentemente da idade, mostrando que o maior limite é sempre aquele que se impõe à própria mente.
Para acompanhar as próximas aventuras de Ben Sotero, siga-o no Instagram: @ben.soterro.